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19.1.12

jazz_groove-mixtape#3



Incrível ver o Centro do Rio com ruas e calçadas lotadas nas apresentações do Nova Lapa Jazz em 2011. Ter Art Blakey, John Coltrane e Lee Morgan como trilha sonora de baladas era algo impensável. Fenômeno parecido explica shows concorridíssimos de bandas como as excelentes Bixiga 70 e Abayomy Afrobeat que apostam em longas sessões instrumentais. O groove com levada black e influências de jazz, soul e afrobeat nunca esteve tão em alta.

'A galera está a fim de dançar. Dá para ver nas festas, as pessoas nem ficam olhando para o palco. É baile mesmo', disse Décio 7, baterista do Bixiga 70, em blog do Estadão.

Para apimentar seus solos, os músicos cada vez mais vão buscar inspiração nos sons vintage, em coletâneas africanas e nos discos de jazz dos anos 60 e 70. E é no afro-soul-jazz que a terceira mixtape do blog foi beber na fonte, só sonzeira das antigas. A maioria das faixas têm assinatura da mais black de todas as gravadoras, a Blue Note Records. Coltrane e Miles Davis, os dois maiores gênios do jazz, abrem a seleção. Depois tem o piano de Nina Simone e Herbie Hancock, os trompetes de Freddie Hubbard e Lee Morgan, o vibrafone viajante de Bobby Hutcherson, e para fechar os guitarristas Grant Green, Kenny Burrell e Wes Montgomery. Ouça, curta e compartilhe.

01 > Miles Davis + John Coltrane - Freddie Freeloader
02 > Nina Simone - African Mailman
03 > Blue Mitchell - Blue Soul
04 > Bobby Hutcherson - Going Down South
05 > Herbie Hancock - Oliloqui Valley
06 > Lee Morgan - Somethin' Cute
07 > Kenny Burrell - Midnight Blue
08 > Grant Green - No. 1 Green Street
09 > Freddie Hubbard - A Soul Experiment
10 > Wes Montgomery - Sun Down

26.11.10

budos-nina-giljorge

>> playlist 
The Budos Band III (2010) 

Grupo de NY é um dos destaques da nova geração que tem bombado o afrobeat nos EUA e Europa com nomes como Daktaris, Antibalas e Nomo. Mais uma revelação da gravadora Daptone Records, a mesma da blackíssima Sharon Jones e da banda Dap-Kings. ‘Budos Band III’ saiu em agosto depois de um intervalo dos integrantes para projetos paralelos. A banda voltou com groove afiado e um afrosoul hipnótico moderno da melhor qualidade. Fela Kuti agradece.



Nina Simone – The Blues (1990) 

Discaço de uma das mais talentosas cantoras de soul-jazz que surgiram depois de Billie Holiday. A coletânea de 1990 foi escolhida a dedo com clássicos como ‘The Pusher’, ‘My man’s gone now’ e ‘Do I move you’, que abre os trabalhos. Grande parte das músicas está no álbum ‘Sings the blues’, de 1967. Na coletânea, porém, o som aparece claro e limpo, o que nem sempre acontece nos relançamentos de Nina Simone. A levada blues, a força das interpretações e o repertório são impecáveis. Perfeito para uma volta de bike no fim de tarde.



Gilberto Gil e Jorge Benjor – Gil e Jorge (1975) 

Nove músicas gravadas em uma sessão mágica de estúdio em 1975 com improvisações longas de altíssimo nível com dois gênios no auge das experimentações. A banda tem só os dois no violão mais percussão e baixo e espaço de sobra para revirar do avesso clássicos como ‘Filhos de Gandhi’ e ‘Taj Mahal', aqui com 8 minutos de duração. A levada meio samba-rock-preguiçoso de ‘Meu Glorioso São Cristovão’ é só o esquenta. Aumenta e deixa rolar tranquilo que só tem sonzeira. É com certeza um dos maiores duetos da MPB de todos os tempos em uma mistura perfeita da pegada groove de Jorge Ben com as melodias afro de Gil. Diz à lenda que o disco foi todo gravado sob efeitos de um tal licor de jurubeba. A música ‘Jurubeba’ tá lá e dá a pista. Se não é jurubeba, sei lá...

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