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13.6.12

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Gravadoras independentes da Europa e Estados Unidos apontam seus radares para Mali, Gana, Nigéria e Benin atrás de álbuns inéditos fora da África, muitos esgotados, fora de catálogo, relíquias que só aparecem com pesquisa pesada. É cada vez mais comum ver produtores e donos de selos viajando meses pela costa oeste africana e voltando carregados de vinis dos anos 60 e 70. As inglesas Soundway, Strut Records e World Circuit, a alemã Analog Africa, a espanhola Vampisoul e a francesa Buda Musique, que abriu portas nos anos 90 com a série Ethiopiques, são nomes chaves dessa nova cena internacional que tem produzido uma ‘world music’ bem mais funkeada do que a aquela empacotada pelas multinacionais nos anos 80 e 90. 

Do garimpo por lojas de discos, rádios e até casas de colecionadores em cidades como Accra, Lagos e Cotonou já saíram discaços de Ebo Taylor, Orchestre Poly-Rythmo, Orlando Julius, Mulatu Astatke, Refugee All-Stars e muitas coletâneas com sons raríssimos em sequências matadoras ilustradas por pesquisa caprichada com fotos e entrevistas. Seguem quatro dicas que servem como mapa musical para essa região da África que é uma mina de sons clássicos.

African Scream Contest (2008) - Analog Africa
A viagem de Samy Redjeb por Benin e Togo, em 2005, rendeu tanto que o produtor da alemã Analog Africa só deu o projeto por encerrado depois de quase três anos na ponte aérea Frankfurt-Accra. Tinha tanto material que não ficou satisfeito somente em produzir um discaço com 14 músicas de nomes como Orchestre Poly-Rythmo, Les Volcans de la Capital e El Rego et ses commandos. A Analog lançou acompanhando o álbum um livro caprichadíssimo de 44 páginas recheado de fotos raras cedidas pelos próprios músicos e 16 entrevistas. No total, Samy fez oito viagens à capital do Benin, Cotonou, terra natal da sempre espetacular Poly-Rythmo. Grooves hipnóticos e metais pesados para conquistar até os ouvintes de primeira viagem. 

Ghana Soundz Vol 1 (2002) Vol 2 (2004) - SoundWay
O DJ e fundador da SoundWay Miles Cleret voltou de Gana carregado de raridades locais de funk e afrobeat. Depois do garimpo, foi atrás dos músicos para resgatar fotos, dados das gravações e histórias. ‘Ghana Soundz’ é completíssimo e mereceu segundo volume dois anos depois. A maioria dos sons é do início dos anos 70 quando os ídolos locais eram Fela Kuti, James Brown e Santana. O resultado é uma mistura do funk dos EUA com o highlife local. Ebo Taylor e Marijata já tiveram posts aqui no blog.

VampiSoul Goes to Africa (2008) - VampiSoul
Depois de apostar nas pedradas black ‘Lagos Baby’, de Fela Kuti, ‘Afro Disco Beat’, de Tony Allen, e na coletânea ‘Highlife Time’, todos discos duplos com produção impecável,  a espanhola VampiSoul partiu para pesquisa de campo e antecipa futuros lançamentos com esse ‘VampiSoul Goes to Africa’. Muita percussão, solinhos funkeados de guitarra, metais em brasa e influência direta do deep funk dos EUA.

Lagos Jump (2009) – Strut Records
‘Lagos Jump’ marca a volta da inglesa Strut ao país de Fela Kuti depois do relançamento do triplo ‘Nigeria 70’. Só que o foco agora é a capital Lagos dos anos 70 totalmente impregnada, dominada, encharcada de afrobeat. Tem do jazz pesado de Peter King ao afrofunk de Bola Johnson, chegando à lenda do ‘juju’ Shina Peters. São ao todo 27 músicas em um álbum duplo com seleção de Duncan Brooker e John Collins. Não poderiam faltar os incríveis Orlando Julius, Funkees, Joni Haastrup e Tony Allen. Pesquisa competente, afrobeat pauleira.

25.5.12

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Re:Generation - Mark Ronson, Skrillex, Pretty Lights, The Crystal Method, DJ Premier (2012)

Cinco DJs, parcerias de peso com nomes do jazz, rock, soul e música eletrônica e um documentário aplaudidíssimo na estreia no Coachella. Pouco falado no Brasil, o projeto 'Re:Generation' levou para as telas do festival, em Indio, deserto da Califórnia, imagens de encontros históricos de músicos de várias gerações para mostrar como os ritmos e grooves do passado influenciam os do futuro. A ideia era re-criar cinco estilos musicais unindo artistas com carreiras diferentes mas de alguma forma complementares. E a escolha foi a dedo, sem economia, só com grandes estrelas. No site do projeto é possível baixar de graça as dez músicas de ‘Re:Generation’, cinco inéditas e cinco remixes. Há também trechos do documentário mostrando bastidores dos encontros e gravações.

