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5.2.13

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Native Brazilian Music (1942)

O baú de preciosidades ainda ocultas da música popular brasileira não para de surpreender e quando menos se espera começam a circular músicas obscuras, inéditas e incríveis de gênios como Pixinguinha, Cartola, Donga e João da Baiana. Entre 2010 e 2012, praticamente todas as faixas do raríssimo ‘Native Brazilian Music’ ficaram disponíveis na web. Gravado na noite do dia 7 de agosto de 1940, a bordo do SS Uruguay, ancorado na Praça Mauá, Rio, e equipado com estúdio completo da Columbia Records (depois comprada pela Sony), o disco de 16 faixas reunindo a nata da música brasileira dos anos 30 e 40 fazia parte da política de ‘boa vizinhança’ do governo americano durante a 2ª Guerra Mundial. 
 
Convidado pelo maestro Leopold Stokowski, idealizador do projeto, Heitor Villa-Lobos ficou com a ‘curadoria’ selecionando mais de 30 músicos e intérpretes. O detalhe é que nossos ‘best  friends’ nunca lançaram o disco no país. A única edição do álbum, de 1942, ficou disponível apenas para o público norte-americano. E pior, os fonogramas que estariam guardados nos cofres da Sony teriam sido removidos anos depois para a Biblioteca do Congresso dos EUA e até hoje tem paradeiro incerto dificultando seu relançamento. 


A pesquisadora Daniella Thompson assumiu a missão de tentar localizar os fonogramas (ao todo 40, incluindo as faixas não lançadas) e contou sua epopeia em uma série de artigos chamados ‘Stokowski Caçado’. A expectativa agora é que as gravações originais voltem ao Brasil para ficar sob a responsabilidade do Museu Villa-Lobos. Mas, por enquanto, ainda não há nenhuma posição oficial da Embaixada do Brasil em Washington que está à frente da empreitada. 


Outro projeto que tentou desvendar os bastidores das gravações no SS Uruguay é o documentário ‘Villa Lobos’, produzido em 2009, pela TV Senado. Veja abaixo trechos do filme com depoimentos de pesquisadores como Sergio Cabral e Ricardo Cravo Albim. 



No livro 'Todo Tempo que Eu Viver', o cineasta Roberto Moura cita uma reportagem do jornal A Noite, de 8 de agosto de 1940, sobre as gravações da dupla Stokowski/Villa-Lobos .


“O salão de música do Uruguai em toda sua existência talvez não tenha abrigado tantas celebridades como o fez ontem à noite. Às 22 horas, começou a concentração dos conjuntos, escolas de samba, orquestra, gente que ia cantar e gente que ia ouvir. Nesse último grupo, o próprio comandante do navio, que logo tomou lugar em uma cômoda poltrona, de onde acompanhou todo o desfile. Pixinguinha, Jararaca, Ratinho, Luís Americano, Augusto Calheiros, Donga, Zé Espinguela, Mauro César, João da Baiana, Janir Martins, Uma ala do Saudade do Cordão [sic], que tanto sucesso alcançou no último carnaval, a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, o compositor David Nasser, toda essa gente fala, comenta, discute, até que tem início a trabalho das gravações. À medida que os ponteiros dos relógios correm, os passageiros doUruguai voltam dos seus passeios pela cidade e vão tomando lugar no vasto salão. E os grupos se sucedem diante do microfone na tarefa das gravações".


Em 2012, nos 40 anos de 'Native Brazilian Music’, a Rolling Stone publicou também a excelente matéria 'O Tio Sam Extraviou nossa Batucada', com alguns detalhes inusitados como o cachê dado a Cartola. No texto republicado no site da revista há ainda links para as principais músicas. É possível ler também a matéria publicada no distante 1974 sobre o disco que na época já era um tesouro praticamente desconhecido. Agora, ao menos, as músicas já podem ser ouvidas no Youtube. Abaixo, quatro delas: Zé Espinguela, Cartola, Pixinguinha com João da Baiana, e, fechando, Pixinguinha com Zé da Zilda e Donga.








