Mostrando postagens com marcador Benin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Benin. Mostrar todas as postagens
3.8.12
superborgou-kingsunny-fatoumata
>> playlistSó África, só costa oeste, três dicas de discos para reforçar o arquivo de clássicos com raridades da Nigéria e Benin, mais disco de estreia da cantora revelação do Mali que virá ao Brasil em novembro para o Back2Black.
Abrindo a seleção, um daqueles álbuns para anotar, correr
atrás e espalhar: ‘The Bariba Sound: 1970-1976’, da Le Super Borgou de Parakou,
incrível orquestra do Benin que segue o mesmo caminho groove da Poly-Rythmo. O
grupo que já havia se destacado nas coletâneas ‘African Scream Contest’ e
‘Legends of Benin’, também da Analog Africa (do incansável Samy Ben Redjeb), voltou
em 2012 com vinil duplo infestado de pedradas sensacionais de rock, soul e
afrobeat da melhor qualidade. Ouça na playlist duas do álbum com faixas
resgatadas de EPs dos anos 70 (disponível no Goma Gringa).
Clássico de um dos maiores nomes da música da Nigéria, ‘Juju
Music’ é o primeiro álbum com distribuição internacional do guitarrista King
Sunny Ade. Lançado pelo selo Mango, em 1982, resgata as melhores faixas de três
discos dos anos 70, ‘Juju Music’, ‘Synchro System’ e ‘Aura’. São apenas sete
músicas com a nata da produção de Ade em sua melhor fase. Destaque para as
linhas suaves de guitarra, o vocal cool e os efeitos que criam um dub versão
africana.
Para fechar, do Mali, o soul-jazz-blues da revelação Fatoumata
Diawara, atração do Back2Black de Londres, em junho, e nome confirmado para
edição carioca, em novembro. Para seu disco de estreia, ‘Fatou’, de 2011, a cantora e
instrumentista nascida em Bamako compôs todas as doze faixas, tocando guitarra,
percussão e baixo. Fatoumata contou com apoio de Oumou Sangaré, ícone no Mali, para
lançar o álbum pela World Circuit. No mesmo período, participou do projeto
African Express, com Damon Albarn, gravou com AfroCubism, Herbie Hancock e com
a Poly-Rythmo. Fez ainda shows por toda a Europa com
o power-trio 'Rocket Juice and the Moon', do dream-team black Damon Albarn, Tony Allen e Flea. Abaixo, trecho da apresentação de Fatoumata no Jazz Cafe, em Londres
13.6.12
analogafrica-soundway-vampisoul-strut
>> playlist
Gravadoras independentes da Europa e Estados Unidos apontam seus radares para Mali, Gana, Nigéria e Benin atrás de álbuns inéditos fora da África, muitos esgotados, fora de catálogo, relíquias que só aparecem com pesquisa pesada. É cada vez mais comum ver produtores e donos de selos viajando meses pela costa oeste africana e voltando carregados de vinis dos anos 60 e 70. As inglesas Soundway, Strut Records e World Circuit, a alemã Analog Africa, a espanhola Vampisoul e a francesa Buda Musique, que abriu portas nos anos 90 com a série Ethiopiques, são nomes chaves dessa nova cena internacional que tem produzido uma ‘world music’ bem mais funkeada do que a aquela empacotada pelas multinacionais nos anos 80 e 90.
Do garimpo por lojas de discos, rádios e até casas de colecionadores em cidades como Accra, Lagos e Cotonou já saíram discaços de Ebo Taylor, Orchestre Poly-Rythmo, Orlando Julius, Mulatu Astatke, Refugee All-Stars e muitas coletâneas com sons raríssimos em sequências matadoras ilustradas por pesquisa caprichada com fotos e entrevistas. Seguem quatro dicas que servem como mapa musical para essa região da África que é uma mina de sons clássicos.
African Scream Contest (2008) - Analog Africa
A viagem de Samy Redjeb por Benin e Togo, em 2005, rendeu tanto que o produtor da alemã Analog Africa só deu o projeto por encerrado depois de quase três anos na ponte aérea Frankfurt-Accra. Tinha tanto material que não ficou satisfeito somente em produzir um discaço com 14 músicas de nomes como Orchestre Poly-Rythmo, Les Volcans de la Capital e El Rego et ses commandos. A Analog lançou acompanhando o álbum um livro caprichadíssimo de 44 páginas recheado de fotos raras cedidas pelos próprios músicos e 16 entrevistas. No total, Samy fez oito viagens à capital do Benin, Cotonou, terra natal da sempre espetacular Poly-Rythmo. Grooves hipnóticos e metais pesados para conquistar até os ouvintes de primeira viagem.