O disco já abre no clima com parceria surreal do produtor e DJ de dubstep, Skrillex (três prêmios Grammy em 2011) com nada mais nada menos que o trio ex-The Doors Ray Manzarek (teclado), Robbie Krieger (guitarra) e John Densmore (bateria).

'Jim teria amado, não era purista. Usar elementos eletrônicos é o novo campo da música. Podemos ir a qualquer lugar, é isso o que pretendo fazer no futuro', disse animado Manzarek após gravar 'Breakin' a Sweat'. 

Na sequência, minha preferida do disco, 'A La Modeliste', com Mark Ronson (Amy Winehouse, Adele) liderando um super combo black formado por Erykah Badu, Trombone Shorty e os metais dos Dap Kings. A terceira faixa é talvez a mais ousada unindo o DJ Premier (Jay-Z, Mos Def) com rapper Nas e a Orquestra Sinfônica de Berklee. 'Re-Generation' fecha com Pretty Lights e Crystal Method (Grammy em 2005) recebendo Funk Brothers, Martha Reeves e LeAnn Rimes. Entre os cinco remixes, destaque para o excelente Bonobo. Expectativa agora é ver tudo na telona. Playlist tem as quatro faixas originais do projeto. Aumenta o som e viaja na mistura. Abaixo, três super vídeos: trecho da gravação dos Doors com Skrillex, Erikah Badu e Mark Ronson no David Letterman e o trailer de 'Re:Generation'. 




  
ET Mensah - King of Highlife is Back Again!! (1976) 

Trompetista, saxofonista e bandleader nascido na pequena vila de Ussher Tow, Gana, Emmanuel Tettey Mensah começou como integrante da banda The Tempos nos anos 40, depois virou seu maestro, foi coroado Rei do HighLife e até hoje é um dos músicos mais influentes da África. No início da carreira, Mensah chegou a tocar na Europa com o trompetista escocês Jack Leopard, mas voltou à África ao receber o convite do Tempos. Foi já como líder do grupo que Mensah adaptou o ritmo mais famoso do país para um formato mais enxuto, sem orquestra, com poucos músicos. Ídolo nacional em Gana, Mensah foi um dos primeiros africanos a excursionar pela Europa nos anos 50. Em 1957, ganhou projeção internacional ao tocar com o mito Louis Armstrong durante a festa de independência do país.

ET Mensah saiu de cena nos anos 60 abrindo espaço para novos ídolos locais como Osibisa, African Brothers, Pat Thomas e Ebo Taylor. Nos anos 70 e 80, voltou à ativa fazendo shows e excursionando, mesmo já em cadeira de rodas. A coletânea ‘Is Back again’ foi lançada em 1976 para divulgar seus grandes hits no mercado internacional. Em 1986, ganhou a biografia ‘ET Mensah: King of Highlife’, do musicologista inglês John Collins, lançada em Londres. No mesmo ano, fez sua última turnê internacional. Ouça na playlist três músicas de ET Mensah. Abaixo, vídeo mostrando algumas capas de álbuns clássicos e na sequência entrevista para rádio, gravada em 1981, raríssima, com Mensah tocando e lembrando toda sua carreira.

 

BNegão e Seletores de Frequência  - Sintoniza Lá (2012)
Demorou quase dez anos mas BNegão, ex-Planet Hemp e Funk Fuckers, voltou em 2012 afiadíssimo em seu segundo disco com os Seletores de Frequência misturando em uma panela de pressão invocada todos os elementos mais groove da música black passando pelo dub, jazz, reggae, funk e hiphop. De novo com letras inspiradas cheias de ironias, críticas, sacadas e alfinetadas (‘O monstro é grande sim/ Mas não é invencível/ Pois esse império é artigo perecível’ ou ‘Você tem corpo, rapá, pode acreditar, que passageiro não é tripulante, que o que mata sede é água, e não refrigerante, e se a tormenta é passageira, depois dela vem o sol, taí, pode acreditar, que a vida é pra ser vivida, pra ser evoluída), o recém-lançado Sintoniza Lá tem referências diretas ao que há de melhor na música black como Hypnotic Brass Ensemble (Alteração ÉA!), Stones (‘O Mundo, Panela de Pressão’) e Tim Maia (‘Proceder/Caminhar’). 

BNegão segue na mesma frequência do seu primeiro disco, ‘Enxugando Gelo’ (2003), mas vai além com suingue pegando fogo e misturando rimas e solos na medida. Fácil, um dos destaques do ano até agora. Ouça no player abaixo todas as músicas de 'Sintoniza Lá'. Depois, dois vídeos: BNegão mandando o clásico 'Funk até o Caroço' e depois rimando com os brothers Marcelo D2 e Speed em 'O Império Contra-Ataca'.