Led Zeppelin – Celebration Day 2007 (2012)


Fundador da lendária Atlantic Records, primeira gravadora a assinar com o Led Zeppelin, em 1968, o turco radicado em NY Ahmet Ertegün, morto em 2006 e um dos grandes executivos da música de todos os tempos, certamente estaria na primeiríssima fila para acompanhar a noite épica em sua homenagem reunindo alguns dos seus principais contratados se apresentando em sequência no palco da O2 Arena, em Londres. Mas foi o show de encerramento o responsável por colocar o evento no Guinness como o de maior procura por ingressos na história da internet com mais de 20 milhões de pedidos para apenas 20 mil lugares disponíveis. 


Pela primeira desde o fim do Led Zeppelin, em 1980 (após a morte do baterista John Bonham), Robert Plant, 64 anos, Jimmy Page, 68, e John Paul Jones, 66, gravariam um disco inteiro com sua formação original, com Jason Bonham (filho de John) assumindo as baquetas. Para quem estava lá e assistiu ao vivo ao trio original do Led desfilar todos os clássicos da carreira, aquele 10 de dezembro de 2007 ficaria para sempre na memória como uma espécie de máquina do tempo.




Depois de algumas semanas de ensaios, a banda que criou alguns dos maiores clássicos do rock ressurgia afiadíssima lembrando todos seus hits num set de 16 músicas abrindo com ‘Good Times, Bad Times’, passando por hinos como ‘Dazed and Confused’ e ‘Whole Lotta Love’, até o encerramento com ‘Rock and Roll’. Imagina... melhor mesmo é correr e comprar o CD e DVD ‘Celebration Day’, dirigido por Dick Carruthers e lançado em 2012 – é, demorou 5 anos para o projeto chegar às lojas -  pois vale cada centavo e reedita um pouco da emoção do megaevento. 

Na coletiva de lançamento do álbum, no Museu de Arte Moderna de NY (MoMA), Plant, Page e Jones evitaram dar qualquer pista sobre um possível novo reencontro. Para cada pergunta sobre projetos futuros, respostas evasivas ou desconcertantes. 

- Se eu faria isso de novo? Com você?, disse Plant.


Para não dizer que os três ficaram só nas ironias, uma outra fala de Plant reacendeu esperança dos fãs.

“Queríamos fazer tudo certo e apresentar nosso som para um público que nunca teve a oportunidade de nos ouvir ao vivo, só conhecia nossa reputação. Adoramos os ensaios e o show, mas a responsabilidade de tocar quatro noites por semana é algo diferente. Não vamos colocar o carro na frente dos bois. Se formos capazes de fazer algo, em nosso próprio tempo, quem sabe ainda não aparecerá um outro projeto? 

Abaixo, trechos do DVD. Aqui, link para faixas no iTunes. Depois, vídeo completo do primeiro reencontro do Led, em 1985, no Live Aid. 


 
Guerra no Mali + Lobi Traoré, Kanaga System Krush Records - Bwati Kono, In the Club (2010)




Sob ameaça de invasão de grupos ligados à Al-Qaeda que dominavam a região norte do país e depois com a reação liderada pela França para expulsar os radicais islâmicos, o Mali ganhou destaque nos jornais nas últimas semanas com relatos de bombardeios, incêndios criminosos, execuções, recrutamento de crianças e até ameaças a músicos locais. Radicada na França, a cantora Fatoumata Diawara (atração do último Back2Black) aproveitou toda mídia internacional durante o último London Jazz Festival, em dezembro, para alertar sobre o conflito na sua terra natal. E fez mais: em janeiro, organizou uma jam reunindo a nata dos músicos do Mali (que não são poucos, incluindo Amadou e Mariam, Bassekou Kouyate, Vieux Farka Toure e mais de 30 bandas e intérpretes) para gravar ‘Mali-Ko, um ‘We are the world’ africano, pedindo paz e um Mali novamente unido. 