Ghana Soundz Vol 1 (2002) Vol 2 (2004) - SoundWay
O DJ e fundador da SoundWay Miles Cleret voltou de Gana carregado de raridades locais de funk e afrobeat. Depois do garimpo, foi atrás dos músicos para resgatar fotos, dados das gravações e histórias. ‘Ghana Soundz’ é completíssimo e mereceu segundo volume dois anos depois. A maioria dos sons é do início dos anos 70 quando os ídolos locais eram Fela Kuti, James Brown e Santana. O resultado é uma mistura do funk dos EUA com o highlife local. Ebo Taylor e Marijata já tiveram posts aqui no blog.
VampiSoul Goes to Africa (2008) - VampiSoul
Depois de apostar nas pedradas black ‘Lagos Baby’, de Fela Kuti, ‘Afro Disco Beat’, de Tony Allen, e na coletânea ‘Highlife Time’, todos discos duplos com produção impecável, a espanhola VampiSoul partiu para pesquisa de campo e antecipa futuros lançamentos com esse ‘VampiSoul Goes to Africa’. Muita percussão, solinhos funkeados de guitarra, metais em brasa e influência direta do deep funk dos EUA.
Lagos Jump (2009) – Strut Records
‘Lagos Jump’ marca a volta da inglesa Strut ao país de Fela Kuti depois do relançamento do triplo ‘Nigeria 70’. Só que o foco agora é a capital Lagos dos anos 70 totalmente impregnada, dominada, encharcada de afrobeat. Tem do jazz pesado de Peter King ao afrofunk de Bola Johnson, chegando à lenda do ‘juju’ Shina Peters. São ao todo 27 músicas em um álbum duplo com seleção de Duncan Brooker e John Collins. Não poderiam faltar os incríveis Orlando Julius, Funkees, Joni Haastrup e Tony Allen. Pesquisa competente, afrobeat pauleira.
18.11.11
elrego-jaqee-woima
>> playlist
Alemão radicado em NY, DJ e autor do incrível site Voodoo Funk, Frank Gossner é figurinha carimbada aqui no blog e o pesquisador responsável pelo maior lançamento de afro-funk do ano: o primeiro álbum de um dos grandes mestres da música africana, uma mistura de James Brown com Fela Kuti e John Lee Hooker, Theophile Do Rego, o El Rego, aqui com 'ses Commandos'. Lançado em outubro em parceria com a gravadora Daptone Records, a mesma de nomes como Sharon Jones e Budos Band, o disco homônimo é antes de tudo uma preciosidade com faixas que antes só apareciam em discos de 45rpm. O álbum acompanha ainda um livro capa dura de 20 páginas com fotos sensacionais dos anos 60 e 70 do movimento black no Benin (país que revelou outro peso pesado da música africana, a Orchestre Poly-Rythmo).
Garimpador incansável, Gossner já havia descoberto material inédito de El Rego em viagens pela costa leste da África até decidir ir atrás do autor de clássicos como ‘Se na Min’ (faixa que já havia se destacado em outro disco histórico, a coletânea ‘African Scream Contest’). No Benin, Gossner não só localizou El Rego em sua casa (veja vídeo sensacional mostrando a reação do músico, hoje com 53 anos, ao saber que músicas como ‘Hessa’ incendeiam pistas da Europa e EUA) como também foi apresentado a fotos inéditas e farto material que acabaram encorpando o projeto e virando item obrigatório no pacote.
Remasterizadas com a qualidade Daptone, faixas como ‘Feeling You Got’ e ‘Dis-Moi-Oui’ ganharam ainda mais pressão revelando detalhes do caldeirão instrumental comandando pela voz de El Rego. A cereja do bolo no projeto é o disco bônus 45rpm com ‘Se na min’. No site da gravadora é possível fazer download gratuito de ‘Hessa’. Clássico e histórico. Cheeers Frank!
Nascida em Kampala, capital de Uganda, Jaqueline Nakiri Nalubale, Jaqee, só 34 anos, passou a infância circulando por áreas rurais do país até viajar aos 17 anos para Suécia e mudar de vida. Em Gotemburgo, virou uma das principais revelações da música ‘black sueca’ e indicada duas vezes à melhor cantora na versão local do Grammy. Lembrando sua infância quase nômade em Uganda, Jaqee muda de estilo a cada disco: estreou em 2005 fazendo um soul classudo em ‘Blaqalixious’, passou para o rock-blues em ’Nouvelle D’Amour’, de 2007, e no ano seguinte fez um discaço tributo a Billie Holiday. Não satisfeita, Jaqee partiu para o reggae, em 2009, com ‘Kokoo Girl’.
'Cresci sob o gospel africano em um ambiente truculento e triste. Foi fácil abraçar e entender o reggae'.
