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7.5.12

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Fim de semana foi histórico no RJ e SP com sequência rara de shows imperdíveis e cardápio vasto para quem gosta de grooves africanos, jazz, soul e rock brasileiro. Fora os sérios problemas de som durante a Virada Cultural de SP (Seun Kuti mal conseguiu tocar em algumas músicas, Ebo Taylor começou com volume baixíssimo) e os cancelamentos de Toots & Maytals e Abyssinians em cima da hora, tem que se destacar a programação de altíssimo nível que levou para as ruas de SP uma seleção de cracaços internacionais: de Tony Allen, Ebo Taylor e Seun Kuti, a Lou Donaldson, McCoy Tyner e Charles Bradley. E, por coincidência, tanto cariocas quanto paulistas viram ainda a comemoração pelos 30 anos do clássico 'Cabeça Dinossauro', dos Titãs. O bailão terminou ontem com apresentação mágica e emocionante de Tony Allen na lona do Circo Voador, no RJ, com os DJs da Makula abrindo os trabalhos, Bê Negão assumindo os vocais com o mestre do afrobeat solando e uma jam final com palco lotado que tirou lágrimas de muitos fãs de afrobeat. 

oblogblack selecionou alguns desses momentos com vídeos do youtube para dar um panorama geral da festa em SP e RJ. Quase todos bem tremidos, 'comentados', até toscos (a empolgação em ‘Polícia’, dos Titãs, entrou mais pelo registro da zoeira que sempre acontece quando toca essa porrada anos 80). Quem tiver mais dicas (não encontrei nenhum com Lou Donaldson, por exemplo), dá o aviso que entra no blog. Começo com os africanos: Tony Allen abre com clipe oficial do Queremos! (com bastidores, melhores momentos, completinho), depois tem Seun Kuti e Ebo Taylor. Veja ainda Charles Bradley levando soul de dia em SP e para fechar Mutantes e Titãs em duas versões: na Virada e no Circo.



 
 
 
 

4.5.12

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Com programação de altíssimo nível, homenagem à música africana e shows imperdíveis de Ebo Taylor e Tony Allen, a Virada Cultural de SP virou alvo de denúncias, ficou com site fora do ar e teve pelo menos uma baixa de peso em cima da hora: os jamaicanos do Toots and the Maytals (um dos três indicados no último post abrindo top 6 dos discos para ouvir no esquenta). Em meio a casos de corrupção diários, o investimento pesado em um megaevento gratuito sempre liga sinal de alerta. Abri apresentação da mixtape sobre a Virada falando exatamente sobre surpresa com a super escalação, curadoria inspiradíssima, mas a tal gratuidade preocupou. Quem paga mais de mil shows em uma única noite com dezenas de atrações internacionais? 

Polêmicas à parte, agora é acompanhar as notícias e ficar ligado se mais algum show será cancelado (atualização: Abyssinians fora também). E ouvir música!

Praça Júlio Prestes
Ebo Taylor, 20h30 (dia 5)
Tony Allen, 24h (dia 5) 


>> playlist 


 

A segunda playlist do blog fechando top 6 da Virada já estava pronta com Abyssinians e seu ‘Satta Masagana’. Decidi manter até porque música boa independe de polêmicas, fica aí para curtir com ou sem show na Virada. Super reggae-roots de 1976 com faixas que já foram cantadas até em igrejas na Jamaica.

Top 6 fecha com as duas grandes atrações da Virada e favoritos do blog: o guitarrista ganês Ebo Taylor e o baterista nigeriano Tony Allen. Ouça 'Life Stories - Highlife and Afrobeat Classics 1973-1980', coletânea de 2010 da Strut Records com todos os clássicos de Ebo em suas versões originais. E ‘Agent Orange’ com Tony Allen afiadíssimo cantando em duas faixas, recebendo convidados e desfilando a categoria e groove de sempre na bateria. O álbum da World Circuit é de 2009 e foi gravado na sua terra natal, Lagos, capital da Nigéria. Abaixo, novo clipe de Ebo Taylor com imagens de Gana para o recém lançado 'Appia Kwa Bridge’. 