‘Estamos assustados e não sabemos o que vai acontecer. É importante o mundo entender nossa situação’, disse, fazendo questão de alertar para os abusos cometidos contra algumas bandas e o papel da música na riquíssima história cultural do país. ‘Não podemos viver sem música: é nossa primeira religião!’.


Para quem gosta de jazz, blues e até hiphop, o Mali é porta de entrada mais do que indicada para explorar a música africana. Aqui no blog o país tem lugar cativo com uma lista interminável de talentos incríveis. Além dos nomes já citados que participaram de ‘Mali-ko’, há mais estrelas do passado e do presente que colocam o país entre os grandes da música mundial como uma espécie de Jamaica ou Cuba da África em capacidade de revelar grupos e intérpretes de alto nível. No chamado ‘desert blues’, por exemplo, o país revelou um dos maiores guitarristas de todos os tempos: Ali Farka Touré. Há ainda gigantes como Sidi Touré, Tinariwen, Boubaracar Traoré, Salif Keita, Oumou Sangaré, Idrissa Soumaoro, Keletigui Diabate, entre outros.

Para fechar esse post-alerta sobre a situação no país e fazendo circular a mais nova descoberta do blog sobre a incrível música do Mali, a indicação é o excelente ‘Bwati Kono’, ou ‘In the Club’, o primeiro de Lobi Traoré aqui no oblogblack. 

Morto em 2010 com apenas 49 anos vítima de diabates, o guitarrista, cantor e compositor tem ao menos dez discos lançados fora do Mali, mas nenhum com a qualidade de ‘In the Club’, registrado ao vivo em dois dias de show em Bamako. Em dez faixas, Traoré desfila toda sua categoria na guitarra com clássicos do blues africano. Conheça mais sobre a trajetória no excelente mini-doc abaixo com trechos de apresentações. 


Na sequência, um apanhado com textos de sites brasileiros e estrangeiros sobre a guerra no Mali e seu impacto na música. E ainda sons de Ali Farka Touré, Amadou e Mariam, Tinariwen e outros gigantes que passaram aqui pelo oblogblack. Paz para o Mali. 

Documentário mapeia a música do Mali (O Globo)
http://oglobo.globo.com/cultura/documentario-mapeia-musica-do-mali-7405146

Mali: no rhythm or reason as militants declare war on music (Guardian)



"We can’t live without music: music is our first religion!”, Fatoumata Diawara (Musika)
http://www.musika.uk.com/2012/12/the-war-on-music/
  
A Malian chorus of reason hits the airwaves (African Review) 

Mali's conflict turns musicians into military (CNN) http://edition.cnn.com/2013/01/18/opinion/opinion-morgan-mali-music/

1.6.12

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Semana que começou africana aqui no blog com lançamento do oblogblackafrica só com seleção dos posts de afrobeat, afrofunk, high-life e ethiopianjazz, todos juntos no mesmo espaço com layout perfeito para descobrir playlists e álbuns das antigas, vai terminar no mesmo groove black com coletânea nova do The Funkees, lançamento do primeiro disco do KonKoma, com Pax Nicholas e DJs da BBC tocando em festa hoje em Londres, e abrindo uma super raridade da música afro-psicodélica brasileira: Tribo Massáhi. Todos com playlists e vídeos. 

Tribo Massáhi (1972)

Quinze minutos direto de jam rodando de um lado e mais 15min do outro divididos em quatro temas em que sobram batuques, guitarras e experimentações resultando em um dos discos mais ousados, raros e até misteriosos da música black brasileira. Gravado em 1972 por Embaixador (segundo fontes um dos vilões do filme ‘Ritmo de Aventuras’, de Roberto Carlos) à frente de uma banda com integrantes africanos (Aymmi, Koffi, Korede, Kolawole, Duro Timi, Omopupa, Iyalode, Abeke) e canjas de brasileiros (Lápis, Romildo, Rui Barbosa, Nathalie), o álbum da Tribo Massáhi completa 40 anos em 2012 ainda cercado de enigmas com informações fragmentadas espalhadas por posts curtos em blogs especializados e nenhuma entrevista mais longa com seus integrantes nos anos posteriores (se alguém souber, só falar).