6.5.12

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Conexão Gana

(oblogblack na revista +Soma)

Batizado John deRoy Taylor, Ebo Taylor, agora um senhor de 76 anos, dividiu palco nos anos 60 com o então iniciante Fela Kuti em bares de Londres, foi um dos primeiros a testar a mistura de jazz e funk com ritmos africanos e virou celebridade em Gana até ficar quase 30 anos sem lançar discos durante a moda do hiplife (versão africana do hiphop). Considerado uma das maiores ‘redescobertas’ da nova leva de discos de gravadoras como Strut Records, Soundway, Analog Africa, Vampisoul e Buda Musique com antigos ídolos africanos (Orchestre Poly-Rytmo, Mulatu Astatke, El Rego, entre outros), o guitarrista mestre do highlife fez seu primeiríssimo show no Brasil durante a Virada Cultural de SP. Antes, conversou com oblogblack por telefone direto da sua casa em Cape Coast. Leia matéria completa na revista +Soma. 

Clique para ouvir playlist com faixas do novo álbum de Ebo Taylor, 'Appia Kwa Bridge'. Abaixo clipe de 'Ayesama' gravado em Gana.

 

4.5.12

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Com programação de altíssimo nível, homenagem à música africana e shows imperdíveis de Ebo Taylor e Tony Allen, a Virada Cultural de SP virou alvo de denúncias, ficou com site fora do ar e teve pelo menos uma baixa de peso em cima da hora: os jamaicanos do Toots and the Maytals (um dos três indicados no último post abrindo top 6 dos discos para ouvir no esquenta). Em meio a casos de corrupção diários, o investimento pesado em um megaevento gratuito sempre liga sinal de alerta. Abri apresentação da mixtape sobre a Virada falando exatamente sobre surpresa com a super escalação, curadoria inspiradíssima, mas a tal gratuidade preocupou. Quem paga mais de mil shows em uma única noite com dezenas de atrações internacionais? 

Polêmicas à parte, agora é acompanhar as notícias e ficar ligado se mais algum show será cancelado (atualização: Abyssinians fora também). E ouvir música!

Praça Júlio Prestes
Ebo Taylor, 20h30 (dia 5)
Tony Allen, 24h (dia 5) 


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A segunda playlist do blog fechando top 6 da Virada já estava pronta com Abyssinians e seu ‘Satta Masagana’. Decidi manter até porque música boa independe de polêmicas, fica aí para curtir com ou sem show na Virada. Super reggae-roots de 1976 com faixas que já foram cantadas até em igrejas na Jamaica.

Top 6 fecha com as duas grandes atrações da Virada e favoritos do blog: o guitarrista ganês Ebo Taylor e o baterista nigeriano Tony Allen. Ouça 'Life Stories - Highlife and Afrobeat Classics 1973-1980', coletânea de 2010 da Strut Records com todos os clássicos de Ebo em suas versões originais. E ‘Agent Orange’ com Tony Allen afiadíssimo cantando em duas faixas, recebendo convidados e desfilando a categoria e groove de sempre na bateria. O álbum da World Circuit é de 2009 e foi gravado na sua terra natal, Lagos, capital da Nigéria. Abaixo, novo clipe de Ebo Taylor com imagens de Gana para o recém lançado 'Appia Kwa Bridge’. 



16.3.12

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Amadou e Mariam – Folila (2012)

Megaprodução, palco enorme, transmissão ao vivo para os seis continentes. A escolha para participar em Soweto do show histórico de abertura da Copa do Mundo de 2010, a primeira na África, deslanchou de vez a carreira internacional do casal do Mali Amadou e Mariam. A responsabilidade era enorme, além deles, apenas Angelique Kidjo, Parlotones e Tirariwen representavam a música africana em um line-up que tinha estrelas como Shakira e Black Eyed Peas. De lá para cá, o casal de cegos do Mali já abriu para super bandas como U2 e Coldplay, tocou com Damon Albarn no projeto hypado Africa Express e fez o showzaço ‘Eclipse’, no escuro total, em Manchester, em 2011. Agora, depois de quase dois anos na estrada e apenas um disco lançado (‘Remixes’, com pesos pesados da música eletrônica, como Bob Sinclair e Mike Snow, fazendo versões de seus hits), Amadou e Mariam estão em contagem regressiva para colocar no mercado seu sétimo disco de estúdio, ‘Folila’, cercado de expectativa e cheio de convidados especiais.

