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17.11.12
anikulapo-oblogblack-segundocaderno
ela Kuti, o rei do afrobeat sob um olhar brasileiro
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/fela-kuti-rei-do-afrobeat-sob-um-olhar-brasileiro-6743044#ixzz2CVX5QxGC
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
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Filho mais novo de Fela Kuti, o “black president” criador do afrobeat, Seun Kuti esteve três vezes no Brasil - a última em 2012, na Virada Cultural de SP-, sempre honrando com sobras o DNA real de um dos maiores músicos africanos da História. Em 2010, durante o Back2Black, no Rio, o documentarista, DJ e produtor Pedro Rajão fez de tudo para entrevistar Seun nos bastidores da Estação Leopoldina. Não só conseguiu como passou dois dias inteiros com sua banda, a Egypt 80 (formada quase toda por ex-músicos do pai) e ainda ganhou a confiança do nigeriano, que virou apoiador decisivo para seu projeto: produzir o primeiro documentário brasileiro sobre Fela Kuti, “Anikulapo”.
- Consegui a credencial para o show, mas na hora quase fui barrado. Conversei com Seun no camarim, mostrei que minha pesquisa era contundente e expliquei que minha ideia era ir para a Nigéria — lembra Rajão.
O encontro com Seun foi o ponto de partida para uma série de entrevistas com músicos africanos que passaram pelo Brasil nos dois anos seguintes, entre eles figuras-chave na carreira de Fela, como Tony Allen (grande parceiro e criador da batida do afrobeat), Femi Kuti (irmão de Seun), Mulatu Astatke (gênio do ethio-jazz) e Antibalas (grupo de NY representantes da nova cena black de NY).
Entre os brasileiros influenciados pelo groove de Fela, Rajão já acumula uma extensa lista de entrevistados ilustres, passando por Gilberto Gil, Criolo, BNegão, Mr. Catra e Letieres Leite; e vários especialistas, inclusive o mais importante deles, Carlos Moore, amigo pessoal e único biógrafo autorizado. Mas falta ainda a cereja do bolo para o documentarista considerar completo o que ele chama, por enquanto, de sua “afro-anarquia audiovisual”: embarcar para Lagos, capital da Nigéria.
Na África, Rajão planeja conhecer de perto todos os locais que fazem parte da história do afrobeat, como o Shrine (antigo local onde aconteciam os shows de Fela, que deu lugar ao New Shrine, administrado por Femi) e Kalakuta, a república símbolo de resistência contra ditadura nigeriana onde o saxofonista morou com suas 27 esposas.
- Comecei a coletar as entrevistas sem maiores pretensões, e quando vi já tinha um material enorme e um roteiro claro — explica Rajão, que investiu do próprio bolso R$ 4 mil, entre cachês e passagens, para filmar shows e festas em cidades como SP, BH, Olinda e Salvador. - Duas entrevistas me marcaram muito. Com Carlos Moore, eu quase não fiz perguntas, sua fala foi carregada de emoção, precisão e muito conhecimento de causa. Já o Gil me recebeu tocando uma música linda no violão, falou sorridente sobre a experiência com Fela na Nigéria, sua formação musical e a negritude no Brasil.
Batizado com o sobrenome inspirado em um rei nigeriano que Fela passou a usar no lugar do original, Ransome, a partir de 1977, “Anikulapo” já tem teaser com trechos material de mais de 40 horas de gravação. Para viabilizar o último passo do projeto antes da edição final, Rajão inscreveu o documentário no site de financiamento coletivo Catarse, com uma série de prêmios para os apoiadores, como ingressos para a festa-show de lançamento, agradecimentos no filme, cartazes e discos trazidos da Nigéria.
- Meu foco é a música, mas é inevitável abordar também sua luta política. Fela bateu de frente com todas as estruturas políticas, religiosas, culturais, atacou companhias de petróleo, de luz, gravadoras, quase tudo e todos. E mesmo assim, com seu trabalho censurado, Kalakuta invadida, preso mais de 200 vezes, teve pulso pra continuar gravando e fazendo shows sem escrúpulos ou metáforas. A veemência de Fela e a ideia de que jamais seria exilado da Nigéria fazem dele um ícone de resistência política que tinha na música seu principal veículo - diz.