Em sites de leilão, o disco da Tribo Massáhi é vendido a peso de ouro podendo custar até mil reais. No exterior, é tratado como ‘rough brazillian psychedelic jazz’. De fato, tem tudo isso e mais candomblé, samba e soul em um estilo parecido com o igualmente raro ‘Black Soul Brothers’, de Miguel de Deus.

Experimental demais, doido, lisérgico, gravado quase improvisadamente, o fato é que o álbum da Tribo Massáhi ficou praticamente esquecido só voltando a circular com a internet. Em 2010, um dos temas do seu Lado B ganhou versão do Almaz com Seu Jorge e integrantes do Nação Zumbi. O guitarrista Lúcio Maia considera a música a grande pérola do álbum do Almaz. 

‘Foi um projeto que passou em branco, com uma carga forte de música brasileira, mas muito mais africanizada. Passou como algo experimental demais e o Embaixador, líder da Tribo, ficou esquecido’.  

Abaixo, Almaz no palco em SP tocando 'Pai João'. Na playlist, o disco completo do Massáhi. Groove black de primeira fervendo do início ao fim.



 
The Funkees - Dancing Time: The Best of Eastern Nigeria's Afro Rock Exponents 1973 – 77 (2012)

A gravadora inglesa SoundWay Records completou em 2011 dez anos de estrada com mais de 25 coletâneas só com o fino da música africana resgatando faixas obscuras e discos perdidos dos anos 60 e 70, principalmente de países da costa oeste onde reinavam o afrobeat, afro rock e highlife. Seu criador, Miles Cleret, já perdeu a conta do número de horas viajadas entre cidades como Accra, Cotonou, Dakkar e Lagos, e hoje pode se orgulhar de ser um dos maiores responsáveis pelo resgate e preservação de ícones da música africana. Um dos álbuns mais populares da SoundWay, o duplo 'Nigeria Special', foi fundo na pesquisa a partir de antigos discos de 45rpm filtrando só a nata do afrobeat anos 70 no país. Quarta faixa do primeiro disco, 'Akula Owu Onyeara', do Funkees, virou hit nas pistas da Europa e trouxe de novo o nome da banda para os sites e blogs especializados. Cleret decidiu então que era hora da banda que sempre privilegiou sons para as pistas ganhar um 'best of' repassando toda sua obra. 

Com 18 músicas, 'Dancing Time' reúne as melhores faixas dos discos de 45rpm garimpados por Cleret em suas viagens, além dos dois LPs oficiais e ainda faixas gravadas em Londres no período em que os músicos da banda se mudaram para tentar carreira internacional. Não deu certo, a banda se separou em 1977 e só agora ganha homenagem à altura da sua importância na música black. 'Dancing Time' traz ainda uma entrevista completa com Sonny Akpan, membro original do Funkees. Clique para encomendar o disco em versão vinil ou CD. Ouça abaixo 'Akula Owu Onyeara'. Na playlist, clássicos do Funkees.



KonKoma (2012)

Festa hoje em Londres lança o primeiro álbum da novíssima aposta da SoundWay, o KonKoma, grupo londrino formado só por músicos de Gana com passagens pelas bandas do soulman Bobby Womack, do guitarrista Peter Green e das clássicas Boombaya e Osibisaba. Com 12 faixas gravadas em Brighton, o álbum é um dos primeiros projetos da gravadora especializada em coletâneas e relançamentos de clássicos africanos de produzir músicas inéditas com raízes no afrobeat e highlife. A estreia do KonKoma será de gala em uma super noitada black em East London com festa, DJs da BBC e convidados ilustres, como Fokn Bois, Yaaba Funk e Pax Nicholas, ex-Africa 70 (há ainda a possibilidade de participação do guitarrista Ebo Taylor, recém-chegado da Virada Cultural de SP). 