Com lançamento previsto para abril, o álbum terá onze músicas e participações de nomes como Tunde e Kyp do TV on the Radio, Jake Shears, do Scissor Sisters, Nick Zinner, guitarrista do Yeah Yeah Yeahs, Santigold e do rapper Theophilus London. Com produção do mesmo Marc-Antoine Moreau, francês parceiro da dupla desde o primeiro disco, ‘Sou ni tilé’, de 1998, ‘Folila’ teve músicas gravadas em NY e na capital do Mali, Bamako, com ambas sessões entrando na mixagem final.

Uma das faixas do disco, ‘Dougou Badia’, com Santigold, já pode ser ouvida no site da gravadora Nonesuch, e também em duas versões no EP homônimo de quatro faixas lançado no início do ano (as duas outras músicas são ‘Oh Amadou’ e ‘Wily Katsao’, essa gravada no show de Manchester).

Ouça na playlist ‘Dougou Badia’ e Wily Katsao’, mais uma seleção das melhores dos seis álbuns anteriores. Aqui, lembre ‘Dimanche a Bamako’, com Manu Chao.

A indicação ao Grammy, os elogios rasgados nas principais revistas do mundo e todo o moral com roqueiros e DJs, nada é por acaso. Amadou toca muito, Mariam tem uma voz incrível e as músicas um groove difícil de se achar. Que eles incluam o Brasil na turnê. 










Ebo Taylor - Appia Kwa Bridge (2012)

Parece que o discaço ‘Love and Death’, de 2010, o primeiro em quase em três décadas do agora senhor, Ebo Taylor, 76 anos, não acalmou o apetite desse que é o maior nome do high-life de Gana e um dos grandes guitarristas africanos de todos os tempos. Com lançamento previsto para abril, o segundo álbum com distribuição internacional de Ebo (ele se apresenta dia 5, em SP, na Virada Cultural), ‘Appia Kwa Bridge’, tem uma escalação digna de Copa do Mundo só com figurões da música black de várias gerações. Sente o drama: na bateria, Tony Allen (ex-Fela Kuti, um dos inventores do afrobeat e outro confirmado na Virada de SP e no Circo, no RJ); na guitarra, Oghene Kologbo, ex-Africa 70; na percussão, Pax Nicholas, autor do clássico ‘Na teefknow de road of teef’, de 1973, relançado recentemente pela Daptone; e nos teclados, Kwame Yeboah, filho da lenda de Gana, A.K. Yeboah.

Completa o timaço a Afrobeat Academy, uma super banda formada por músicos alemães de sangue blackíssimo de bandas como Poets of Rhythm e Woima. Todos já acompanham Ebo desde ‘Love and Death’ e estiveram ao seu lado no Womad de 2011 (a turnê, aliás, por detalhes não chegou ao Brasil).

Músico, compositor e produtor, Ebo Taylor tem longa estrada na música africana: começou nos anos 50 em Gana tocando high-life e depois foi morar e estudar em Londres, já na década de 60. Na Inglaterra, afiou seu estilo com fortes pitadas de jazz e chegou a tocar em jams locais com o então desconhecido Fela Kuti. Ebo costuma dizer que sempre dava um jeito de colocar uma faixa de afrobeat no lado B dos seus discos de high-life.

Na década de 80, com o hiplife (adaptação local do rap) tomando conta de Gana, Ebo foi morar no Canadá e deu uma sumida. Isso até gravadoras como Soundway, Strut e Analog Africa partirem rumo à África em busca de discos esgotados e relançarem material de bandas como Poly-Rythmo e de ídolos locais esquecidos como El Rego. Pela história que tinha dentro da música de Gana, Ebo Taylor foi um dos primeiros a ganhar destaque, foi convidado para shows na Europa e acabou gravando seu primeiro disco por uma gravadora europeia.

Com seis músicas inéditas de onze no total, ‘Appia Kwa Bridge’ sairá em CD e vinil duplo em edição daquelas caprichadíssima da Strut Records, a mesma de nomes como Mulatu Astatke, Poly-Rythmo, Heliocentrics e Souljazz Orchestra. 

Ouça aqui as músicas de ‘Love and Death’ e veja entrevista em vídeo com Ebo Taylor. Aqui, papo do blog Radiola Urbana, em Gana, 2005. E na playlist uma seleção de alguns hits do mestre do highlife. 




‘Nós que aqui estamos por vós esperamos’ (1999) - Marcelo Masagão - Trilha: Wim Mertens

Curador e idealizador do Festival do Minuto, Marcelo Masagão conseguiu colocar seu longa de estreia ‘Nós que aqui estamos por vós esperamos’ na lista dos filmes mais vistos de 2000 com apenas duas cópias circulando nos cinemas. Premiado em Recife, Gramado e em mais doze festivais pelo mundo, ‘Nós que aqui estamos’ é daqueles filmes que faz a gente sair do cinema sem palavras. E foi sem diálogo, nem narração, que Masagão fez um dos melhores documentários brasileiros da história.