20.4.12

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Confesso que minha primeira reação foi de surpresa total, aquela sensação de ‘é isso mesmo?, ‘tem certeza?’. E ainda por cima de graça? A Virada Cultural de São Paulo este ano superou todas as expectativas com uma aula de curadoria, programação inspiradíssima lembrando os melhores anos dos antigos Free Jazz e Tim Festival com toques de BMW Jazz Festival, Percpan e Back2Black. E como se tudo já não parecesse perfeito demais, ainda homenageia a África com dois convidados ilustríssimos tocando em sequência no horário nobre do seu palco mais roots: nada mais nada menos do que Tony Allen e Ebo Taylor, na Praça Júlio Prestes, dia 5, a partir das 20h30 (antes, Ray Lema abre a programação). Prepare o coração também porque é mais do que provável ver os dois dividindo microfones já que Tony acaba de fazer participação no novo disco de Ebo, o recém-lançado Appia Kwa Bridge. A super noitada black na Praça Júlio Prestes terá na sequência mais dois showzaços: Seun Kuti, às 2h30, e Bixiga 70, às 5h. No dia seguinte, a festa segue com reggae jamaicano clássico do Toots and the Maytals, às 13H (cancelado), e Abyssinians, às 15h30. GilbertoGil fecha o bailão histórico, às 18h.

Se na Júlio Prestes o assunto é África, na Praça da República o som continua blackíssimo, mas com jazz dominando e mais dois nomes clássicos no horário nobre: o mito McCoy Tyner, pianista do quarteto de John Coltrane em ‘A Love Supreme’, às 19h, o saxofonista Lou Donaldson, presença constante nas coletâneas groove da Blue Note, às 21h30, e o blaxploitation de Roy Ayers, à 0h. Para fechar, no dia seguinte tem o soul relax da revelação da Daptone Records, Charles Bradley, às 15h. E agora? Que palco escolher? Mixtape do blog esquenta para os shows e ajuda a tirar a dúvida. Ou aumentar...

Confira aqui a programação completa com mais de 900 atrações em quase 100 palcos espalhados por SP (o custo do evento foi estimado em R$ 8 milhões). Abaixo, lista das doze músicas da mixtape. E, depois, minidoc com Ebo Taylor + Tony Allen e Bixiga 70 no palco.  

01 > Ebo Taylor - Nga Nga
02 > Tony Allen - No Discrimination
03 > Bixiga 70 - Tema di Malaika
04 > Seun Kuti - African Soldiers
05 > Lou Donaldson – Its your thing
06 > McCoy Tyner - Blues on the corner
07 > Toots & the Maytals - 54-56 Was My Number
08 > Abyssinians - Satta Massagana  
09 > Charles Bradley - The World (Is Going Up In Flames)
10 > Roy Ayers - King George
11 > Toots & The Maytals - Pressure Drop
12 > Tony Allen – Secret Agent

 


13.4.12

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>> playlist 
   

    
  
Tony Allen, Damon Albarn, Flea - Rocket Juice & the Moon (2012)

Foi por pouco, no sufoco, nos últimos minutos do 'Queremos'!, mas os fãs de afrobeat acordaram hoje podendo comemorar: está confirmadíssima a apresentação do baterista Tony Allen, dia 6, no Circo Voador, Rio (um dia antes, Allen toca em SP, na Virada Cultural). A expectativa é de dois shows históricos e de casa cheia do nigeriano de incríveis 71 anos, nascido em Lagos, certamente top 5 entre os melhores bateristas de todos os tempos.

Fela Kuti já disse que sem a bateria de Tony Allen não existira o afrobeat. A parceria dos dois começou em 1968 e durou oficialmente até 1978, quando Allen deixou a direção musical do Africa 70, durante turnê de Fela na Alemanha.  Hoje, Tony Allen mora em Paris, tocou nos anos 80 e 90 com pesos pesados da black music como King Sunny Ade, Ray Lema, Manu Dibango, Baaba Maal, o jazzmen Archie Shepp, e continua a todo vapor. 

‘Rocket Juice & the Moon’ é seu novo projeto ao lado dos cracaços Damon Albarn (Blur e Gorillaz) e Flea (Red Hot), com participações de nomes como Eryka Baduh, do cantor malinês Fatoumata Diawara, do rapper ganês M.anifest e do combo de Chicago Hypnotic Brass Ensemble. O disco recém-lançado é a segunda parceria de Allen com Albarn. Antes, a dupla já tinha dividido estúdio e shows no projeto ‘The Good, the Bad and the Queen’, também com um timaço de músicos que tinha entre outros Paul Simonon, do Clash, e Simon Tong, guitarrista do The Verve. A primeira apresentação do super trio aconteceu, em 2011, no Cork Jazz Festival, na Irlanda. Não há expectativa de uma turnê dos três juntos já que o Red Hot tem agenda fechada para os próximos meses, Albarn é quase onipresente em vários projetos paralelos, assim como o também requisitadíssimo Tony Allen. 

