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14.6.12
jazz2012-videos
Ambrose Akinmusire, Shamarr Allen, Trombone Shorty... a lista de grandes nomes
da nova geração do jazz que passaram pelo Brasil em 2012 só aumenta. O ano de gala na música instrumental teve também shows antológicos de figurões da velha guarda. Na Virada Cultural de SP, McCoy Tyner e Lou Donaldson se apresentaram na mesma noite, de graça. Em junho, SP e RJ enfileiraram uma sequência histórica de três festivais internacionais de altíssimo nível: Bourbon Festival Paraty, Rio das Ostras Jazz and Blues e o BMW Jazz Festival.
oblogblack saiu à caça de vídeos com grandes momentos dos melhores shows. Se a qualidade das gravações nem sempre é das melhores, vale pelo registro para quem não pode ir e ficou só na fissura lendo as críticas nos jornais. Veja lista completa de todos os festivais de jazz pelo país até final do ano no RJ, SP, MG e RS. Abaixo, solos incendiários em vários palcos. Dá o play, aumenta a tela e sente o som. Para abrir, destaques do BMW Jazz Festival.
Trombone Shorty, no show do Rio
'All Blues', com Chick Corea
Trompetista Shamarr Allen, em Paraty
Jazz rolando no meio da rua, também em Parati
Souljazz clássico estilo Blue Note com Lou Donaldson, na Virada Cultural de SP...
... e gênio do piano McCoy Tyner, na mesma noite
7.6.12
bmwjazzfestival-mixtape#7
BMW Jazz Festival chega ao seu segundo ano com programação
de luxo e nomes de peso entre revelações e velha guarda da música black, além de um novo palco em SP e maior número de atrações no Rio, tudo com assinatura e curadoria da dupla Zuza Homem de Melo e Monique
Gardemberg, ex-Free Jazz e Tim Festival. Se na estreia em 2011 três nomes despontavam como destaques, os saxofonistas Wayne
Shorter e Joshua Redman, e a diva black Sharon Jones, em 2012 está difícil
apontar o melhor dia. Gosta de funk-soul? A escolha então é certeira: Fred
Wesley, Maceo Parker e Pee Wee Wiils, trio responsável por conduzir a banda
mais groove da história, os JBs, de James Brown. O encontro
reeditado pela primeira vez em 2010 após mais de 20 anos de separação acontece
dia 9 (sábado), em SP, na Via Funchal, dia 10 (domingo), na área externa do Auditório Ibirapuera,
de graça, e 12 (terça), no Oi Casa Grande, no Rio.
Outro showzão que promete é o da revelação Trombone Shorty.
Descoberto por Lenny Kravitz ainda adolescente, o músico de Nova Orleans foi
indicado ao Grammy no seu disco de estreia, ‘Backatown’, e já acumula
participações em shows de Jeff Beck, U2 e Norah Jones. Mas se prefere um clima
mais cool em uma noitada clássica de jazz, pode anotar: o pianista Chick Corea,
16 vezes ganhador do Grammy (nada menos que 56 indicações), toca dia 8
(sexta), em SP, e 11 (segunda), no RJ. Corea foi tecladista de Miles Davis
no antológico ‘Bitches Brew’ (ouça na mixtape) e volta ao Brasil ao lado de Stanley Clark
retomando projeto dos anos 70, ‘Return to Forever’.
Outra apresentação
daquelas imperdíveis é a do americano apontado pela DownBeat como grande aposta
do jazz para 2012, Ambrose Akinmusire, só 29 anos e talento para virar um
gigante na história da música black (ouça playlist com faixas do disco 'When the Heart Emerges Glistening'). Aqui, porém, a única crítica para organização: o trompetista só faz show em SP (dia 8, sex) e não vem ao Rio.
Para ajudar na escolha ou entrar no clima, oblogblack
preparou uma mixtape com nove músicas com o top 5 das melhores atrações (serão
ao todo 9 shows em SP, mais dois de graça no Ibirapuera, e seis no Rio). Outros
destaques do BMW Jazz Festival são o saxofonista Charles Llloyd (ex-Cannonball
Adderley, BB King, Howlin' Wolf e Beach Boys), o grupo The Clayton Brothers e a
revelação Ninety Miles. Programação caprichadíssima, só fera e promessa de
shows antológicos.
Confira aqui a programação completa e todas as informações
sobre BMW Jazz Festival. Abaixo, as doze faixas da mixtape.