Usando o mesmo modelo narrativo de Godfrey Reggio nos clássicos ‘Koyaanisqatsi’ e ‘Powaqqatsi’, o documentário tem pelo menos três grandes qualidades que explicam seu sucesso: primeiro, a escolha impecável de imagens feita a partir de uma enorme pesquisa em filmotecas do mundo inteiro (responsável aliás pela maior parte dos custos do filme com pagamento de direitos autorais); depois, uma edição cuidadosa e inspirada baseada em adaptação do livro de Eric Hobsbawn, ‘A Era de Extremos’. Mas é a trilha do belga Wim Mertens que pega lá no fundo, emociona de uma maneira que a gente demora para aterrissar após as luzes se acenderem no cinema.

Nome dos mais badalados da chamada música minimalista, que tem entre seus maiores destaques Terry Riley, Steve Reich, Brian Eno e Philip Glass (esse autor da também belíssima trilha de ‘As Horas’, incluída na playlist), Mertens é autor de quase 50 álbuns desde os anos 80 sempre seguindo uma linha mais melódica, mas mantendo o estilo e sofisticação do filme de Masagão. Tecladista de formação, o belga adota também em suas orquestrações instrumentos acústicos como violino, flauta e saxofone.  Em 2007, a EMI assinou contrato para relançar todo seu catálogo. Seu último álbum de inéditas é de 2010, ‘Zee Versus Zed’.

Para entrar no clima, veja abaixo a melhor sequência de ‘Nós que aqui estamos’: o balé de Garrincha e Fred Astaire, obra-prima do cineasta, dos personagens e de Mertens. Depois, mais trechos do documentário. E na playlist, ‘Close Clover’, que aparece também em coletâneas de música eletrônica como ‘Café Del Mar’, e ‘Struggle for Pleasure’, top 40 na Inglaterra, Bélgica e Holanda nos anos 90.

8.12.11

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Michael Kiwanuka - Tell me a Tale (2011)

Michael Kiwanuka tem só 24 anos e já é apontado como ‘o nome a se prestar atenção’ em 2012 dentro da cena neo-soul em que já brilham nomes como Erikah Badu, Joss Stone, Macy Gray e mais recentemente Mayer Hawthorne. Nascido em Uganda, o músico classudo de voz tranqüila cresceu em Londres, mas é nos EUA que estão suas raízes musicais e principais referências. Comparado a nomes clássicos da gravadora Motown, Kiwanuka faz um som simples, tranqüilo, com uma guitarra delicada e orquestração minimalista. Chamou atenção ao abrir shows para a nova sensação britânica, Adele (indicada como melhor disco e single de 2011 pela Rolling Stone), mas com seus três primeiros EPs já mostrou que tem fôlego de sobra para brilhar solo.

Lançado em junho de 2011, ‘Tell me a Tale’ é seu primeiro single. O álbum de estreia, 'Home Again', está previsto para sair em março de 2012 e é aguardado com expectativa tanto pela imprensa quanto pelos fãs. Abaixo, Michael Kiwanuka no Jools Holland.




Koko Taylor - I Got What It Takes (1975) e Royal Blue (2000)

Quando a cantora de voz poderosa e presença de palco marcante surgiu em Chicago, nos anos 60, o genial Willie Dixon não teve dúvidas: apadrinhou a novata Koko Taylor produzindo seu primeiro single, ‘Honky Tonky’, e escreveu para ela o hit que ficaria marcado para sempre como sua marca registrada, ‘Wang Dang Doodle’. Dixon acertou em cheio. Comparada a ‘shouters’ famosos do blues como Muddy Waters e Hownling Wolf, Koko Taylor (que ganhou o apelido ainda na infância por causa da paixão por chocolate) construiu uma carreira sólida seguindo tradição de grandes cantoras como Bessie Smith, Big Mama Thornton e Memphis Minnie, entrando para história com o inquestionável título de ‘a rainha do blues de Chicago’.

O disco ‘I Got What It Takes’, de 1975, marca sua estreia pela gravadora Alligator com repertório pesado que inclui clássicos como ‘Voodoo Woman’ tocados por um timaço de músicos como os guitarristas Mighty Joe Young e Sammy Lawhor. O disco seguinte, ‘Queen of the Blues’, segue a mesma linha com petardos como ‘Queen Bee’ e ‘Come to Mama’ (todas na playlist). Outro álbum que merece lugar cativo na estante é ‘Royal Blue’, de 2000, esse cheio de convidados, entre eles estrelas como BB King e Keb´Mo.

Koko Taylor morreu em 2008, aos 80 anos, durante cirurgia para controlar uma hemorragia no instestino. Apesar da idade, continuava fazendo até 50 shows por ano. Veja abaixo Koko Taylor em noite de gala, em Chicago, 1991, com Willie Dixon e Buddy Guy.