Faixas como ‘Natty Dread’, ‘Pink Drunken Elephant’ e ‘Take ir or Leave it’ (todas na playlist) levaram Jaqee, atualmente morando em Berlin, a explodir na França onde seu disco foi relançado em 2010 com o nome de ‘Land of the Free’. Um reggae moderno com feeling rasta e toques de ragga fazem de ‘Kokoo Girl’ uma boa pedida para trilha de um dia de sol.
Woima – Tezeta (2011)
O último disco oficial do excelente Poets of Rhythm, grupo de deep-jazz de Berlin formado por músicos alemães com sangue blackíssimo, foi ‘Ham Gallery/Battle of Funk’, de 2009, mas seus integrantes não param de produzir e frequentemente aparecem nas longas listas de músicos envolvidos em combos que se reúnem para tocar e gravar em projetos de afro-funk-ethio-jazz. Bandas hypadas como Whitefield Brothers, Karl Hector, Afrobeat Academy e agora o Woima são formadas em sua grande maioria por músicos do Poets como o guitarrista Jay Whitefield, o pianista Thomas Myland, o saxofonista Ben Abarbanell e o sax tenor Johannes Schleiermacher. O quarteto agora está de novo junto atendendo dessa vez convocação de Schleiermacher.
Com nome inspirado em um ritmo da Guiné, o combo com 10 integrantes nasceu a partir de uma viagem do músico pela região norte da África. Na volta, carregado de discos, impregnado pela sonoridade de países como Marrocos, Etiópia e Guiné, e empolgado após conversas com o grande Mulatu Astatke, Schleiermacher montou a banda com antigos parceiros e foi gravar no Lovelite, em Berlin, mesmo estúdio onde foram feitos discos de Jimi Tenor e Afrobeat Academy. O Woima vai fundo nos timbres hipnóticos lembrando os melhores momentos de grupos como Heliocentrics e o próprio Mulatu. Ethio-jazz com muitos efeitos de dub, piano delicioso e todo groove do funk.
20.5.11
marijata-polyrythmo-paulinhodaviola
>> playlist
Marijata - This is Marijata (1976)
Raridade que chegou a ser vendido por US$ 2 mil para DJs e colecionadores dos EUA e Europa, ‘This is Marijata’ foi relançado em março pela Academy LPs de NY em edição de luxo com tiragem de 150 vinis, encarte cheio de fotos e capa em sikscreen (mais mil cópias em LP comum). O projeto de resgate desse verdadeiro tesouro da música black, uma mistura de James Brown com Wilson Pickett e Fela Kuti em tons psicodélicos, é todo do DJ alemão radicado no Brooklyn, Frank Gossner, autor do blog Voodoofunk, simplesmente obrigatório para quem gosta de sons africanos.
Fã incondicional de vinis e garimpador nato de raridades, Frank busca seus LPs direto na fonte através de agentes locais em países da costa oeste da África, como Gana, Senegal, Nigéria, Mali e Benin. Com dezenas de viagens e contatos acumulados, aos poucos passou a fazer também link entre músicos e gravadoras para resgatar discos raros. Essa semana, por exemplo, Frank lança com festa em NY uma coletânea de ‘funk , fast times and nigerian boogie badness’.
Raridade que chegou a ser vendido por US$ 2 mil para DJs e colecionadores dos EUA e Europa, ‘This is Marijata’ foi relançado em março pela Academy LPs de NY em edição de luxo com tiragem de 150 vinis, encarte cheio de fotos e capa em sikscreen (mais mil cópias em LP comum). O projeto de resgate desse verdadeiro tesouro da música black, uma mistura de James Brown com Wilson Pickett e Fela Kuti em tons psicodélicos, é todo do DJ alemão radicado no Brooklyn, Frank Gossner, autor do blog Voodoofunk, simplesmente obrigatório para quem gosta de sons africanos.
Fã incondicional de vinis e garimpador nato de raridades, Frank busca seus LPs direto na fonte através de agentes locais em países da costa oeste da África, como Gana, Senegal, Nigéria, Mali e Benin. Com dezenas de viagens e contatos acumulados, aos poucos passou a fazer também link entre músicos e gravadoras para resgatar discos raros. Essa semana, por exemplo, Frank lança com festa em NY uma coletânea de ‘funk , fast times and nigerian boogie badness’.
Gravado em 1976 pelo trio ganês formado por Kofi ‘Elektric’, Bob Fiscian e Nat Fredua, ‘This is Marijata’ é um dos discos preferidos de Frank, ficou anos restrito ao mercado africano e pouquíssimo divulgado no exterior até finalmente ser redescoberto e relançado. No blog, o DJ avisa que já está em fase final de produção para colocar no mercado o segundo e último LP do Marijata, o ‘disco vermelho’, com Pat Thomas.
