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21.6.12
drjohn-blackkeys-youssou-benzabo
Dr. John - Locked Down (2012)
Ganhador de cinco Grammys e indicado ao Hall da Fama do Rock, em 2011, Dr. John precisou de um empurrãozinho da neta adolescente para aceitar a proposta de parceria de Dan Auerbach, do estouradíssimo Black Keys. Aos 71 anos, o pianista admitiu depois, ao lançar ‘Locked Down' com o guitarrista 40 anos mais novo, que até então só tinha 'ouvido falar' do grupo de Ohio. Para críticos e fãs, o disco está entre os melhores nos quase 50 anos de carreira de Dr. John. E uma de suas principais virtudes é exatamente o que o produtor famoso pediu logo nos primeiros encontros: queria um álbum no mesmo estilo do clássico 'Gris-Gris, de 1968, álbum de estreia do 'Night Tripper' de Nova Orleans.
Para
apimentar o caldeirão creole de ‘Locked Down’, Auerbach e Dr. John primeiro passaram um dia inteiro ouvindo o pianista etíope Mulatu Astatke. A dupla também se
empanturrou de comida africana criando uma imersão total no ethio-jazz. Antes da gravação, Auerbach fez ainda um último pedido: que Dr.
John trocasse seu piano tradicional por um teclado Farfisa de som
mais funky e psicodélico. Missão dada, discaço já nas prateleiras. Ouça
quatro faixas na playlist, mais duas de 'Gris-Gris'. Para deixar rolar. Pegada
Mulatu nas texturas, guitarra rockeada do Black Keys e psicodelia Mardi Gras.
Youssou N´Dour - Dakar – Kingston (2010)
Youssou N´Dour convocou alguns dos melhores e mais
experientes músicos da Jamaica para prestar tributo ao ídolo Bob Marley em ‘Dakkar-Kingston’,
gravado em 2010 e base para o show do senegalês no Festival de Jazz de Montreux
daquele ano. O disco segue tradição iniciada por nomes como Alpha Blondy e Lucky
Dube de se produzir reggae da melhor qualidade na África, e só não ganhou a
repercussão merecida porque o ex-líder da excelente Super E’tolie de Dakar
poucos meses após o lançamento se lançou candidato à presidência do Senegal.
N'Dour acabou derrotado na eleição, mas não se afastou da política. Em 2012, o músico de 52 anos, um dos africanos mais conhecidos internacionalmente, com parcerias com Bono, Bruce Springsteen, Peter Gabriel e Sting, e um dueto com Neneh Cherry que rendeu o hit '7 Seconds', em 1994, acabou nomeado ministro da Cultura e do Turismo do Senegal.
N'Dour acabou derrotado na eleição, mas não se afastou da política. Em 2012, o músico de 52 anos, um dos africanos mais conhecidos internacionalmente, com parcerias com Bono, Bruce Springsteen, Peter Gabriel e Sting, e um dueto com Neneh Cherry que rendeu o hit '7 Seconds', em 1994, acabou nomeado ministro da Cultura e do Turismo do Senegal.
Gravado em Dakar, Paris e Kingston (no mesmo Tuff Gong onde
Bob Marley produziu seus melhores álbuns), ‘Dakar – Kingston’ traz o cantor senegalês em
plena forma ao lado de nomes consagrados como o tecladista Tyrone Downie, ex-The Wailers e produtor do álbum, e Earl ‘Chinna’ Smith, quase oinipresente em
álbuns de reggae nos anos 70.
Depois de abrir o álbum com ‘Marley’, dividindo os vocais com o jamaicano Mutabaruka, N’Dour desfila ao longo do álbum de treze
faixas (ouça cinco na playlist) clássicos de sua carreira em versão reggae, como 'Medina'
e 'Africa Dream Again', essa ao lado da revelação Ayo. Atenção em ‘Diarr
Diarr’ e sua mistura perfeita do mbalax senegalês com o ritmo jamaicano.
'Muito tempo atrás, quando os escravos deixaram a África, a
música também partiu, por isso quando escutamos música cubana ou reggae, nós
sentimos que essa música é parte de nós', disse.
Veja Youssou N´Dour em três momentos: nos anos 80, cantando 'Get Up, Stand Up', ao lado de Sting, Bruce Springsteen e Tracy Chapman; nos 90, com Neneh Cherry; e abaixo, em 2012, cantando ‘Marley’.
Ben Zabo (2012)
Quase todos os lançamentos internacionais recentes de
afrobeat legitimamente africano são de artistas na casa dos 50 a 70 anos, como
Tony Allen, Oghene Kologbo e Orlando Julius, ou coletâneas com raridades de Thomas Mapfumo, Moussa Doumbia e Marijata. Estreia do cantor e guitarrista Ben Zabo, 33 anos, o disco homônimo recém-lançado pelo selo alemão
Glitterhouse
mostra que o ritmo criado por Fela Kuti nos anos 70 continua se
reinventando na África e traz novos ares à música do Mali, berço
de grandes artistas na Costa Oeste do continente.