Rob - Funk Rob Way (1977)

Mais um tesouro garimpado pelos ingleses da Analog Africa em Gana, o disco ‘Funk Rob Way’ foi lançado originalmente, em 1977, em edição de apenas 500 cópias, e até voltar remasterizado ao mercado em 2011 era encontrado apenas em sites de leilões por preços que podiam chegar a até US$ 1 mil. Para colecionadores fãs de afro-funk-soul, o investimento era retorno certo. Agora então... são apenas seis músicas e pouco mais de 32min, todas no bom e velho estilo JBs com referências a Funkadelic e pitadas de afrobeat.


Just One More Time - ROB by Analog Africa

Nascido na capital Accra, Rob Roy Raindorf estudou música em Cotonou, no vizinho Benin, onde teve contato direto com a música de nomes como Black Santiago e Orchestre Poly Rythmo. Na volta a Gana, Rob, também admirador de estrelas soul dos EUA como Otis Reading, James Brown, Wilson Pickett e Ray Charles, formou sua primeira banda ao lado do guitarrista Amponsah Rockson. 'Funk Rob Way', seu disco de estreia, é dessa época.

Por causa de direitos autorais (uma das músicas já havia sido incluída na coletânea Ghana Funk), a nova edição de ‘Funk Rob Way’ teve uma das faixas trocadas em relação ao original. Apesar da formação acadêmica de Rob, Amponsah é responsável pela maioria das composições e arranjos. Afro-funk pegando fogo com piano e guitarras em alta voltagem. Os solos lembram o clássico 'Maggot Brain', do Funkadelic de George Clinton. O frame do vídeo abaixo é a capa do disco relançado pela Analog Africa.


8.9.11

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The Complete Lester Young Studio Sessions on Verve (1946 - 1959) + The Complete Billie Holiday and Lester Young (1937-1946)

Primeiro a chamar Billie Holiday de ‘Lady Day’, o saxofonista Lester Young ganhou da maior diva black do jazz um apelido à altura: President, ou, simplesmente, Pres. Quem já viu os dois em ação no superclássico ‘The sound of jazz’, exibido pela CBS dos EUA, em 1957, sabe que a dobradinha é talvez o melhor casamento entre sax e voz na história da música. O clima de cumplicidade e intimidade no palco é imbatível. Na banda brilham ainda Coleman Hawkins e Gerry Mulligan. Dá para ser mais cool?


Nascido no Mississipi, em 1909, e criado nos arredores de New Orleans, Lester Young foi um dos responsáveis por consolidar o sax como instrumento central numa jazz band nos 30 e 40. Depois viriam novas revoluções com Charlie Parker e John Coltrane, mas definitivamente Billie Holiday acertou em cheio na homenagem: Pres foi um gigante, liderou a passagem do bebop para o cool e gravou álbuns antológicos.

As sessões para a caixa da Verve são todas da sua fase posterior à Segunda Guerra Mundial. Para muitos críticos, um momento complicado em que os horrores do front prejudicaram seu desempenho como músico; outros acreditam que Pres esquecia tudo na hora do palco. Pela qualidade das gravações e intensidade dos solos, fico com a segunda opção. São oito discos, mais de 60 músicas e muitas parcerias históricas com Oscar Peterson, Buddy Rich e Roy Eldridge.

Veja abaixo outro clássico de Lester Young em vídeo: o curta ‘Jammin the Blues’, de 1944, dirigido pelo famoso fotógrafo Gjon Mili, que viraria referência ao revolucionar as gravações de shows e é uma espécie de avô dos videoclipes. 


K. Frimpong & His Cubano Fiestas (1976-1977)

O nome do malinês Ali Farka Touré é quase uma unanimidade quando saem listas dos melhores guitarristas africanos. Mas os relançamentos desses dois discos dos anos 70 podem equilibrar a votação para o ganês Alhaji K. Frimpong, morto em 2005. Até janeiro deste ano, ‘K. Frimpong & His Cubano Fiestas’ (álbuns homônimos de 1976 e 1977, o primeiro conhecido também como ‘Blue álbum’) só eram encontrados a peso de ouro nas mãos de colecionadores. A outra opção era ouvir as músicas de Frimpong em coletâneas como ‘Ghana Soundz’, da  Soundway, e ‘Strut’s Afro Rock’, da Strut, ambas gravadoras especializada em localizar pérolas da música africana. Mas, convenhamos, ficava um gostinho de quero mais.

Coube à gravadora de Minneapolis, Secret Stash, relançar os dois discos em vinil, em edição limitada, dando aos fãs a chance de ouvir com calma e qualidade o high-life com tintas de jazz desse guitarrista de solos funkeados e voz límpida e cheia de groove. Aliás, justiça seja feita, os metais dos Cubanos também incendeiam, com muita influência do funk de James Brown e Wilson Pickett. Veja abaixo o fundador da Secret Stash, Eric Foss, falando sobre impacto ao ouvir o disco pela primeira vez e como foi o caminho até o relançamento. 