O evento servirá também para arrecadar fundos para dois grandes especialistas em música africana: o musicologista John Collins, hoje professor na Universidade de Gana e autor de dezenas de livros, entre eles a biografia de ET Mensah; e Jon Lusk, jornalista da Rough Guide, FRoots, Songlines e BBC. Collins perdeu a mulher em 2011, em uma enchente em Accra, e Lusk se recupera de um derrame. Particpam da produção ainda as gravadoras Strut (Ebo Taylor, Poly-Rythmo, Mulatu Astatke) e Sofrito (Highlife Underground), além do Shrine (coletivo londrino com DJs, escritores e músicos). Clique para encomendar o disco do KonKoma. Abaixo, o vídeo de divulgação da SoundWay. Sonzeira.


13.4.12

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Tony Allen, Damon Albarn, Flea - Rocket Juice & the Moon (2012)

Foi por pouco, no sufoco, nos últimos minutos do 'Queremos'!, mas os fãs de afrobeat acordaram hoje podendo comemorar: está confirmadíssima a apresentação do baterista Tony Allen, dia 6, no Circo Voador, Rio (um dia antes, Allen toca em SP, na Virada Cultural). A expectativa é de dois shows históricos e de casa cheia do nigeriano de incríveis 71 anos, nascido em Lagos, certamente top 5 entre os melhores bateristas de todos os tempos.

Fela Kuti já disse que sem a bateria de Tony Allen não existira o afrobeat. A parceria dos dois começou em 1968 e durou oficialmente até 1978, quando Allen deixou a direção musical do Africa 70, durante turnê de Fela na Alemanha.  Hoje, Tony Allen mora em Paris, tocou nos anos 80 e 90 com pesos pesados da black music como King Sunny Ade, Ray Lema, Manu Dibango, Baaba Maal, o jazzmen Archie Shepp, e continua a todo vapor. 

‘Rocket Juice & the Moon’ é seu novo projeto ao lado dos cracaços Damon Albarn (Blur e Gorillaz) e Flea (Red Hot), com participações de nomes como Eryka Baduh, do cantor malinês Fatoumata Diawara, do rapper ganês M.anifest e do combo de Chicago Hypnotic Brass Ensemble. O disco recém-lançado é a segunda parceria de Allen com Albarn. Antes, a dupla já tinha dividido estúdio e shows no projeto ‘The Good, the Bad and the Queen’, também com um timaço de músicos que tinha entre outros Paul Simonon, do Clash, e Simon Tong, guitarrista do The Verve. A primeira apresentação do super trio aconteceu, em 2011, no Cork Jazz Festival, na Irlanda. Não há expectativa de uma turnê dos três juntos já que o Red Hot tem agenda fechada para os próximos meses, Albarn é quase onipresente em vários projetos paralelos, assim como o também requisitadíssimo Tony Allen. 

‘Rocket Juice’ tem um pouco da influência de cada um de seus integrantes. Funkão pesado de respeito para sacudir a pista e o cérebro.  Presta atenção no entrosamento na cozinha entre Flea e Tony Allen. Discaço. 

Na playlist estão também faixas do último disco solo de Tony Allen, ‘Secret Agent’, de 2009, o dueto com Jimi Tenor, no projeto ‘Inspiration Information‘, do mesmo ano, mais participações no disco dos franceses do Fanga e no recém-lançado disco do guitarrista Ebo Taylor (2012). E aqui mais informações sobre relançamentos de vinis de Tony Allen. 