Gravado na capital do Mali, Bamako, na República Tcheca e na Eslovênia, ‘Ben Zabo’ tem sete faixas com um afrobeat moderno feito para as pistas quebrando uma fase 'cool-slow' da música malinesa de discos meditativos, quase melancólicos, de artistas como Toumani Diabaté, Ali Farka Toure, Rokia Traore e Salif Keita. É também o primeiro disco gravado no país por um músico da etnia Bo. Por isso, muitas vezes Zabo trata os integrantes de sua banda como ‘guerreiros musicais’.
Gravado na capital do Mali, Bamako, na República Tcheca e na Eslovênia, ‘Ben Zabo’ tem sete faixas com um afrobeat moderno feito para as pistas quebrando uma fase 'cool-slow' da música malinesa de discos meditativos, quase melancólicos, de artistas como Toumani Diabaté, Ali Farka Toure, Rokia Traore e Salif Keita. É também o primeiro disco gravado no país por um músico da etnia Bo. Por isso, muitas vezes Zabo trata os integrantes de sua banda como ‘guerreiros musicais’.
Ex-estudante
de farmácia, Zabo começou na música com assistente
no estúdio Bogolan, em Bamako, onde já gravaram Ali Farka, seu filho
Vieux Farka,
e Salif Keita, até mostrar serviço, impressionar com suas letras e
ritmos, e ganhar oportunidade de montar sua própria banda e lançar disco
na Europa
com apoio de uma gravadora estrangeira.
James Brown é certamente uma das maiores influências, assim com o próprio Fela Kuti, da vizinha Nigéria, além de bandas antigas de afrobeat locais, como Le Super Djata Band du Mali, Super Biton de Segou, Sory Bamba e L'Orchestre Kanaga de Mopti (se gosta de garimpar, anote esses nomes). Ouça aqui todas as músicas do disco em streaming. Abaixo, clipe da faixa de abertura, Wari Vo.
James Brown é certamente uma das maiores influências, assim com o próprio Fela Kuti, da vizinha Nigéria, além de bandas antigas de afrobeat locais, como Le Super Djata Band du Mali, Super Biton de Segou, Sory Bamba e L'Orchestre Kanaga de Mopti (se gosta de garimpar, anote esses nomes). Ouça aqui todas as músicas do disco em streaming. Abaixo, clipe da faixa de abertura, Wari Vo.
18.5.12
kashmerestageband-elmorejames-moussa
>> playlist
Kashmere
Stage Band - Texas Thunder Anthology, 1968 -
1974 (2011)
Final dos anos 60, movimento funk pegando fogo com James
Brown cheio de moral e fama de semideus para negros nos EUA. Tempo de psicodelia, solos incendiários de Jimi Hendrix, improvisações
e misturas de Miles Davis, e jovens black-flower-power pirando
em todos os tipos de arte. Em Houston,
Texas, estado do ex-presidente Bush e na época um dos mais racistas dos EUA, um
professor de música ex-integrante da banda de Count Basie voltava de um show de Ottis Redding quando teve a ideia que mudaria
sua vida: transformar a orquestra da escola formada em sua grande maioria por estudantes
negros de menos de 18 anos em uma bigband de funk. O projeto deu tão certo que
a Kashmere Stage Band ganhou fama em todo país ao ficar praticamente invencível em duelos arrepiando com sets de
funk, soul e jazz. Conrad Prof Johnson
foi diretor, arranjador e compositor do combo que chegou a tocar com quase 30
integrantes antes de encerrar carreira no final dos anos 70. Muitos de seus integrantes então deixaram a música, mas não para sempre.
Em 2003, os discos
da KSB começaram a ser relançados, muitos deles praticamente inéditos, e a fama
da orquestra voltou a se espalhar. O ponto alto, no entanto, aconteceria em
2011 com o documentário 'Thunder Soul',
produzido por Jamie Foxx (de 'Ray'). Premiado
em vários festivais de cinema pelos EUA e Europa, o filme registra o reencontro de Conrad, então
com 92 anos, com sua antiga black band para apresentações impregnadas de groove
e muita emoção. Junto com o doc, a Now Again Records lançou o discaço 'Anthology
– 1968-1974' resgatando gravações originais da banda em seu auge com pegada similar
aos JBs e Funkadelic. Há no álbum ainda versões black para clássicos da música
americana como 'Raphsody in Blue' e 'Take 5'. Se você curte deepfunk, vale
encomendar no site da gravadora (vinil triplo ou CD duplo +DVD). Detalhe: ambos
os combos acompanham livreto caprichadíssimo recheado de fotos e o curta-metragem 'Texas Jewels:
The Making of Texas Thunder Soul', produzido por ninguém menos que o agora
superstar da música eletrônica Flying Lotus.