Tom Waits - Rain Dogs (1985) 

Clássico dos anos 80, ‘Rain Dogs’ poderia facilmente ser trilha de cinema. Músicas como ‘Downtown train’, ‘Singapore’ e ‘Clap Hands’ são a cara (e a imagem) do seu criador, meio compositor, meio ator, entre com um jeito de Captain Beefheart, Frank Zappa, Howlin' Wolf e Jack Kerouac. Segundo álbum de uma trilogia iniciada por ‘Swordfishtrombones’, em 1983, e fechada quatro anos depois por ‘Franks Wild Years’, ‘Rain Dogs’, lançado em 1985, distancia para sempre o figuraço Tom Waits do que ele classifica como sua fase ‘pseudo-jazz-lounge’ dos anos 70. 

O disco mais vendido entre os 25 da discografia de Waits marca uma virada na carreira rumo a um mundo underground, de personagens estranhos, percussão carregada e suja, cheia de buzinas, ruídos, acordeões, banjos, marimbas e pianos de bar. Com a voz gutural inconfundível do músico da Califórnia, hoje com 62 anos, ‘Rain Dogs’ tem uma aura quase surrealista de letras bizarras e protagonistas do naipe de uma prostituta de perna de pau, um dono de matadouro e chineses bêbados.

O estilo cinematográfico do disco (que tem a guitarra experimental de Marc Ribot e Keith Richards como convidado especial em ‘Big Black Mariah’, ‘Union Square’ e ‘Blind Love’) consolida Tom Waits como artista de um território híbrido entre a música, o cinema e o teatro. Quem não se lembra dele roubando a cena em filmes como ‘Down By Law’ (Jim Jarmusch), ‘Cottom Club (Coppola) e ‘Short Cuts’ (Robert Altman)? Waits foi ainda compositor de trilhas como ‘O fundo do coração’(outra parceria com Coppola) e ‘Uma noite sobre a Terra’ (mais uma com Jarmusch), e ganhou dois prêmios Grammy pelos discos ’Bone Machine’, de 1992, e 'Mule Variations', de 1999.

Sem gravar desde ‘Real Gone’, de 2004, Waits acaba de finalizar ‘Bad as me’. O disco sai em outubro em duas edições, uma com 13 canções e outra especial com três faixas bônus e um livro de 40 páginas. Para entrar no clima Tom Waits, veja abaixo trailer do superclássico em preto e branco ‘Down by law’, de Jim Jarmusch (com Roberto Benigni) + vídeo de apresentação do novo álbum. Depois é só ir na playlist. 



3.6.11

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Pax Nicholas - Na teef know de road of teef (1973)

Nascido em Gana, na capital Accra, mas com carreira toda feita na Nigéria e depois na Alemanha, o percussionista Pax Nicholas foi integrante da banda Africa 70 de Fela Kuti, tocou e cantou em discos clássicos como ‘Shakara’ e ‘Zombie’, mas queria mais. Percussionista de mão cheia, segundo vocal em várias músicas de Fela, Pax gravou em 1971 seu primeiro disco solo, ‘Mind your business’. Fela não se opôs. Dois anos depois, foi mais longe e decidiu fazer um novo álbum, só que dessa vez acompanhado por músicos da própria África 70 – e o pior, sem Fela saber.

‘Era um disco top secret mesmo’, reconheceu depois. ‘Quando colocamos o disco em Kalakuta (república-comunidade de músicos e mulheres de Fela ‘governada’ pelo rei do afrobeat e alvo de várias invasões do governo nigeriano) as pessoas adoraram, dançaram. Mas quando Fela chegou, pediu para o DJ parar a música e nunca mais tocar o disco’. Resultado: o álbum ‘Na teef know de road of teef’ ficaria 30 anos praticamente inédito, não só na Nigéria, mas em todo mundo.

Redescoberto pelo DJ Frank Gossner e relançado em 2009 pela Daptone Records, o vinil é uma daquelas pérolas obrigatórias para os amantes da black music, capaz de rivalizar até com as pedradas do mestre Fela Kuti. São apenas quatro músicas em 32 minutos do mais puro afrobeat psicodélico. Justiça seja feita, letras e metais não se comparam aos clássicos de Fela, mas o peso da percussão, do baixo e do groove é para bombar qualquer noitada.

Cansado da pressão do governo contra o ‘estado alternativo’ de Fela dentro da Nigéria, Pax deixou o África 70 em 1978. Aproveitou a viagem para o Festival de Jazz de Berlin e ficou por lá mesmo. No mesmo ano, outra baixa de peso: o baterista Tony Allen decidiu morar em Paris.