O período de contribuições para “Anikulapo” no Catarse termina no próximo dia 27. Por enquanto, o projeto já tem mais 60 apoiadores, entre fãs de Fela, DJs, pesquisadores e amantes de afrobeat. No Facebook, a página se aproxima de mil curtidas, mas Rajão corre contra o tempo, pois até agora só arrecadou 20% do custo total de R$ 27 mil. Se tudo der certo, ele viaja no final do ano para a Nigéria. A verba do Catarse será usada nas passagens e custos de produção local, e a equipe deve ficar hospedada na casa do próprio Seun.
Produzido em 1982, “Music is the weapon” é até hoje o projeto para cinema mais famoso e completo sobre o criador do afrobeat. Dirigido por Jean-Jacques Flori e Stephane Tchalgadjieff, o documentário mostra uma longa entrevista com Fela em Kalakuta e trechos de seus shows catárticos. Além de “Anikulapo”, o músico, compositor e multi-instrumentista nigeriano está prestes a ganhar mais um filme, “Fela”, com direção de Steve McQueen, londrino que chamou atenção em 2009 em festivais internacionais com “Hunger”.
A expectativa é que o longa de McQueen possa repetir o sucesso do musical “Fela”, produzido em 2010 pela dupla Will Smith e Jay-Z, ganhador de três prêmios Tony após mais de um ano na Broadway. No Brasil, o projeto mais contundente até agora sobre Fela Kuti foi o livro de Carlos Moore, “Fela: Esta vida puta”.
Fela Kuti nasceu em uma família de classe média na cidade de Abeokuta, norte de Lagos. A mãe era militante feminista (uma das primeiras mulheres a dirigir um carro no país) e o pai, pastor protestante que virou liderança entre professores. Com discografia de quase 50 álbuns, Fela misturou ritmos africanos com o jazz e o funk de James Brown para criar o afrobeat. Morou nos EUA e Inglaterra, mas fez questão de voltar à Nigéria para nunca mais sair.
Desde a década de 90, a obra de Fela começou a ser redescoberta, inspirando o nascimento de uma nova cena afro, primeiro em Nova York, com bandas como Antibalas, Daktaris e Budos Band, e depois na Europa, Austrália, até chegar com força ao Brasil. Grupos como Bixiga 70, em São Paulo, e Abayomy, no Rio, já têm público fiel. Com roteiro em fase de produção, Rajão já reservou espaço para falar sobre o novo afrobeat e sobre bandas como André Sampaio e Afromandingas (RJ) e Burro Morro (PB).
- Os músicos, DJs e festas que reverenciam Fela fazem parte de um movimento espontâneo que confirma a tese do Carlos Moore e também a do filme de que o Brasil será a próxima capital mundial do afrobeat.
“Anikulapo” deve ser lançado no final de 2013, com festa e show. E, muito provavelmente, com a quarta viagem de Seun Kuti ao Brasil.
Strut lança 'Fela Kuti – Live in Detroit 1986' (2012)
23.3.12
raulseixas-bibitanga-felakuti
>> playlist
Raul Seixas – Sessão das Dez (1971)
Figuraço, talentosíssimo, desbravador, revolucionário, controverso. Personagem dos mais ricos e surpreendentes da música
brasileira, o baiano Raul Seixas morreu em 1989, aos 45 anos, deixando mais de 400 músicas e 30
discos. Tem tantas histórias que cada álbum seu daria facilmente um filme.
Na semana em que a dupla Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel estreia nas salas de
cinema ‘O Início, o Fim e o Meio’, documentário sobre vida e carreira de Raul, com enorme material
de arquivo e imagens raríssimas de programas de TV e vídeos de família, o blog entra no clima e também
toca Raul escolhendo um de seus álbuns mais cultuados e menos conhecidos.
Sempre ouvi dizer que ‘Sessão das Dez’, de 1971, havia sido
feito escondido enquanto produtores da multinacional CBS viajavam. Mas matéria
excelente de João Pimentel, do Globo, de 2010 (quando o disco foi relançado
pela Sony) desmentiu o mito ouvindo o único personagem ainda vivo entre os quatro
autores do disco: o baiano Edy Star, que desde 1982 mora em Madri (Sérgio Sampaio
e Míriam Batucada morreram em 1994).
- As gravações duraram 15 dias, com hora marcada no estúdio
e anuência do diretor artístico da CBS. Recordo as tardes de reuniões para
compor, e que todas as minhas músicas foram riscadas pela Censura Federal,
disse Star na matéria do Globo.