Veja abaixo trailer de 'Thunder Soul' e
tire a prova. Os garotos tocavam muito. E, no doc, os agora vovôs não perderam
o groove e também quebram geral. Belos solos, improvissos geniais e groove
pesadíssimo.
Elmore James - Whose Muddy Shoes (1960)
Inspiração para músicos como BB
King e Chuck Berry e eleito para o Hall da Fama por sua influência no rock, o
americano do Mississippi Elmore James, rei da slide guitar, já
havia sofrido dois infartos antes da parada cardíaca fatal em 1963, com apenas 45 anos. Logo
depois, roqueiros como Rolling Stones, Cream e Yardbirds colocariam o
blues na
moda jogando luz sobre nomes até então pouco falados que virariam ídolos
de
jovens na Europa e EUA como Muddy Waters e Howlin’ Wolf. Elmore James certamente seria um dos mais celebrados pelos novos fãs.
Disco de 1960,
'Whose
Muddy Shoes' tem músicas de duas sessões, uma gravada no mesmo ano e outra de 1953, ambas com grandes blueseiros na retaguarda como Little
Johnny Jones no
piano, JT Brown no sax tenor e Homesick James acompanhando na guitarra
base.
Estão lá também todos seus clássicos como 'Stormy Monday', famosa depois
em
versões de Eric Claton e Buddy Guy, 'Sun is Shining', 'Talk to
Me Baby', 'Madison Blues', a homônima 'Whose Muddy Shoes', e acima de
todas, 'Dust
My Boom', seu primeiro hit e um dos maiores clásicos do blues de todos
os
tempos.
A música black dos EUA teve grandes guitarristas slide como
Robert
Nighthawk e o excelente Earl Hooker, mas Elmore James de fato merece a
coroa.
Apesar das gravações muitas vezes sem recursos, sobra talento, o
vozeirão é
soberbo e os solos carregados de técnica e sentimento. Para ter sempre à
mão na estante da sala, com um scotch ainda melhor. Veja abaixo 'Stormy Monday' com Clapton.
Moussa Doumbia – Keleya (2007)
Pérola da música africana e ainda pouco conhecido pelo
grande público, o saxofonista Moussa Doumbia morou sua vida quase inteira na
Costa do Marfim, mas nasceu no Mali onde era também conhecido como James,
provavelmente em referência a James Brown, sua grande influência e primeiro
nome a vir a cabeça quando ouvimos petardos gritados, funkeados e psicodélicos
como 'Keleya', nome do seu único disco com distribuioção internacional lançado
em 2007. Moussa trocou o Mali por Abidjan no começo da década de 70 e durante anos se apresentou no Boule Noir, casa de shows de um francês no bairro movimentado
de Treichville. Na época, o fenômeno Fela Kuti ainda não havia
conquistado o país vizinho onde quem dava as cartas era o deepfunk de James
Brown. Perto do Boule Noir ficavam as maiores gravadoras da Costa do Marfim, como a Lido Musique, Sacodis e Saffiedine. Mas os sons envenenados do saxofonista não faziam a cabeça dos produtores locais mais interessados em gravar discos com
influência cubana, então hit na costa oeste africana. Moussa, no entanto,
atraiu atenção da Société Ivoirienne du Disque que havia
acabado de se estabelecer no país com o músico americano Greg Skelton como
diretor artístico. Era a pessoa certa. Com estúdios de gravação e
distribuição razoável, a SID gravou entre 1974 e 1978 o funkão pesado de Moussa, só que o sucesso não veio. Seu nome ganharia destaque bem mais tarde, nos anos 90 anos, a partir
das coletâneas de música africana como a excelente ‘World Psychedelic Classics’,
de 2005.
Lançado em 2007 pelo selo Oriki Productions, 'Keleya' dá um
panorama de toda sua produção nos anos 70. Moussa voltou para França na década de
80, trabalhou em uma loja de discos de salsa, de Richard Dick, e morreu ainda
sem ter seu enorme talento reconhecido. Para deixar rolar e esquentar a pista.
9.2.12
velvet-buddyguywells-konépolyrythmo
>> playlist
The Velvet Underground (1969)
Andy Warhol produzindo, a modelo alemã Nico cantando e Lou Reed e John Cage extrapolando os limites da música fazendo uma mistura experimental, vanguardista e acelerada de rock com poesia. O Velvet Underground fez história nos seus dois primeiros álbuns com músicas que virariam hinos como ‘Heroin’, ‘Venus in Furs’, ‘White Light/White Heat’ e ‘Lady Godiva’. Mas a receita começou a desandar logo após a estreia e Warhol e Nico foram as primeira baixas. Depois, em 1968, o Velvet perderia também John Cage, então desafeto de Reed. Terceiro álbum de estúdio da banda de NY, o homônimo ‘The Velvet Underground’ foi lançado em 1969 surpreendendo com uma fórmula totalmente inesperada: letras reflexivas numa levada calma e relaxada. Coincidência ou não para súbita mudança de rumo, o Velvet teve todos seus amplificadores roubados antes da entrar em estúdio. E de novo fez um disco antológico.
