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24.11.11

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Sharon Jones – Soul Time (2011)

Versão feminina do mestre James Brown, o fenômeno Sharon Jones chega ao seu quinto disco fazendo uma limpa no arquivo resgatando músicas sensacionais que não haviam sido lançadas antes em CD. Com onze faixas e apenas uma inédita, ‘New Shoes’, ‘Soul Time’ fica longe de parecer uma daquelas coletâneas caça-níqueis, é muito mais um ajuste de contas para não deixar nenhum clássico guardado no baú. São dez faixas resgatadas de trilhas, coletâneas e singles lado B como os petardos ‘Longer and Stronger’, do filme ‘For Colored Girls’, ‘Inspiration Information’, cover de Shuggie Otis para o projeto Red Hot, e ‘Genuine Part 1 & 2’, de um vinil 45rpm de 2002, que abre o álbum com os sempre excelentes Dap-Kings em altíssima voltagem. Nunca é demais lembrar que o combo da gravadora Daptone, formado por dez músicos de NY, acompanhou também Amy Winehouse em ‘Back to Black’.

Quem viu a passagem do furacão Sharon Jones por Rio e SP, no BMW Jazz Festival, em junho, certamente vai se deliciar com ‘Soul Time’. Para quem não conhece, mais uma chance para ter nos arquivos os petardos funk-soul dessa que é uma das maiores revelações da música black dos últimos anos. Sensacional. Abaixo, Sharon Jones na Amoeba, principal loja de discos dos EUA, na Califórnia.





Buddy Guy - Living Proof (2010)

Idolatrado pelos maiores guitarristas roqueiros da história como Jimi Hendrix, Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan, Buddy Guy continua em plena forma aos 74 anos tanto no palco quanto no estúdio. Em 2010, ganhou seu sexto Grammy com o semi-biográfico ‘Living Proof’, escolhido também pela BBC como melhor disco de blues do ano. Além dos riffs inconfundíveis tirados na clássica guitarra de bolinha branca, o álbum marca ainda o primeiro registro em CD da dobradinha com o mestre BB King na balada ‘Stay Around a Little Longer’. O outro convidado de Buddy Guy é o também guitarrista Santana em ‘Where the Blues Begin’.

Ao longo das doze faixas, o músico da Louisiana criado em Chicago lembra sua trajetória dentro e fora dos palcos sem soar nostálgico ou apelativo, muito pelo contrário (I’m 74 years young / there’s nothing I haven’t done / I’ve drunk wine with kings and The Rolling Stones), passando por todos estilos do blues e lembrando influências como Howlin’ Wolf e Muddy Waters. Veja baixo Buddy Guy em ação dividindo palco com os Stones.





The Amazing Bud Powell Volume 1 (1951)

Bud Powell forma com Charlie Parker e Dizzy Gillespie a santíssima trindade do bebop que revolucionou a música black do pós-guerra nos EUA mostrando uma nova forma de se fazer jazz. Pianista nascido em NY, em 1922, Powell surpreendia pela velocidade com que solava com a mão direita, mas sua grande revolução foi criar uma nova técnica usada até hoje ao liberar de vez a mão esquerda para acordes. Os adjetivos ‘amazing’ e ‘genious’ que dão nome aos seus dois principais discos (‘The Amazing Bud Powell’ e ‘The Genious of Bud Powell’) podem soar pretensiosos, exagerados, narcisistas – na verdade, dificilmente foram ideias do próprio – mas se encaixam perfeito com seu estilo.

Powell conseguiu manter uma forma exuberante mesmo após agressão na cabeça sofrida durante confrontos com policiais em protesto contra racismo em 1944. Sofrendo sempre com dores de cabeça e passando por tratamentos pesados que incluíam até choques elétricos, o músico criou álbuns antológicos ao lado de figuras centrais do jazz como Fats Navarro, Sonny Rollins e Max Roach (todas essas parcerias estão incluídas na playlist). Clássicos como ‘Un Poco Loco’ e ‘Hallucinations’, standards do jazz gravados por ele, refletem um pouco os problemas enfrentados por Powell após a agressão.