(leia entrevista com Frank Gossner no blog Dust and grooves com ensaio de fotos feitas no dia em que chegava mais um carregamento direto da África em três caixas abarrotadas de LPs).
Tout Poussant Orchestre Poly-Rythmo – Cotonou Club (2010) Gravadoras e selos dos EUA e Europa descobriram recentemente na África uma fonte praticamente intocada de música black e aos poucos começam a relançar discos raros e coletâneas. O número de fãs, colecionadores e sites especializados em sons africanos disparou e nesse exato momento tem algum pesquisador, agente ou produtor garimpando vinis ou negociando relançamentos de vinis esgotados em cidades como Accra, Lagos, Dakar ou Bamako.
Foi assim que nos últimos dez anos gravadoras como Soundway, World Circuit, Analog Africa e Luaka Bob (representante na Europa dos brasileiros Mutantes e Tom Zé) chegaram a ídolos locais do afrobeat, high life e voodoo, nomes como Ebo Taylor (Gana), Orchestra Baobab (Senegal), Super Rail Band (Mali) e essa incrível TP Orchestre Poly-Rythmo, fundada em 1966 e com status de lenda no Benin.
(TP vem de Tout Poussant, ‘toda poderosa’, prefixo muito usado em bandas e orquestras de países de colonização francesa e até no futebol; o Mazembe, por exemplo, zebra que ganhou do Internacional no Mundial, também é TP)
Primeiro disco com lançamento mundial da Poly-Rythmo, ‘Cotonou Club’, de 2010, marca a volta da orquestra aos estúdios após intervalo de incríveis 25 anos. Para lançar o disco, que tem participações de celebridades como Angélique Kidjo e dos fãs roqueiros do Franz Ferdinand, os músicos viajaram o ano inteiro em turnê por EUA, Japão e Europa. Com agenda lotada e shows abarrotados, a Poly-Rythmo admite que não esperava ter trabalho reconhecido fora do Benin após tantos anos de estrada (leia entrevista do Afrobeatblog com um dos fundadores da orquestra, Vincent Ahehehinnou).Antes do disco lançado pela Strut, os alemães da Analog Africa já haviam reeditado dois álbuns da Poly-Rythmo dos anos 70, ‘The Vodoun Effect' e ‘Echos Hypnotiques’. Todos os três discos seguem inéditos no Brasil e devem continuar.
O mercado para música africana no Brasil ainda é limitado, informações sobre bandas do passado e do presente quase não circulam, gravadoras investem pouco e o que predomina na maioria do público ainda é uma visão estereotipada. Por isso, é de se comemorar a criação de festivais como o Percpan, antenadíssimo, e palco ano passado de uma apresentação histórica da Poly-Rythmo.
Pouco antes do show, em novembro, no Rio, o DJ Maurício Valadares escreveu no blog do Ronca Ronca: ‘É uma oportunidade única, algo parecido com o primeiro show do Franz Ferdinand no Circo, do Echo no Canecão, de Miles no Municipal em 74, de McCartney no Maracanã, de Neil Young no Rock in Rio, portanto, não pense duas vezes!’
Veja abaixo trecho do show no Oi Casa Grande e ouça na playlist músicas dos três discos. Mas para começar um minidoc francês sensacional com imagens do Benin e ensaios da Poly-Rythmo. Aumenta que isso aí é afrobeat e funk africano da melhor qualidade.
Paulinho da Viola - Memórias Chorando e Memórias Cantando (1976) Gravados ambos em 1976, os discos ‘Memórias Chorando’ e ‘Memórias Cantando’ mostram os dois lados do mestre Paulinho da Viola: o de compositor de mão cheia autor de sambas históricos e o de excelente músico, herdeiro direto do talento do pai, o violinista César Faria, do grupo Época e Ouro criado por Jacob do Bandolim.
Dividindo em ‘Memórias’ a paixão pelo samba e pelo choro, um Paulinho da Viola em plena forma apresenta canções que ficariam na história, como ‘Perdoa’ e ‘Meu novo sapato’, e clássicos de mestres como Noel Rosa, Pixinguinha, Ary Barroso e Benedito Lacerda tocados ao lado do pai.
Com craques das cordas e sopros em todos os instrumentos, como Copinha, Cristovão Bastos, e Elton Medeiro, ‘Memórias Chorando’ mereceu na época a seguinte crítica de José Ramos Tinhorão, no Jornal do Brasil:
'Após alguns anos de carreira, qualquer cantor, músico ou compositor começa a pensar seriamente na possibilidade de produzir pelo menos um disco perfeito. Pois Paulinho da Viola acaba de conseguir dois, de uma só vez'. E não precisa dizer mais. Obrigatório.
Assinar:
Postagens (Atom)

