A atitude rock dos tempos de Warhol-Nico-Cage ainda está lá, assim como o clima cool e as letras inspiradas. ‘What Goes On’ e ‘Beginning to See the Light’ são as mais aceleradas, e ‘The Murder Mystery’, com suas colagens de poesias, a mais experimental. Seis das dez faixas são composições de Lou Reed e voltariam anos depois nos seus discos solos, como ‘Candy Says’ e ‘Some Kinda Love’. Outro destaque do álbum é ‘Pale Blue Eyes’, sucesso no Brasil nos anos 90 na voz de Marisa Monte.
Os
quatro discos de estúdio do Velvet foram relançados nos anos 80. Seus integrantes originais voltariam a tocar juntos na década de 90, mas depois de alguns shows pela Europa e um disco ao vivo duplo com 23 músicas, de 1992, a banda se separou após nova briga entre Cale e Reed. A excelente ‘Some Kinda Love’ abre a playlist que tem ainda mais cinco faixas dos dois primeiros álbuns. Abaixo, a clássica 'Heroin', Paris, 1993.
Está lá nos créditos em letras bem miúdas: produtor, Eric Clapton. Blueseiro de carteirinha e fã de longa data de Buddy Guy, o inglês ex-Yardbirds, Cream e Blind Faith já era um dos maiores guitarristas da música mundial quando convenceu Ahmet Ertegun, o todo poderoso da Atlantic Records, a assinar com o guitarrista de Chicago para um disco ao lado do parceiro Junior Wells, ex-gaitista de Muddy Waters. O encontro Clapton e Ertegun aconteceu em 1970, em Paris, logo após show de Guy e Wells abrindo apresentação dos Rolling Stones. Ali mesmo nos camarins, Ertegun concordou, mas deu sua condição: queria Clapton em pessoa como produtor do álbum. 'God' aceitou e ainda ganhou outro mito da música black como engenheiro de som, Tom Dowd, ex-Coltrane, Mingus e Ray Charles. As gravações em Miami aconteceram no mesmo ano, mas sob clima conturbado com seguidas divergências entre Clapton e Ertegun. Por causa disso, ‘Play the Blues’ só seria lançado dois anos depois e com duas músicas extras gravadas em nova jam em NY.
Faixas como ‘T-Bone Shuffle’, ‘My Baby She Left Me’ e ‘Messing with the Kid’ são uma aula do mais puro blues de Chicago com Guy e Wells, então na casa dos 40 anos, tocando como veteranos e totalmente afiados após centenas de shows juntos. Destaque ainda para os solos de sax de A.C. Reed, para Dr. John no piano e, claro, para Clapton fazendo apoio de luxo como guitarra base. ‘Play the Blues’ seria depois relançado em 1992 com encarte e faixas extras do material gravado em Miami. Abaixo, Buddy Guy e Clapton juntos em 1969 e 1987.
Tidiani Koné and Orchestre Poly-Rythmo
Trompetista e saxofonista dos mais inovadores e importantes da África e fundador da melhor orquestra de afro-cuban-jazz do Mali, a Super Rail Band, Tidiani Koné deixou seu país de origem nos anos 70 para fazer história na mítica Orchestre Poly-Rythmo com seus solos incendiários dando aula de como usar os metais no afro-funk. Koné depois voltaria a morar em Bamako sem participar dos shows concorridíssimos da nova fase da Poly-Rythmo (morreu antes sendo homenageado no disco de 2010, Cotonou Club). Nesse álbum raríssimo de apenas duas músicas (vendido em sites de leilão por mais de US$ 200), Koné aparece como band-leader em 20 minutos do mais puro groove. Quem curtiu a excelente coletânea ‘African Scream Contest’, da Analog Africa, vai logo identificar os solos de ‘Djanga Magni’. Mais uma chance para ouvir Tidiani Koné desfilando seu talento com o petardo black em versão estendida. Atenção para cozinha de respeito misturando kora e balafon com guitarra e teclados.
8.12.11
michaelkiwanuka-kokotaylor-funkrobway
>> playlist
Michael Kiwanuka tem só 24 anos e já é apontado como ‘o nome
a se prestar atenção’ em 2012 dentro da cena neo-soul em que já brilham nomes
como Erikah Badu, Joss Stone, Macy Gray
e mais recentemente Mayer Hawthorne. Nascido em Uganda, o músico classudo de
voz tranqüila cresceu em Londres, mas é nos EUA que estão suas raízes musicais
e principais referências. Comparado a nomes clássicos da gravadora Motown, Kiwanuka faz um som simples, tranqüilo, com uma guitarra delicada e
orquestração minimalista. Chamou atenção ao abrir shows para a nova sensação
britânica, Adele (indicada como melhor disco e single de 2011 pela Rolling
Stone), mas com seus três primeiros EPs já mostrou que tem fôlego de sobra para brilhar solo.