‘Rocket Juice’ tem um pouco da influência de cada um de seus integrantes. Funkão pesado de respeito para sacudir a pista e o cérebro.  Presta atenção no entrosamento na cozinha entre Flea e Tony Allen. Discaço. 

Na playlist estão também faixas do último disco solo de Tony Allen, ‘Secret Agent’, de 2009, o dueto com Jimi Tenor, no projeto ‘Inspiration Information‘, do mesmo ano, mais participações no disco dos franceses do Fanga e no recém-lançado disco do guitarrista Ebo Taylor (2012). E aqui mais informações sobre relançamentos de vinis de Tony Allen. 



Akalé Wubé (2011)

Com o quantidade de imigrantes africanos circulando pelas grandes cidades da França era mais do que esperado a overdose de bandas, festas e pesquisadores de afrobeat, high-life, hiplife, ethio-jazz e de outros ritmos black no país. E foi na capital Paris que nasceu, em 1998, o primeiríssimo álbum da série ‘Ethiopiques’ resgatando nomes da fase de ouro do jazz etíope como Alemayehu Eshete, Tsehaytu Beraki, e, principalmente, Mulatu Astatke, que tocou ano passado em SP com casa cheia e ingressos esgotados em poucas horas. Foi também na cidade luz que surgiu uma das melhores bandas da pequena, mas altamente competente cena de ethio-jazz europeia, o quinteto Akalé Wubé (nome baseado em uma faixa do saxofonista Getatchew Mekurya). Vizinhos quase de porta do DJ Blundetto, estourado em Paris e hypado já fora da Europa, o  Akalé Wubé se destacou no último disco do francês e começa aos poucos a fazer barulho também fora da Europa. 

O álbum homônimo, de 2011, é o primeiro da banda e deixou ótima impressão. Traz novas versões para faixas clássicas da série 'Ethiopiques', todas instrumentais dos anos 60 e 70 com os metais dominando, mas também com forte presença de piano, baixo e até uma flautinha matadora. O caldeirão do Akalé Wubé mistura ainda psicodelia, reggae e funky. Como disse o DJ da BBC Gilles Peterson, som perfeito e viajante para ouvir no final da noite. Se quiser conhecer mais sobre a cena de ethio-jazz na Europa, ouça também Woima e Whitefield Brothers. Abaixo, o Wakalé Wubé ao vivo, em Paris, tocando o clássico etíope Muziqawi Silt.





Caçapa - Elefantes na Rua Nova (2011)

Conheci Rodrigo Caçapa pela seleção de altíssimo nível de cinco álbuns fundamentais de música africana indicados por ele que fez dupla com matéria do blog sobre o Awesome Tapes from Africa no miniespecial África na +Soma. Produtor, violonista e pesquisador musical obsessivo de ritmos afro e também nordestinos, o pernambucano Caçapa lançou em 2011 seu primeiro disco solo coroando carreira recheada de contribuições para projetos estourados de nomes que vão de Nação Zumbi e Siba a Alessandra Leão, Biu Roque e Kiko Dinucci. 

‘Elefantes na Rua Nova’ entrou em várias listas de melhores discos do ano misturando erudito e popular com maestria, incorporando efeitos e violas distorcidas em levadas de coco, rojão e samba. Caçapa gravou, produziu e arranjou as oito faixas tocando três violas, com Alessandra Leão, na percussão, e Hugo Lins, no violão baixo. No site que reproduz o CD multimídia que acompanhava o disco estão detalhes sobre a produção, instrumentos e efeitos usados no disco, assim como vídeos em que o artista explica conceitos do projeto como técnica, tradição e intuição. 