Apresentado no início pela autoproclamada Sociedade da
Grã-Ordem Kavernista como ‘o maior espetáculo da terra’, o disco de doze
músicas, a maioria precedida por vinhetas irônicas (‘tem um hippie em pé no meu
portão’ ou ‘eu comprei uma televisão, à prestação’), ‘Sessão das Dez’, de fato,
não agradou à gravadora. Muito menos à censura. Também não fez sucesso com o
público e nem show de lançamento teve. Mas em 2010 o disco foi reeditado pelo jornalista
e produtor Rodrigo Faour, já como um dos álbuns mais cultuados e adorados pelos
fãs que querem ir mais fundo na obra de Raul e não se contentam com os clássicos
de sempre das coletâneas e tributos.
A dupla Sampaio e Seixas assina e canta a maioria das
músicas. Edy e Miriam são autores e vocalistas em duas faixas (ela nas excelentes ‘Chorinho Inconsequente’ e ‘Soul Tabaroa’, a única composta por alguém de fora
do quarteto, Antonio Carlos Jocafi). ‘Sessão
das Dez’ é daqueles discos para se ouvir inteiro, de preferência na ordem em
que as faixas foram gravadas. E tem algumas joias, como ‘Eu vou botar para
ferver’, ‘Todo mundo está feliz’ e ‘Aos trancos e barrancos’.
- Vejo no disco uma influência do ‘Tropicália’, de 1968.
Mais caótico, sem objetivos intelectuais, mas centrado na crítica ao movimento
hippie, ao desbundismo, ao conformismo, afirma Rodrigo.
‘Sessão das Dez’ é tão clássico que está inteirinho na playlist.
Veja abaixo trechos do documentário de Walter Carvalho e
Evaldo Mocarzel. Entre os amigos de Raul, estão Paulo Coelho, principal
parceiro e por ano desafeto; além de Caetano Veloso, Tom Zé, Zé Ramalho,
Pedro Bial e Roberto Menescal, entre outros.
Programão certo para colocar na
agenda: assistir ao documentário esquentando com o disco. Toca a playlist e vai ver
Raul!
Bibi Tanga & The Selenites – Dunya (2010)
Ayo é de origem nigeriana, nasceu na Alemanha, morou em
Londres e Paris. De Uganda, Jaqee se destacou na Suécia, foi para Berlin e lançou
disco na França. Já Nneka e Asa vieram da Nigéria para explodir na Alemanha.
Debate polêmico que mobiliza esquerda e direita na Europa, a forte imigração africana ajudou também a transformar a música no continente nos últimos anos com um nova leva
de artistas que apostam na mistura de soul, funk, reggae e hip-hop para chegar
ao topo nas listas das músicas mais tocadas com um som grooveado cheio de
referências black.
Bibi Tanga é mais um nome para se prestar atenção. Filho de
imigrantes da República Centro-Africana, criado entre os subúrbios de Paris e
bairros da margem sul do Rio Sena, o cantor, produtor e baixista mistura Curtis
Mayfield com Sly and the Family Stone, mas sua principal fonte é o afro-futurismo
de Sun Ra e a levada funky de George Clinton. ‘Dunya’ é seu
terceiro disco, mas o primeiro tocando com os Selenites e o dj Professeur
Inlassable. Com letras e rimas feitas em inglês e em sango, seu som tem momentos
chill-out e outros mais dançantes, alguns inspiradíssimos, outros que deslizam
demais para o pop. Mas vale ficar de olho. A proposta de misturar p-funk com
raízes afro, soul e hip-hop, é um achado. Na playlist, as melhores de ‘Dunia’. Sequência
começa com uma que já tem lugar cativo na playlist das festas: ‘Red Wine’, abaixo ao vivo em programa na TV francesa.
Fela – Live in Detroit 1986 (2012)
Fela Kuti e sua república de Kalakuta sempre foram inimigos
declarados dos ditadores que passaram pela Nigéria. Tony Allen, Pax Nicholas,
Oghene Kologbo, todos ex-integrantes das bandas de Fela, buscaram refúgio na Europa
durante os anos 70 e 80, e alguns dos seus músicos não voltaram deixando o Africa 70 ou o Egypt 80. O criador do afrobeat perdeu sua
mãe, de 82 anos, durante a pior das invasões a Kalakuta pelos soldados do
governo, em 1977. Depois, foi morar em Gana, exilado, mas sempre que podia retornava
a Lagos. Foi assim quando o país viveu relativa paz entre 1980 e 1983. Nesse ano, porém, a Nigéria de novo voltou a viver período de intensa repressão e Fela
acabou condenado a uma década de prisão. Só conseguiu sua liberdade após intensa pressão
da Anistia Internacional.