Lançado em junho de 2011, ‘Tell me a Tale’ é seu primeiro single. O álbum de estreia, 'Home Again', está previsto para sair em março de 2012 e é aguardado com expectativa tanto pela imprensa quanto pelos fãs. Abaixo, Michael Kiwanuka no Jools Holland.
Lançado em junho de 2011, ‘Tell me a Tale’ é seu primeiro single. O álbum de estreia, 'Home Again', está previsto para sair em março de 2012 e é aguardado com expectativa tanto pela imprensa quanto pelos fãs. Abaixo, Michael Kiwanuka no Jools Holland.
Quando a cantora de voz poderosa e presença de palco
marcante surgiu em Chicago, nos anos 60, o genial Willie Dixon não teve
dúvidas: apadrinhou a novata Koko Taylor produzindo seu primeiro single, ‘Honky
Tonky’, e escreveu para ela o hit que ficaria marcado para sempre como sua marca
registrada, ‘Wang Dang Doodle’. Dixon acertou em cheio. Comparada a
‘shouters’ famosos do blues como Muddy Waters e Hownling Wolf, Koko Taylor (que
ganhou o apelido ainda na infância por causa da paixão por chocolate) construiu
uma carreira sólida seguindo tradição de grandes cantoras como Bessie
Smith, Big Mama Thornton e Memphis Minnie, entrando para história com o inquestionável título
de ‘a rainha do blues de Chicago’.
O disco ‘I Got What It Takes’, de 1975, marca sua estreia
pela gravadora Alligator com repertório pesado que inclui clássicos como ‘Voodoo
Woman’ tocados por um timaço de músicos como os guitarristas Mighty Joe
Young e Sammy Lawhor. O disco seguinte, ‘Queen of the Blues’, segue a
mesma linha com petardos como ‘Queen Bee’ e ‘Come to Mama’ (todas na playlist).
Outro álbum que merece lugar cativo na estante é ‘Royal Blue’, de 2000, esse
cheio de convidados, entre eles estrelas como BB King e Keb´Mo.
Koko Taylor morreu em 2008, aos 80 anos, durante cirurgia para
controlar uma hemorragia no instestino. Apesar da idade, continuava fazendo
até 50 shows por ano. Veja abaixo Koko Taylor em noite de gala, em Chicago, 1991, com Willie Dixon e Buddy Guy.
Mais um tesouro garimpado pelos ingleses da Analog Africa
em Gana,
o disco ‘Funk Rob Way’ foi lançado originalmente, em 1977, em edição de apenas
500 cópias, e até voltar remasterizado ao mercado em 2011 era encontrado apenas em sites de
leilões por preços que podiam chegar a até US$ 1 mil. Para colecionadores
fãs de afro-funk-soul, o investimento era retorno certo. Agora então... são apenas seis
músicas e pouco mais de 32min, todas no bom e velho estilo JBs com referências a Funkadelic e pitadas de afrobeat.
Just One More Time - ROB by Analog Africa
Nascido na capital Accra, Rob Roy Raindorf estudou música em Cotonou, no vizinho Benin, onde teve contato direto com a música de nomes como Black Santiago e Orchestre Poly Rythmo. Na volta a Gana, Rob, também admirador de estrelas soul dos EUA como Otis Reading, James Brown, Wilson Pickett e Ray Charles, formou sua primeira banda ao lado do guitarrista Amponsah Rockson. 'Funk Rob Way', seu disco de estreia, é dessa época.
Por causa de direitos autorais (uma das músicas já havia sido incluída na coletânea Ghana Funk), a nova edição de ‘Funk Rob Way’ teve uma das faixas trocadas em relação ao original. Apesar da formação acadêmica de Rob, Amponsah é responsável pela maioria das composições e arranjos. Afro-funk pegando fogo com piano e guitarras em alta voltagem. Os solos lembram o clássico 'Maggot Brain', do Funkadelic de George Clinton. O frame do vídeo abaixo é a capa do disco relançado pela Analog Africa.
24.11.11
sharonjones-buddyguy-budpowell
>> playlist
Sharon Jones – Soul Time (2011)
Versão feminina do mestre James Brown, o fenômeno Sharon Jones chega ao seu quinto disco fazendo uma limpa no arquivo resgatando músicas sensacionais que não haviam sido lançadas antes em CD. Com onze faixas e apenas uma inédita, ‘New Shoes’, ‘Soul Time’ fica longe de parecer uma daquelas coletâneas caça-níqueis, é muito mais um ajuste de contas para não deixar nenhum clássico guardado no baú. São dez faixas resgatadas de trilhas, coletâneas e singles lado B como os petardos ‘Longer and Stronger’, do filme ‘For Colored Girls’, ‘Inspiration Information’, cover de Shuggie Otis para o projeto Red Hot, e ‘Genuine Part 1 & 2’, de um vinil 45rpm de 2002, que abre o álbum com os sempre excelentes Dap-Kings em altíssima voltagem. Nunca é demais lembrar que o combo da gravadora Daptone, formado por dez músicos de NY, acompanhou também Amy Winehouse em ‘Back to Black’.