1 > Fred
Wesley - Breakin' Bread
2 >
Trombone Shorty – Horn Jam
3 >
Miles Davis (Chick Corea) - Miles Runs the Voodoo Down
4 >
Ninety Miles - Nengueleru
5 > Clayton
Brothers - Ultra Sensitive
6 > Fred
Wesley - Damn Right I am Somebody
7 > Trombone
Shorty - Backatown
8 >
Chick Corea, Clarke & White - Light as a Feather
9 > Maceo
Parker And All The King's Men - Doing Their Own Thing
30.3.12
maceo-dirtybeaches-mulligan-baker
>> playlist
Maceo Parker - Roots
Revisited (1990)
Programão imperdível para os fãs do soul-funk de James Brown
que curtem um bailão instrumental de altíssimo nível no palco. Depois de trazer
o fenômeno Sharon Jones junto com os Dap-Kings e o excepcional Wayne Shorter, em
2012, o BMW Jazz Festival confirmou a vinda do saxofonista dos JBs, Maceo
Parker, para apresentação, (somente) em SP, em junho, ao lado dos
parceiríssimos Fred Wesley e Pee Wee Ellis. Idolatrado por seus solos em
petardos black de James Brown, como ‘Papa's Got a Brand New Bag’ e ‘Cold
Sweat’, Maceo Parker teve passagens arrasadoras também pelas bandas dos mitos
George Clinton e Bootsy Collins antes de iniciar uma sólida carreira à frente da sua própria banda. Seus primeiros discos solo são do começo dos anos 70, ainda sob
forte influência do som dos JBs. Mais à frente, Parker experimentou com o jazz,
o hip-hop e até cantou relembrando o início da carreira ao lado de Ray Charles.
‘Roots Revisited’ é de 1990 e marca o reencontro do
saxofonista com os mesmos Fred Wesley e Pee Wee Ellis que virão a São Paulo. Outros
destaques da sua discografia são ‘Southern Exposure’, de 1993, de novo com
Wesley e Ellis, ‘Funk Overload’, de 1998, com versões para clássicos de Sly
Stone e Marvin Gaye, e seu último disco, o duplo ‘Roots and grooves’, de 2007,
dividido em dois, o primeiro um tributo a Ray Charles, o segundo batizado de ‘Back
to funk’, em que ele volta aos tempos de JBs e ao soul-funk-groove anos 70. Sonzeira
instrumental da melhor qualidade com altas doses de jazz.
Dirty Beaches –
Badlands (2011)
Meio trilha de cinema, totalmente hipnótico. De cara, o som
do Dirty Beaches causa uma estranheza, mas provoca, tem um pé no passado
e soa moderno, lo-fi, caseiro, de garagem. Primeiro disco oficial do taiwanês
criado no Canadá, Alex Zhang Hungtai, à frente do projeto Dirty Beaches, ‘Badlands’
está recheado de músicas bizarras que cairiam como uma luva em filmes de David
Lynch ou Gus Van Sant. Tem um pouco de Jesus and
Mary Chain, Velvet Underground e até Elvis. Comparado a nomes da cena de NY dos anos 70, como
Suicide, e também a guitarristas rockabilly como Eddie Cochran e Roy Orbison, o
Dirty Beaches começou lançando suas faixas somente em cassete até fechar a
estreia com ‘Badlands’ na gravadora Zoo Music, de San Diego.
Em 2012, seu nome
correu também o mundo do surfe ao ter uma faixa sua incluída no blog do americano
Dane Reynolds, candidato a campeão mundial, como trilha para uma free-session
no México. A sujeira-roqueira-psicodélica-surreal de ‘Badlands’ vale pela
proposta lo-fi, inusitada e bem longe do mainstream. Não é para um dia de sol, nem para
relaxar. Mas provoca.
The Best of the Gerry Mulligan Quartet with
Chet Baker 1952-57 (2012)
Com pouco mais de 20 anos de idade, Gerry Mulligan e Chet
Baker já chamavam atenção no jazz dos anos 50 não só pelo imenso talento no palco como
solistas, mas também fora dele como compositores. Além disso, eram ainda um dos
poucos músicos brancos em um ritmo totalmente dominado pelo talento e groove
dos negros (Mulligan era descendente de irlandeses, e Baker, o James Dean do
jazz).
Antes de sua fase cool, Chet Baker tocou com Charlie Parker no
mesmo posto que já havia sido ocupado por nomes como Dizzie Gillespie e Miles
Davis - e era abertamente elogiado por Bird. Já Mulligan foi um dos músicos
chave na gravação do clássico ‘Birth of the Cool’, de Miles, de 1950. São de
sua autoria, por exemplo, três clássicos do disco, ‘Jeru’, ‘Rocker’ e ‘Venus de
Milo’.
A caixa com cinco CDs ‘The Best of the Gerry Mulligan
Quartet with Chet Baker’ resgata as primeiras sessões da dupla em formato ‘quarteto
sem piano’, de 1952, e o reencontro em 1957, após a prisão de Mulligan por
posse de drogas. O disco tem ainda gravações com a dupla atuando em quintetos e
até em tentetos, ao lado de cracaços como Lee Konitz, Chico Hamilton e Bud
Shank. Outro achado são as faixas gravadas no Festival de Newport. Em 1955, por
exemplo, Mulligan e Baker dividiram o palco com Clifford Brown, Dave Brubeck e
Paul Desmond. Cool jazz de altíssimo nível em uma daquelas caixas para se
guardar na estante, bem à vista, e sacar no final de tarde ou na madrugada.