Com lançamento previsto para maio, pela Strut (em cd duplo ou vinil quádruplo), ‘Live in Detroit’ foi gravado em 1986 em uma das primeiras apresentações de Fela após o período na prisão. Mostra o nigeriano de novo afiadíssimo
no palco. Se nos álbuns de estúdio as faixas já costumam ser longuíssimas, no disco ao vivo elas
ultrapassam sempre os 25min chegando a 40min em ‘Confusion Break
Bones’. Além dessa, o 'Live in Detroit' tem ainda o clássico ‘Teacher dont Teach me Nonsense’,
e duas que não estão entre seus maiores sucesso, ‘Just Like That’ e ‘Beats of
no Nation’, mas que no palco e com o
público incendiado crescem demais. Sempre ótima notícia um disco de inéditas de
Fela Kuti. Veja abaixo trecho do show de 1984, em Glastonbury, já com o filho Femi Kuti tocando sax.
11.11.11
afrobeat-mixtape#1
Disco de estreia do Bixiga 70, bigband revelação de SP, é inspiração para primeira mixtape do blog com 12 faixas de álbuns de afrobeat recém lançados que merecem lugar cativo no iPod. Os franceses do Fanga abrem a sequência com Tony Allen como convidado. Tem ainda a nova do Tinariwen, o projeto coletivo de Damon Albarn, ex-Blur e Gorilaz, gravado no Congo, e mais Budos Band, Vieux Farka Toure e algumas raridades clássicas dos anos 60 e 70, de K.Frimpong a Mulatu Astatke e Orchestre Poly-Rythmo. Ouça, curta e compartilhe.
01 > Fanga - Crache La Douleur Feat. Tony Allen
02 > Bixiga70 - Luz Vermelha
03 > Budos Band - Hidden Hand
04 > Tinariwen - Amassakoul 'N' Tenere
05 > Shaolin Afronauts - Kilimanjaro
06 > Damon Albarn DRC Music - Customs
07 > Mulatu Astatke - Emnete
08 > K. Frimpong - Aboagyewaa
09 > Fela Kuti - Colonial mentality
10> Vieux Farka Toure Feat. Soulive - Watch Out
11 > Poly-Rythmo - Se Tche We Djo Mon
12 > Souljazz Orchestra - Agbara
3.6.11
paxnicholas-leemorgan-pedromiranda
>> playlist
Pax Nicholas - Na teef know de road of teef (1973)
Nascido em Gana, na capital Accra, mas com carreira toda feita na Nigéria e depois na Alemanha, o percussionista Pax Nicholas foi integrante da banda Africa 70 de Fela Kuti, tocou e cantou em discos clássicos como ‘Shakara’ e ‘Zombie’, mas queria mais. Percussionista de mão cheia, segundo vocal em várias músicas de Fela, Pax gravou em 1971 seu primeiro disco solo, ‘Mind your business’. Fela não se opôs. Dois anos depois, foi mais longe e decidiu fazer um novo álbum, só que dessa vez acompanhado por músicos da própria África 70 – e o pior, sem Fela saber.
‘Era um disco top secret mesmo’, reconheceu depois. ‘Quando colocamos o disco em Kalakuta (república-comunidade de músicos e mulheres de Fela ‘governada’ pelo rei do afrobeat e alvo de várias invasões do governo nigeriano) as pessoas adoraram, dançaram. Mas quando Fela chegou, pediu para o DJ parar a música e nunca mais tocar o disco’. Resultado: o álbum ‘Na teef know de road of teef’ ficaria 30 anos praticamente inédito, não só na Nigéria, mas em todo mundo.
Redescoberto pelo DJ Frank Gossner e relançado em 2009 pela Daptone Records, o vinil é uma daquelas pérolas obrigatórias para os amantes da black music, capaz de rivalizar até com as pedradas do mestre Fela Kuti. São apenas quatro músicas em 32 minutos do mais puro afrobeat psicodélico. Justiça seja feita, letras e metais não se comparam aos clássicos de Fela, mas o peso da percussão, do baixo e do groove é para bombar qualquer noitada.