Quem viu a passagem do furacão Sharon Jones por Rio e SP, no BMW Jazz Festival, em junho, certamente vai se deliciar com ‘Soul Time’. Para quem não conhece, mais uma chance para ter nos arquivos os petardos funk-soul dessa que é uma das maiores revelações da música black dos últimos anos. Sensacional. Abaixo, Sharon Jones na Amoeba, principal loja de discos dos EUA, na Califórnia.
Idolatrado pelos maiores guitarristas roqueiros da história como Jimi Hendrix, Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan, Buddy Guy continua em plena forma aos 74 anos tanto no palco quanto no estúdio. Em 2010, ganhou seu sexto Grammy com o semi-biográfico ‘Living Proof’, escolhido também pela BBC como melhor disco de blues do ano. Além dos riffs inconfundíveis tirados na clássica guitarra de bolinha branca, o álbum marca ainda o primeiro registro em CD da dobradinha com o mestre BB King na balada ‘Stay Around a Little Longer’. O outro convidado de Buddy Guy é o também guitarrista Santana em ‘Where the Blues Begin’.
Ao longo das doze faixas, o músico da Louisiana criado em Chicago lembra sua trajetória dentro e fora dos palcos sem soar nostálgico ou apelativo, muito pelo contrário (I’m 74 years young / there’s nothing I haven’t done / I’ve drunk wine with kings and The Rolling Stones), passando por todos estilos do blues e lembrando influências como Howlin’ Wolf e Muddy Waters. Veja baixo Buddy Guy em ação dividindo palco com os Stones.
Bud Powell forma com Charlie Parker e Dizzy Gillespie a santíssima trindade do bebop que revolucionou a música black do pós-guerra nos EUA mostrando uma nova forma de se fazer jazz. Pianista nascido em NY, em 1922, Powell surpreendia pela velocidade com que solava com a mão direita, mas sua grande revolução foi criar uma nova técnica usada até hoje ao liberar de vez a mão esquerda para acordes. Os adjetivos ‘amazing’ e ‘genious’ que dão nome aos seus dois principais discos (‘The Amazing Bud Powell’ e ‘The Genious of Bud Powell’) podem soar pretensiosos, exagerados, narcisistas – na verdade, dificilmente foram ideias do próprio – mas se encaixam perfeito com seu estilo.
Powell conseguiu manter uma forma exuberante mesmo após agressão na cabeça sofrida durante confrontos com policiais em protesto contra racismo em 1944. Sofrendo sempre com dores de cabeça e passando por tratamentos pesados que incluíam até choques elétricos, o músico criou álbuns antológicos ao lado de figuras centrais do jazz como Fats Navarro, Sonny Rollins e Max Roach (todas essas parcerias estão incluídas na playlist). Clássicos como ‘Un Poco Loco’ e ‘Hallucinations’, standards do jazz gravados por ele, refletem um pouco os problemas enfrentados por Powell após a agressão.
Bud Powell morreu cedo, aos 44 anos, em 1966, logo após uma temporada de cinco anos em Paris. É um dos grandes nomes do jazz de todos os tempos, certamente um dos quatro maiores pianistas da história ao lado de Duke Ellington, Oscar Peterson e do amigo Thelonious Monk (foto), e influência direta para músicos da geração seguinte, como Bill Evans e McCoy Tyner. Abaixo, Powell tocando 'Round Midnight', de Monk, e 'Blues in The Closet', em Paris.
30.9.11
rycooder-polarbear-orchestrebaobab
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Ry Cooder – Pull up some dust and sit down (2011)
Ry Cooder começou carreira nos anos 60 tocando blues com Taj Mahal, participou de gravações clássicas do rock, como ‘Let it Bleed e’ Sticky Fingers’, com os Stones, produziu trilhas para filmes como ‘Paris, Texas’ e ‘Crossroads', ganhou três prêmios Grammy e foi número 8 na lista da Rolling Stone dos melhores guitarristas de todos os tempos em 2009 (à frente de nomes como Jimmy Page e Keith Richards). Mas não adianta: nada se compara à projeção internacional que ele ganhou em 1997 à frente do projeto ‘Buena Vista Social Club’ – disco que depois viraria documentário de Wim Wenders e entraria na história como um dos maiores fenômenos da world music.