31.3.11
fredwesley-skatalites-albarn-céu
>> playlistFred Wesley - Damn right I am somebody (1974)
Skatalites – Stretching out (1987)
Para quem é de SP, anota na agenda. Se não prepara o bolso e reserva o final de semana do dia 16 de abril porque a Virada Cultural paulista desse ano terá pelo menos dois showzaços com nomes de peso e muita história no funk e no ska: nada menos que Fred Wesley e Skatalites de graça em pleno centro de SP. A dica para esquentar são dois superdiscos encharcados de groove: ‘Damn right I am somebody’, de 1974, com Wesley ainda tocando com os JBs, prestes a entrar no Parliament/Funkadelic de George Clinton, desfilando clássicos como ‘Blow your head’ e ‘I’m paying taxes’; e o álbum ‘Stretching Out’, dos Skatalites, o combo instrumental jamaicano criado nos anos 60 que tinha na sua formação original nada menos que os feraças Don Drummond, no trombone, Tommy McCook, no sax, e o incrível Jackie Mittoo no piano, e até hoje é influência direta para grupos de ska, reggae e dubstep. No show em SP, os Skatalites devem ter no palco o baterista Lloyd Knibbs e o saxofonista Lester Sterling, ambos fundadores da banda. Para reforçar o bailão em SP, na sequência da apresentação de Fred Wesley tem mais sonzeira black com Toni Tornado e Dom Salvador + Abolição, e virando a noite, às 6h da matina, o Instrumental Explosion Incendiary Funk. Programação traz ainda Mad Professor e Steel Pulse. Se prepara que o groove black vai ferver. Veja aqui programação completa e entra no clima com a playlist.
Damon Albarn - Mali Music (2003)
Damon Albarn - Mali Music (2003)
Três discos históricos com o Blur nos anos 90 e nos últimos dez anos mais quatro com o Gorilaz, projeto revolucionário com banda virtual formada por desenhos animados. Com esse currículo, Damon Albarn já seria fácil um dos músicos mais influentes da história recente do rock na Inglaterra. Mas pelo visto ele está longe de parar de produzir e multiplica seu talento em projetos paralelos tão diferentes quanto inesperados. São trilhas para filmes, parcerias como no álbum ‘The good, the bad and the queen’, com o baixista Paul Simonon, do Clash, o guitarrista Simon Tong, do The Verve, e o baterista Tony Allen, ex-Fela Kuti; e no excelente e pouco divulgado por aqui ‘Mali Music’, lançado pelo seu próprio selo, o Honest John. A história desse disco de 2003 mostra muito do jeito Albarn de produzir: entrega total, cuidado com os detalhes, criatividade a mil. Convidado pelo projeto inglês Oxfam para uma temporada no Mali, Albarn voltou à Inglaterra com 40h de gravações feitas com músicos como Toumani Diabaté, Lobi Traoré e Sata Doumbia; em Londres, com ajuda do também malinês Afel Bocoum, recriou melodias, enxertou batidas e enviou o resultado de volta à África onde foram adicionados novos vocais e mais instrumentos. O resultado final é uma das mais originais e impactantes fusões musicais África-Europa. Presta atenção na arrebatadora ‘Makelekele’ e sua mistura explosiva de teclado, kora, vocais e beats enlouquecidos.
Céu escolheu uma versão dub de ‘Slave Driver’ de Bob Marley para divulgar seu primeiro álbum em 2006. A cartada era arriscada: com um clássico do mestre do reggae, tinha que fazer bonito, ou seria mais uma na lista de novas revelações femininas da última semana na MPB. Mas a paulistana de 30 anos sabia o que estava fazendo, tem talento de sobra, um charme arrebatador e passou no teste com som cheio de nuances em camadas de barulhinhos e efeitos. ´Céu’, o disco de estreia que inclui ‘Slave Driver’, fez sucesso principalmente fora do Brasil, vendeu 25 mil cópias na Europa e incríveis 100 mil nos EUA. A cantora foi indicada ao Grammy Latino de revelação, não levou, mas desandou a fazer shows no exterior. No perigoso teste do segundo disco, em 2009, Céu fez com ‘Vagarosa’ um trabalho ainda melhor, mais completo. Sem jogo de palavras, é daqueles álbuns para se ouvir devagarinho; ele vai crescendo, melhorando, revelando novos detalhes, climas, atmosferas, MPB moderna no melhor sentido do rótulo. Uma pegada tranqüila, viajante, enfumaçada, viciante.
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