Akalé Wubé (2011)

Com o quantidade de imigrantes africanos circulando pelas grandes cidades da França era mais do que esperado a overdose de bandas, festas e pesquisadores de afrobeat, high-life, hiplife, ethio-jazz e de outros ritmos black no país. E foi na capital Paris que nasceu, em 1998, o primeiríssimo álbum da série ‘Ethiopiques’ resgatando nomes da fase de ouro do jazz etíope como Alemayehu Eshete, Tsehaytu Beraki, e, principalmente, Mulatu Astatke, que tocou ano passado em SP com casa cheia e ingressos esgotados em poucas horas. Foi também na cidade luz que surgiu uma das melhores bandas da pequena, mas altamente competente cena de ethio-jazz europeia, o quinteto Akalé Wubé (nome baseado em uma faixa do saxofonista Getatchew Mekurya). Vizinhos quase de porta do DJ Blundetto, estourado em Paris e hypado já fora da Europa, o  Akalé Wubé se destacou no último disco do francês e começa aos poucos a fazer barulho também fora da Europa. 

O álbum homônimo, de 2011, é o primeiro da banda e deixou ótima impressão. Traz novas versões para faixas clássicas da série 'Ethiopiques', todas instrumentais dos anos 60 e 70 com os metais dominando, mas também com forte presença de piano, baixo e até uma flautinha matadora. O caldeirão do Akalé Wubé mistura ainda psicodelia, reggae e funky. Como disse o DJ da BBC Gilles Peterson, som perfeito e viajante para ouvir no final da noite. Se quiser conhecer mais sobre a cena de ethio-jazz na Europa, ouça também Woima e Whitefield Brothers. Abaixo, o Wakalé Wubé ao vivo, em Paris, tocando o clássico etíope Muziqawi Silt.





Caçapa - Elefantes na Rua Nova (2011)

Conheci Rodrigo Caçapa pela seleção de altíssimo nível de cinco álbuns fundamentais de música africana indicados por ele que fez dupla com matéria do blog sobre o Awesome Tapes from Africa no miniespecial África na +Soma. Produtor, violonista e pesquisador musical obsessivo de ritmos afro e também nordestinos, o pernambucano Caçapa lançou em 2011 seu primeiro disco solo coroando carreira recheada de contribuições para projetos estourados de nomes que vão de Nação Zumbi e Siba a Alessandra Leão, Biu Roque e Kiko Dinucci. 

‘Elefantes na Rua Nova’ entrou em várias listas de melhores discos do ano misturando erudito e popular com maestria, incorporando efeitos e violas distorcidas em levadas de coco, rojão e samba. Caçapa gravou, produziu e arranjou as oito faixas tocando três violas, com Alessandra Leão, na percussão, e Hugo Lins, no violão baixo. No site que reproduz o CD multimídia que acompanhava o disco estão detalhes sobre a produção, instrumentos e efeitos usados no disco, assim como vídeos em que o artista explica conceitos do projeto como técnica, tradição e intuição. 



9.3.12

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Cinematic Orchestra – O Homem com uma Câmera (2003)

Demorou 70 anos para o clássico russo ‘O Homem com uma Câmera’ ganhar sua trilha mais grooveada e talvez definitiva. Criada nos anos 90 dentro dos escritórios da Ninja Tunes (Kid Koala, Jaga Jazzist, Herbaliser) pelo compositor, DJ e multi-instrumentista Jason Swinscoe, a Cinematic Orchestra tinha acabado de lançar seu primeiro álbum, ‘Motion’, em 1999, quando recebeu convite do Festival Internacional de Cinema do Porto para sonorizar o filme russo de 1929 que deu start ao chamado cinema-verdade. Considerada a película mais famosa de Vertov, diretor preferido de Lênin exatamente por buscar uma linguagem diferente ao cinema ‘burguês’ do americano DW Griffith, ‘O Homem com uma Câmera’ acompanha um dia de trabalho na Rússia só com imagens de pessoas comuns, sem atores ou roteiro. Com cortes, edição e ângulos modernos até para os padrões de hoje, o filme é tão ousado que caiu com uma luva no jazz eletrônico da Cinematic Orchestra de Swinscoe e seu som meio soul, meio dark, com tintas de funk, trip-hop e dowbeat. 