Depois da parceria com mestres cubanos como Compay Segundo, Ibrahim Ferrer e Rubén González, Ry Cooder não parou, mas está longe de ser uma estrela ou freqüentar as páginas de jornais e sites. Isso até lançar em agosto ‘Pull up some dust and sit down’. O álbum de 14 músicas passeia por todo arsenal musical de Cooder com toques de blues, country e rock, estilos que o consagraram no início da sua trajetória como guitarrista. É acima de tudo um disco de protesto - irônico e sofisticado - contra a economia, a política anti-imigração e a falta de oportunidades nos EUA. Cooder chega ao ponto de pedir ‘John Lee Hooker for president’. A plataforma? ‘One bourbon, one scotch, one beer/Three times a day’. Claro, não vai repetir o sucesso do ‘Buena Vista’, mas já é muito bom ver Cooder de novo nos cadernos de cultura e seu disco com cotações entre 'muito bom' e 'ótimo'.
Veja abaixo o guitarrista de LA em três tempos: com Ali Farka Touré (quando ganhou um de seus três prêmios Grammy), no Buena Vista e no clipe de ‘Pull Up’, um clipe-doc-manifesto-petardo-rock'n'roll.
Polar Bear – Peepers (2010)
O quinteto Polar Bear extrapolou os limites do jazz experimental para virar hoje uma das bandas instrumentais mais faladas - e elogiadas – do Reino Unido. Liderado pelo baterista e compositor Sebastian Rochford (que chegou a ser cotado para ser novo parceiro de Pete Dohery, ex-Libertines, e chama atenção de cara pela enorme cabeleira black), o grupo formado na Escócia tem apenas oito anos de vida, mas já acumula quatro discos e indicações para prêmios britânicos de peso, como os da BBC, da revista Jazzwise e o Mercury.
Lançado em 2010, ‘Peppers’ abre com ‘Happy for you’ e vai ganhando peso ao longo de suas doze faixas até aterrissar no clima sombrio de ‘The love didn’t go anywhere’. A facilidade para variar atmosferas e passear por ritmos como jazz, funk e até drum'n'bass é uma das características marcantes da banda. Veja no vídeo abaixo o Polar Bear no ‘Late show with Jools Holland’. Detalhe para a formação pouco usual com dois saxofones tenores à frente no palco (Pete Wareham e Mark Lockheart). O baixo é de Tom Herbert e as batidas e texturas eletrônicas ficam com Leafcutter John. Gosta de Bad Plus? Polar Bear segue a mesma trilha. Se der, ouça com fone.
Orchestra Baobab – Made in Dakar (2007)
Quase quinze anos sem gravar fizeram o guitarrista e líder da Orchestra Baobab ficar tão enferrujado que ele chegou a pensar em desistir. Isso depois de duas décadas à frente da melhor banda instrumental do Senegal e uma das mais famosas da África ocidental durante os anos 70 e 80. 'Achei que não fosse conseguir, meus dedos simplesmente não acompanhavam', lembrou o togolês Barthelemy Attisso ao lançar ‘Specialist in All Styles’, em 2002, o Buena Vista Social Club da África.
Com influências que variam de Hendrix e Cream a Beatles e Ray Charles, Attisso liderou a Baobab até 1987. A banda havia sobrevivido, em 1979, ao fechamento do Baobab, em Dakar, clube homônimo que batizou o combo e foi uma segunda casa para seus músicos. Mas o sucesso do Mbalax, ritmo que tomou o Senegal em meados dos anos 80 e do qual o hoje popstar Youssou N'Dour era uma das estrelas, acabou sendo fulminante. ‘Decidimos não seguir a moda’, admitiu Attisso. ‘Isso significou o nosso declínio gradual, mas aceitamos para proteger nossa originalidade’.
Por ironia, o próprio Youssou N'Dour acabou virando nos anos 90 um dos grandes incentivadores da volta da Baobab. Outro que comprou a ideia de tirar a banda do ostracismo foi o produtor Nick Gold, da gravadora World Circuit, um dos mentores do Buena Vista em parceria com Ry Cooder. Gold já havia tentado resgatar a Baobab, em 1989, ao reeditar ‘Pirates Choice’, de 1982. Não deu certo. Em 2001, repetiu a dose com canções extras e dessa vez o disco explodiu rendendo convite para uma apresentação histórica no Barbican, em Londres. De lá para cá, a Baobab não parou mais.
Lançado em 2007, ‘Made in Dakar’ é o terceiro disco dessa segunda fase. Com participação especial de Santana no clássico da Baobab ‘Nijaay’, a banda continua fazendo um som eclético com forte influência da salsa, rumba e ritmos caribenhos. Mas os melhores momentos do álbum são os solos de guitarra e sax com pegada jazz ou quando a percussão acelera chegando próximo ao ska jamaicano. É aí que a Baobab vai fundo no groove provando que ainda é uma das melhores orquestras não só da África como do mundo. Tire a prova abaixo no documentário ‘Trey and Dave go to Africa’, exibido em 2003, no VH1 (Dave no caso é Dave Matthews). Na playlist, vai direto em Nijaay, com Santana.