11.11.11

afrobeat-mixtape#1

Disco de estreia do Bixiga 70, bigband revelação de SP, é inspiração para primeira mixtape do blog com 12 faixas de álbuns de afrobeat recém lançados que merecem lugar cativo no iPod. Os franceses do Fanga abrem a sequência com Tony Allen como convidado. Tem ainda a nova do Tinariwen, o projeto coletivo de Damon Albarn, ex-Blur e Gorilaz, gravado no Congo, e mais Budos Band, Vieux Farka Toure e algumas raridades clássicas dos anos 60 e 70, de K.Frimpong a Mulatu Astatke e Orchestre Poly-Rythmo. Ouça, curta e compartilhe.



01 > Fanga - Crache La Douleur Feat. Tony Allen
02 > Bixiga70 - Luz Vermelha
03 > Budos Band - Hidden Hand
04 > Tinariwen - Amassakoul 'N' Tenere
05 > Shaolin Afronauts - Kilimanjaro
06 > Damon Albarn DRC Music - Customs
07 > Mulatu Astatke - Emnete
08 > K. Frimpong - Aboagyewaa
09 > Fela Kuti - Colonial mentality
10> Vieux Farka Toure Feat. Soulive - Watch Out
11 > Poly-Rythmo - Se Tche We Djo Mon
12 > Souljazz Orchestra - Agbara

3.3.11

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>> playlist

Tony Allen & Hypnotic Brass Ensemble Live at Cargo (2009) 

Show dos sonhos de muitos fãs de afrobeat pelo mundo aconteceu no Cargo, em Londres, em 2009. Juntos, no mesmo palco, a lenda Tony Allen, 'baterista que valia por quatro', segundo o próprio Fela Kuti; do outro, o octeto de metais formado só por irmãos Hypnotic Brass Ensemble, de Chicago, que recentemente arrebentou por aqui em shows no Percpan (e já ganhou post no blog). A apresentação única teve participação ainda do raggaman britânico Ty, do senegalês Baaba Maal e do hypado baterista Malcolm Catto. Repertório inclui clássicos de Tony Allen, instrumentais inspirados do Hypnotic com toque rasta e pianos psicodélicos. Quer um aperitivo? Dá uma olhada no vídeo de divulgação, clássico, com entrevistas, bastidores e som impecável.




Jimi Hendrix – Blues (1994) 

Coletânea é o que não falta para os fãs de Jimi Hendrix: tem álbum só com os hits, sobras de estúdio, psicodelia, experimentações... mas essa aqui é obrigatória para quem gosta de blues. Lançado em 1994, tem onze músicas gravadas entre 1966 e 1970, oito delas não incluídas em discos oficiais, além do petardo ‘Voodoo chile’, do álbum Electric Ladyland, e duas versões para a clássica ‘Hear my train coming’, uma elétrica e outra acústica totalmente roots. Traz ainda covers de ‘Manish boy’, de Muddy Waters, e ‘Born under a bad sing’, de Albert King. Com quase todas as músicas acima de 6 minutos de duração, é a chance de ouvir com calma longos solos blueseiros de Hendrix. Detalhe para colecionadores é a capa, projeto gráfico lindo com montagem reunindo a nata do blues.



Billie Holiday – Lady Day, the complete Billie Holiday on Columbia 1933-1944 (2001) 

Existem músicas que tem o poder de transportar para um outro nível de realidade: é assim com o cool jazz de Chet Baker, com os solos de Miles Davis, com a combinação baixo-percussão-letras de Bob Marley e... com a voz ‘fine and mellow’ de Billie Holiday. Não tem erro: Lady Day é incomparável na história da música. Diva é pouco para sua trajetória e importância. Billie Holiday tem no currículo clássicos que empolgam de primeira, músicas que caem bem em qualquer situação: ‘God bless the child’, ‘Night and day’, ‘Billies blues’, ‘Fine romance’... sempre acompanhada de uma cozinha de respeito com monstros da história do jazz no auge como Lester Young e Coleman Hawkins. Fora dos palcos, Billie Holiday foi também um furacão, uma espécie de Amy Winehouse dos anos 30, 40 e 50, com muitos maridos, brigas, surras, drogas pesadas e até uma prisão em 1946 por porte de heroína. Seu auge como cantora foi na década de 40, por isso minha opção pela coletânea da Columbia de 1994. A voz de Billie aqui aparece inteira, límpida, perfeita. O box com nada menos que 10 CDs, fotos, material gráfico de primeira, é daquelas raridades para ter na estante da sala, completíssima, alto nível. Uma opção com repertório mais concentrado é o CD ‘Blue Billie’, de 2002. Não tem erro, ambos sensacionais. 

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