‘Há ritmo e repetição no filme. E isso é fantástico’, disse Swinscoe em entrevista à BBC na apresentação do projeto.

O DVD levou quatro anos para ser lançado, mas o resultado é daqueles raros para se guardar na estante da sala em local à mão bem visível. Para quem gosta de cinema, documentário e música eletrônica, tudo ao mesmo tempo, um prato cheio. Agradou tanto que a Cinematic Orchestra (que, aliás, já esteve por aqui duas vezes, no Tim Festival de 2004, e no Multiplicidade, em 2009) depois saiu em turnê tocando as músicas do filme e acabaria incluindo algumas delas em seus discos posteriores. O DVD de ‘O Homem com uma Câmera’ traz ainda trechos do show da orquestra cinemática em Londres, vídeos com participações especiais de Roots Manuva e Fontella, bastidores dos ensaios e mais um documentário do Channel 4 com o making of. Veja abaixo trecho do show de 2002, no Cargo, Londres.



Budos Band – Budos Band II (2007)

Batizada primeiro como Barbudos Band, a orquestra de afrobeat de NY encurtou o nome mas o som chega cada vez mais longe com turnês de casa cheia pela Europa e elogios de DJs e revistas do mundo inteiro. Por aqui, tem entre seus fãs a cantora Céu que colocou uma música do segundo disco da banda entre seus preferidos em uma playlist dos sons que frequentam seu iPod. A Budos Band tem três discos lançados desde a sua formação, em 2005, todos com o mesmo nome seguido por numeral romano. Eles classificam seu som como afro-soul, mas acho pouco... No caldeirão nervoso da Budos Band, hoje um das principais nomes da gravadora Daptone Records (Sharon Jones, Daktaris, Charles Bradley) tem também ethio-jazz, tintas de blaxploitation, muito funk old-school e um naipe de metais para lembrar os melhores momentos do Africa 70 de Fela Kuti.  

‘Budos Band II’ (ouça na playlist) mantém o climão retro-afro-groove da estreia com pegada nervosa e solos hipnóticos. Só ouvindo para entender o poder contagiante da banda nos discos e principalmente ao vivo. Aliás, tá aí uma banda que já demorou muito para vir ao Brasil. Mas há esperança: nessa semana, saiu a confirmação dos shows do Antibalas, também de NY e da mesma Daptone, em SP e no Abril Pro Rock, em Recife. Com a cena afrobeat pegando fogo nos EUA e Europa – e com cenário econômico ajudando - a tendência é que mais grupos bombados no exterior dêem as caras. Abaixo, a Budos Band em ação tocando 'Origin of a Man', a escolhida na playlist da Céu.




Macaco Bong – Artista Igual Pedreiro (2008) e This is Rolê (2012)

O power trio de Cuiabá Macaco Bong esquenta palhetas e baquetas liberando uma playlist com pré-gravações e versões cruas de 10 músicas do seu segundo disco, ‘This is Rolê’, com lançamento previsto para maio. Depois da estreia avassaladora com a pedrada ‘Artista Igual Pedreiro’, de 2008, escolhido um dos melhores discos do ano pela ‘Rolling Stone’, a banda acabou com três anos de jejum sem lançar faixas inéditas em 2011, com o EP 'Verdão Verdinho'. Se o primeiro disco foi todo instrumental com riffs pesados que lembravam em seus melhores momentos a Jimi Hendrix Experience (ouça na playlist), no EP o Macaco pegou bem mais leve, mas a trégua pelo visto acabou. A expectativa para o segundo álbum é de nova pancadaria roqueira com possibilidade de haver vocalistas convidados em algumas faixas.

Formado em 2004, o Macaco já tocou no SWU e abriu para o System Of a Down, em SP, em 2011. A nova formação estreou agora em fevereiro, no Grito Rock de BH, com o set list já incluindo algumas novas faixas de 'This is Rolê'. Abaixo, 'Amendoim', totalmente Hendrix.





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