24.6.11
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London Afrobeat Collective – L.A.C. (2010) Com três anos de estrada puxando a cena black inglesa e pouco mais de seis meses após seu álbum de estreia, o elogiado L.A.C., a London Afrobeat Collective se prepara para o seu show mais importante: fechar amanhã, dia 25, a programação do palco West Holt no tradicionalíssimo Festival de Glastonbury, na Inglaterra. Para sentir o peso da responsabilidade, basta dizer que no mesmo local tocam Janelle Monae, que passou por aqui abrindo para Amy Winehouse, Heliocentrics, Mulatu Astatke, Cee Lo Green, Kool & the Gang e Hidden Orchestra.
Combo formado por doze músicos de várias partes do mundo, de Zanzibar a Lagos e Los Angeles, a L.A.C. tem entre seus admiradores pesos pesados da black music, com alguns inclusive eles já dividiram o palco, como o tecladista do Egypt 80, de Fela Kuti, Dele Sosimi. O primeiro disco da banda saiu em setembro com participações nos vocais de três nigerianos: Wale Ojo, Dele Sosimi (Femi Kuti) e Inemo Samiama (Ray Lema, Tony Allen). Mas é no instrumental que o groove da banda pega pesado. Ouça o disco completo no site (atenção nos solos na parte final de ‘So Much Trouble', primeira música); e veja abaixo trecho de show em Londres.
Son House - The Original Delta Blues (1998)
Charley Patton - Founder of the Delta Blues (1969)
'Juke joint' é aquele bar clássico de filme americano da década de 30 com muito blues, dança, fumaça, pôquer, uma versão gringa do nosso boteco com roda de samba. Foi nesse cenário ‘whysky and women’ que surgiram as primeiras grandes estrelas do Delta do Mississipi: Son House e Charley Patton, ambos influência direta para Robert Johnson e toda geração blueseira de Howlin’ Wolf, John Lee Hooker e Muddy Waters.
A dupla reinou absoluta nos bares do Sul dos Estados Unidos com estilos bem diferentes. Son House, que para muitos é o autor da lenda sobre o pacto com diabo de Robert Johnson, era alto, magro, estilo low-profile, mas intenso no palco; já Patton foi talvez o primeiro guitarrista showman da música, era baixo, falante, engraçado, cheio de poses, com presença de palco fortíssima – só que teve carreira curta, morreu em 1934, aos 43 anos. Son House foi até os 86 anos, regravou clássicos, tocou no Newport Folk Festival, no Carnegie Hall e virou ídolo de novo nos anos 60.
Robert Johnson é até hoje o nome mais forte dessa primeira grande geração do blues americano, influência assumida de guitarristas como Eric Clapton e Keith Richards. Mas vale muito também dar uma garimpada e buscar discos de seus contemporâneos House-Patton é só porta de entrada. Tem Willie Brown, Skip James, Bukka White... para inspirar a pesquisa veja abaixo trecho do belíssimo documentário ‘The Blues’, de Scorsese, de 2003 (que tem versão CD também). Imagens raras e sonzeira totalmente roots.
Furar o bloqueio mainstream do rock no Brasil não é tarefa das mais simples e quando aparece alguma banda fora do eixo fazendo shows no Rio e São Paulo é para se prestar atenção. Surgiram assim nos últimos anos os excelentes Vanguart (Cuiabá), Cidadão Instigado (Ceará), Macaco Bong (MT) e Móveis Coloniais de Acaju (DF), mas quando um grupo novo se define como ‘instrumental-psicodélico-afrobeat’, aí sim temos que bater palma, correr atrás e conferir o som. Quarteto de João Pessoa, o Burro Morto ainda conseguiu ir além: fez um disco que serve como roteiro de um filme. Ousado, diferente e, o mais importante, muito competente.
Entrando no clima, podemos dizer que o roteiro do disco fala sobre uma terra onde as pessoas só trabalham. A virada na trama (e no CD) acontece quando o tal Baptista desmaia e sonha com amor, alegria, arte... daí surgem grooves, improvisações e melodias que colocam o disco do Burro Morto na leva dos melhores lançamentos do ano até agora. O álbum, que já vazou na internet (a banda, aliás, fez questão de divulgar) tem participação de Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, e virá acompanhado do DVD com o filme.
Quem já viu as apresentações em SP avisa que a banda tem tudo para ganhar público cativo. Na playlist tem também músicas do EP ‘Varadouro’ + petardos de Macaco Bong e Vanguart.
Abaixo, Burro Morto tocando clássico de Fela Kuti no Sesc Pompeia; e pauleira 'Amendoim' com Macaco Bong em vídeo no esquema colaborativo.
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