Bud Powell morreu cedo, aos 44 anos, em 1966, logo após uma temporada de cinco anos em Paris. É um dos grandes nomes do jazz de todos os tempos, certamente um dos quatro maiores pianistas da história ao lado de Duke Ellington, Oscar Peterson e do amigo Thelonious Monk (foto), e influência direta para músicos da geração seguinte, como Bill Evans e McCoy Tyner. Abaixo, Powell tocando 'Round Midnight', de Monk, e 'Blues in The Closet', em Paris. 



22.2.11

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Sharon Jones - Dap Dippin' with the Dap-Kings (2002)

Sharon Jones impressiona logo de cara pelo visual retrô totalmente black anos 60. O som é um soul-funk com pegada Aretha Franklin misturado com Tina Turner (na fase Ike) e Betty Davis (ex-mulher de Miles); os clipes em preto e branco têm estética blaxpoitation; o look e as roupas são totalmente vintage... não resta dúvida, é uma soulwoman obscura agora redescoberta. Nada. Sharon é americana, 54 anos, ex cantora de igreja e só explodiu nos anos 90. Já os Dap-Kings são músicos da Daptone Records, gravadora de NY com várias lançamentos recentes de altíssima qualidade, e têm no currículo nada menos que o 'Back to black' com Amy Winehouse. ‘Dap Dippin' é o primeiro álbum oficial de Sharon. Depois vieram mais três CDs, todos seguindo a mesma veia groove, ‘Naturally’, ‘100 days’ e 'I learned the hard way'. Busca no YouTube e sente o clima dos shows recentes na Europa. Bailão black de primeira. 


Jam da Silva – Dia Santo (2009)

Jam da Silva está só no primeiro disco, mas sua estrada é longa. O percussionista pernambucano é criador junto com DJ Dolores da elogiada e super rodada no exterior Orquestra Santa Massa, tem parcerias com Marisa Monte, Marcelo Yuka e com o conterrâneo Junio Barreto. O independente ‘Dia Santo’ está na lista dos melhores álbuns de 2009 e teve primeira tiragem esgotada. O som é moderno, misturado e percussivo até dizer chega, ou melhor, até dizer quero mais, quero ouvir no iPod, ver ao vivo. Após showzaços de lançamento no RJ e em SP, o disco acabou ganhando distribuição no exterior pelo selo Believe, de MC Solaar e Femi Kuti. São 11 músicas, participações de gente como Isaar, também ex-Santa Massa, do rapper francês Soba, e de Moussu T, do coletivo Massilia Soundsystem. São usados ao longo do álbum 30 instrumentos, tocados para valer sem sintetizadores ou samplers. Para ficar de olho e esperar ansioso o segundo disco.  

John Coltrane e Kenny Burrell (1958)

Que Jonh Coltrane é gênio, não se discute. Criou obras-primas do jazz, revolucionou os solos de sax tenor e hoje tem até uma igreja nos EUA. Já Kenny Burrell não é tão badalado, mas se você é guitarrista ou gosta de Wes Montgomery, Grant Green e Django Reinhardt, tem a obrigação de conhecer a obra desse americano de 80 anos, ainda vivo, em atividade e homenageado em 2010 no Grammy. Esse discaço de 1958 foi uma descoberta. Que bom que duetos e encontros inusitados entre astros do jazz eram uma constante na época. O álbum une os solos potentes de Coltrane com as linhas suaves de Burrell. E a Prestige ainda escalou uma banda de estrelas black dos anos 60 com nada menos que Paul Chambers no baixo, Jimmy Cobb na bateria, e Tommy Flanagan inspiradíssimo no piano. É um disco curto, pouco mais de 30 minutos, mas obrigatório na coleção.
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