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6.7.12
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Ex-Mano Negra, o francês de 51 anos Manu Chao tem hoje o
Mali como segunda casa após atuar como produtor em 'Dimanche a Bamako', disco de 2004 que catapultou o casal de cegos Amadou e Mariam ao posto de uma das maiores estrelas da atual
música africana. E é Chao também a mente por trás do excelente Smod, trio formado no terraço da casa dos malineses, em Bamako, pelo filho Sam Doumbia, com dois amigos de faculdade.
O Smod (iniciais de seus integrantes, Sam,
Mouzy e Ousco) usava o local como quartel general para seus ensaios no mesmo período
de criação de 'Dimanche'. Como Chao também ficava hospedado lá, não demorou
muito a perceber que o filho adolescente de Amadou e Mariam tinha o mesmo DNA musical dos pais. Gostou
tanto do que ouviu que meses depois voltou ao Mali para gravar algumas faixas.
Depois mixou e lançou o disco de estreia atuando também como produtor.
O disco homônimo de 2011 tem 13 músicas, todas cantadas em francês, e
é o primeiro com distribuição internacional. Veja aqui como foi a participação
do Smod no globalFEST, realizado este ano em NY. Leia também entrevista com
Sam no site The Mix, e a excelente conversa no site do jornal inglês Guardian, com Mano Chao, Amadou
e Mariam (atração do
Back2Black, no Rio, em agosto) falando sobre Mali, lembrando a produção de 'Dimanche a Bamako' e do orgulho com o Smod. Abaixo, clipe de 'Fitri Waleya', e para abrir, Manu Chao no violão mandando a clássica 'Djamfa'.
O rude boy Desmond Dekker pode não ter ido tão longe quanto Bob
Marley, mas chegou ao topo das listas de discos mais vendidos na Inglaterra e
EUA antes do conterrâneo gravando para sempre seu nome entre os grandes músicos
da história da Jamaica. Em parceria com o lendário produtor Leslie Kong, Dekker
foi o primeiro a conseguir emplacar um ska como hit internacional e tem pelo
menos duas músicas entre as mais importantes do reggae: ‘You can get it If you
really want’ (também cantada por Jimmy Cliff) e ‘Israelites’, de 1969, sucesso mesmo
com uma letra quase incompreensível cheia de gírias jamaicanas (a abertura, ‘Get up in the morning, slaving for bread, sir’, era muitas vezes cantada, mesmo por
ingleses ou americanos, como ‘Wake up in
the morning, baked beans for breakfast’).
Lançada em 1985, a coletânea ‘Original Reggae Hitsound’, da
clássica Trojan Records, traz todos os grandes sucessos da fase de ouro de Desmond
Dekker ao lado de Kong e com os excelentes The Aces na retaguarda. Estão lá, ‘Pretty Africa’, ‘007 (Shanty
Town)’ e ‘It Mek’. Belíssima voz, groove na medida e instrumental
delicioso.
Veja abaixo 'Israelites', ao vivo, com Dekker no auge da carreira e cercado de figuraços no palco. Essa mesma apresentação está no excelente doc sobre a invasão e influência do reggae/ska na música inglesa. Vale tirar um tempo e assistir inteiro com calma. Imagens de arquivo e entrevistas raríssimas no padrão BBC.
Paulistano da Zona Leste, Rodrigo Campos passou temporada de
dez dias em um hotel de Itapuã, bairro de Salvador, pouco antes de começar a
produção de 'Bahia Fantástica', seu segundo disco após a estreia com o belíssimo
e aclamado 'São Mateus não é um lugar assim tão longe'. Com olhar de cronista,
poesia de rapper, groove de sambista e enorme talento que o colocam entre as
principais revelações da música brasileira, Rodrigo aponta agora para um caminho
diferente em sua trajetória. Seus personagens tão reais em 'São Mateus', em 'Bahia'
surgem oníricos; as letras, antes enormes, estão compactas com estrofes curtas;
e os instrumentos voam longe em direção ao soul e ao afrobeat.
Entre os muitos convidados de Rodrigo Campos (quase todos também com status de produtores do álbum), revelações da nova cena paulistana, como sua mulher, Luisa Maita, o rapper Criolo, a vocalista Juçara Amaral, e um naipe de músicos que inclui Maurício Fleury, Rómulo Fróes, Thiago França e Kiko Dinucci, também parceiros em projetos como o Bixiga 70 e o Sambanzo.
Entre os muitos convidados de Rodrigo Campos (quase todos também com status de produtores do álbum), revelações da nova cena paulistana, como sua mulher, Luisa Maita, o rapper Criolo, a vocalista Juçara Amaral, e um naipe de músicos que inclui Maurício Fleury, Rómulo Fróes, Thiago França e Kiko Dinucci, também parceiros em projetos como o Bixiga 70 e o Sambanzo.
Quer sentir a brisa da 'Bahia Fantástica' de Rodrigo Campos?
Vai direto na playlist em 'Ribeirão', com Criolo. Abaixo, mesma música em belíssima versão 'caseira'.
14.4.11
slystone-trojanreggae-ebotaylor
>> playlist
Sly and the Family Stone – Fresh (1973)Quem saiu naquela noite de 2008 em LA para ver o Los Lobos (os mesmos do filme ‘La Bamba’) acabou presenciando um dos encontros mais surreais e históricos da música nos últimos anos. Era quase fim do show quando o DJ surpreendeu ao chamar ao palco George Clinton e o ícone black dos anos 70 Sly Stone. Aos 69 anos, Clinton tem lançado álbuns regularmente e segue fazendo shows, mas Sly... tinha sumido totalmente dos palcos e fazia raras aparições. Muitos ali devem ter inclusive estranhado ele ainda estar vivo. O autor de clássicos como ‘Everyday people’, ‘Sing a simple song’ e ‘Don't call me nigger, whitey’ subiu ao palco de preto só com chapéu branco que mostrava muito pouco do seu rosto. Demorou até engrenar algumas notas no teclado, cantou poucos versos do hino black ‘I want to take you higher’, desceu do palco e sumiu no meio da pista. E foi isso... a reaparição do líder da lendária Sly and the Family Stone foi tão histórica quanto rápida e angustiante.