Cansado da pressão do governo contra o ‘estado alternativo’ de Fela dentro da Nigéria, Pax deixou o África 70 em 1978. Aproveitou a viagem para o Festival de Jazz de Berlin e ficou por lá mesmo. No mesmo ano, outra baixa de peso: o baterista Tony Allen decidiu morar em Paris.Pax Nicholas hoje toca na Alemanha o projeto de afrobeat Ridimtatksi com outros músicos de países da costa oeste da África. Já dividiu palco também com o duo indie Tarwater, com o produtor de sons eletrônicos Jimi Tenor e com a atual sensação da Daptone Records Sharon Jones. Ouça na playlist ‘Na teef know de road of teef’ completo. Abaixo tem o último show de Pax com o Africa 70, em Berlim, e o Fela Day no Rio.
Lee Morgan – The Sidewinder (1963)
Trompetista prodígio do hard-bop, Lee Morgan teve carreira meteórica: começou com Dizzy Gillespie aos 18 anos, passou para os Jazz Messengers de Art Blakey, participou como sideman de sessões que entrariam para história do jazz como ‘Night in Tunisia’, ‘Moanin’ e ‘Blue Trane’, e aos 21 gravou o primeiro de quase 30 álbuns pelo Blue Note.
Fã do grande Clifford Brown, o ‘Brownie’, também trompetista e mito dos anos 50, Lee Morgan foi um dos primeiros a dar um andamento mais groove ao jazz. E ‘Sidewinder’, com um iniciante John Henderson no contrabaixo, é seu disco onde a influência do soul e do blues está mais forte influenciando toda uma nova geração no Blue Note como Donald Byrd, Lou Donaldson e Freddie Hubbard, e depois ainda nomes como Winton Marsalis e Roy Hargrove.
Quando Lee Morgan caminhava para o chamado free-bop, já no início dos anos 70, um som de vanguarda, mais livre, morreu em circunstâncias trágicas e até hoje ainda nebulosas: baleado dentro de uma casa de shows em NY pela própria mulher. Tinha apenas 33 anos. O motivo seriam ciúmes. Ela se suicidaria na volta para casa.
Recomendadíssimo, um dos meus preferidos, solos funkeados, técnica perfeita, improvisos impressionantes para fazer a cabeça ir longe. Conselho de fanzaço: no caso específico do Lee Morgan, a melhor dica é baixar logo a discografia completa, fazer uma seleção básica e deixar CD, iPod, playlist, streaming... qualquer coisa, sempre por perto, gênio.
Quem foi ao bar Semente e viu os primeiros passos de Teresa Cristina nos palcos da Lapa – isso em meados dos anos 90 – percebia que o pandeirista do grupo com cara de garoto que às vezes se arriscava sozinho no vocal em clássicos de Candeia e Cartola tinha um talento diferente. Afinal, manter o nível cantando ao lado de Teresa não é para qualquer um. Mas foi a partir do primeiro álbum de uma das maiores revelações do samba dos últimos anos, o disco tributo ‘A Música de Paulinho da Viola’, de 2002, que Pedro Miranda começou a seguir sua carreira solo. No CD duplo primoroso de Teresa Cristina, ele se destacava com participações em sambas como ‘Quando bate uma saudade’ e ‘No pagode do Vavá’.
‘Pimenteira’, de 2009, é seu segundo álbum solo e certamente um dos melhores de samba dos últimos anos. Com produção de Luís Filipe Lima e repertório irretocável com composições de Nelson Cavaquinho, Wilson das Neves, Nei Lopes e Elton Medeiros, Pedro Miranda desfila com classe seu timbre incomum, cheio de técnica, numa cadência ao mesmo tempo moderna e clássica. Só a música ‘Pimenteira’, do mestre do Recôncavo baiano Roque Ferreira, já vale o disco.Mas tem muito mais.
A crítica de Caetano Veloso no release de lançamento falando que ‘há muito tempo não ouvia um disco inteiro com tanto entusiasmo’ chamou atenção. Pedro, integrante também de grupos como Cordão do Boitatá, Anjos da Lua e Pé de Moleque, ainda não estourou para o grande público, merece muito mais, mas com certeza já figura entre os destaques da nova geração ao lado de nomes como Moyséis Marques, Edu Krieger e Rubinho Jacobina, todos também com músicas no disco.
Se fosse futebol e Cartola, Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola fossem Pelé, Garrincha e Zico, o trio acima seria Ganso, Lucas e Pato, e Pedro atacaria de Neymar, uma seleção sub-20 ouro certo em qualquer olimpíada do samba. Abaixo, Pedro Miranda e Teresa Cristina juntos no documentário 'Brasileirinho'.
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