Nos anos 80, um Sly muito mais em forma chegou a fazer participações em shows do Funkadelic do mesmo George Clinton. Mas as drogas acabaram o afastando completamente dos palcos. A Family Stone havia acabado no final dos anos 70 já bastante desfalcada e a carreira de Sly desandou totalmente nos anos 80 a partir do seu envolvimento cada vez maior com a cocaína e ele chegou a ser preso em 87. Recluso, pouco aparecia.
Em 2005, de novo voltou aos holofotes ao ganhar uma grande homenagem no Grammy com direito ao primeiro reencontro da Family Stone original desde 1971 e a uma superbanda com estrelas pop que haviam acabado de gravar o álbum tributo ‘Different strokes by different folks’, como The Roots (‘Star). Joss Stone (Family affair) e will.i.am (‘Dance to the music’). Sly mais uma vez surpreendeu ao aparecer com uma jaqueta dourada, óculos escuros enormes e um megacorte moicano loiro. Tocou e cantou pouco, mas ficou em cena por um tempo razoável. No fim, a noite que poderia marcar sua volta triunfal acabou sendo um show no mínimo estranho; os fãs não sabiam se comemoravam o retorno ou se lamentavam sua deterioração. As críticas variaram de ‘bizarro’ aos cruéis ‘podia ter se aposentado’. Elogios, muito poucos. Entre os fãs, clima foi mais de preocupação.
George Clinton, de novo ele, convidou Sly em 2009 para uma participação em seu álbum ‘Gangsters of love’. A música ‘Ain’t not peculiar’, clássico de Marvin Gaye dos anos 60, abriu o disco. Nada bombástico, mas outro recomeço. Clinton disse que Sly seguia compondo e preparava disco novo. De lá para cá, nada.
Para fazer o caminho inverso e rever Sly no auge, fazendo história nos anos 60 e início dos 70 com uma banda multicultural e racial que balançou o mercado americano, enfileirou hits e emplacou pelo menos quatro discos clássicos na história da black music, a dica do blog é o disco ‘Fresh’, sexto álbum e talvez a última obra-prima da banda. Gravado em 1973, tem músicas mais lentas que os petardos de ‘Dance to the music (1968), ‘Stand’ (1969) e ‘There's a riot goin' on’ (1971), mas groove no ponto e fica para sempre no iPod. Basta dizer que o hit é a incomparável ‘If you want me to stay’.
Ska, rocksteady e reggae são para Jamaica quase o mesmo que samba e bossa nova para o Brasil. O ska nasceu primeiro da mistura do jazz americano com o mento e calypso caribenhos nos anos 60 sob clima de euforia após independência do país. O rocksteady veio logo depois na desaceleração do ska fazendo a transição para o reggae. Brothers de sangue, os três ritmos colocaram a Jamaica no mapa da música mundial com lugar de honra entre os países com maior produção de grupos e músicos de talento de todos os tempos. A coletânea da gravadora britânica Trojan resgata hits produzidos na ilha no final dos anos 60 e início dos 70, quando o reggae virou mania mundial a partir do fenômeno Bob Marley. A seleção é de altíssimo nível: de Lee Scratch Perry a Toots and the Maytals, de Upsetters a Slickers, de Dennis Brown a Desmond Decker. Claro, não podia faltar o rei Robert Nesta Marley, aqui tocando ‘Soul shakedown party’. Fundada em 1968 como selo da gigante Island, a Trojan tem nos seus arquivos todos os grandes nomes da música jamaicana e volta e meia empacota clássicos em caixas ou coletâneas especiais. As opções são imensas e o repertório quase sempre certeiro. Vale prestar atenção aos longos solos de metal nas músicas de ska e rocksteady e nas linhas de baixo nos reggaes. Num tempo de CDs ‘ensolarados’, a coletânea da Trojan é aquele solzinho tranqüilo do final de tarde que faz a cabeça.
Ebo Taylor – Love and death (2011) Músico, compositor e produtor ganês reconhecido como uma das maiores estrelas da música africana dos anos 60 e 70, Ebo Taylor ganhou seu primeiro álbum com distribuição internacional somente em 2011 pela gravadora inglesa Strut, a mesma de nomes como Mulatu Astatke, Orquestra Poly-Rythmo, Heliocentrics e Souljazz Orchestra. A redescoberta de Ebo Taylor vem na esteira do sucesso do próprio Mulatu e da nova onda de afrobeat pós-web que invadiu EUA e Europa com Fela Kuti virando influência direta para novas bandas. ‘Love and death’ traz o ganês, agora um senhor de 75 anos, em plena forma e acompanhado da Afrobeat Orchestra, um combo internacional formado especialmente para o disco com integrantes do Poets of Rhythm, Kanu Kanu e conterrâneos do Marijata. No álbum, Ebo toca antigos clássicos em novas versões, como ‘Victory’, e também material inédito, como ‘Kwane’. Em alta na Europa, o músico terá chance de coroar sua volta com uma super apresentação em julho, em Londres, no tradicionalíssimo Barbican. Confira músicas de ‘Love and death’ na playlist e no vídeo o próprio Ebo Taylor lembrando sua história e tocando... muito.
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