Pax Nicholas hoje toca na Alemanha o projeto de afrobeat Ridimtatksi com outros músicos de países da costa oeste da África. Já dividiu palco também com o duo indie Tarwater, com o produtor de sons eletrônicos Jimi Tenor e com a atual sensação da Daptone Records Sharon Jones. Ouça na playlist ‘Na teef know de road of teef’ completo. Abaixo tem o último show de Pax com o Africa 70, em Berlim, e o Fela Day no Rio. 



 


  
Lee Morgan – The Sidewinder (1963)

Trompetista prodígio do hard-bop, Lee Morgan teve carreira meteórica: começou com Dizzy Gillespie aos 18 anos, passou para os Jazz Messengers de Art Blakey, participou como sideman de sessões que entrariam para história do jazz como ‘Night in Tunisia’, ‘Moanin’ e ‘Blue Trane’, e aos 21 gravou o primeiro de quase 30 álbuns pelo Blue Note. 

Fã do grande Clifford Brown, o ‘Brownie’, também trompetista e mito dos anos 50, Lee Morgan foi um dos primeiros a dar um andamento mais groove ao jazz. E ‘Sidewinder’, com um iniciante John Henderson no contrabaixo, é seu disco onde a influência do soul e do blues está mais forte influenciando toda uma nova geração no Blue Note como Donald Byrd, Lou Donaldson e Freddie Hubbard, e depois ainda nomes como Winton Marsalis e Roy Hargrove.

Quando Lee Morgan caminhava para o chamado free-bop, já no início dos anos 70, um som de vanguarda, mais livre, morreu em circunstâncias trágicas e até hoje ainda nebulosas: baleado dentro de uma casa de shows em NY pela própria mulher. Tinha apenas 33 anos. O motivo seriam ciúmes. Ela se suicidaria na volta para casa.

Depois de ‘Sidewinder’, Lee Morgan tem pelo menos mais três álbuns inspiradíssimos e na mesma levada groove: ‘Tom Cat’, ‘Cornbread’ e o mais abstrato ‘Search for the new land’. Vale correr atrás também dos duetos com os saxofonistas Hank Mobley e Wayne Shorter.

Recomendadíssimo, um dos meus preferidos, solos funkeados, técnica perfeita, improvisos impressionantes para fazer a cabeça ir longe. Conselho de fanzaço: no caso específico do Lee Morgan, a melhor dica é baixar logo a discografia completa, fazer uma seleção básica e deixar CD, iPod, playlist, streaming... qualquer coisa, sempre por perto, gênio. 



Pedro Miranda – Pimenteira (2009)

Quem foi ao bar Semente e viu os primeiros passos de Teresa Cristina nos palcos da Lapa – isso em meados dos anos 90 – percebia que o pandeirista do grupo com cara de garoto que às vezes se arriscava sozinho no vocal em clássicos de Candeia e Cartola tinha um talento diferente. Afinal, manter o nível cantando ao lado de Teresa não é para qualquer um. Mas foi a partir do primeiro álbum de uma das maiores revelações do samba dos últimos anos, o disco tributo ‘A Música de Paulinho da Viola’, de 2002, que Pedro Miranda começou a seguir sua carreira solo.  No CD duplo primoroso de Teresa Cristina, ele se destacava com participações em sambas como ‘Quando bate uma saudade’ e ‘No pagode do Vavá’.

‘Pimenteira’, de 2009, é seu segundo álbum solo e certamente um dos melhores de samba dos últimos anos. Com produção de Luís Filipe Lima e repertório irretocável com composições de Nelson Cavaquinho, Wilson das Neves, Nei Lopes e Elton Medeiros, Pedro Miranda desfila com classe seu timbre incomum, cheio de técnica, numa cadência ao mesmo tempo moderna e clássica. Só a música ‘Pimenteira’, do mestre do Recôncavo baiano Roque Ferreira, já vale o disco.Mas tem muito mais. 

A crítica de Caetano Veloso no release de lançamento falando que ‘há muito tempo não ouvia um disco inteiro com tanto entusiasmo’ chamou atenção. Pedro, integrante também de grupos como Cordão do Boitatá, Anjos da Lua e Pé de Moleque, ainda não estourou para o grande público, merece muito mais, mas com certeza já figura entre os destaques da nova geração ao lado de nomes como Moyséis Marques, Edu Krieger e Rubinho Jacobina, todos também com músicas no disco.

Se fosse futebol e Cartola, Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola fossem Pelé, Garrincha e Zico, o trio acima seria Ganso, Lucas e Pato, e Pedro atacaria de Neymar, uma seleção sub-20 ouro certo em qualquer olimpíada do samba. Abaixo, Pedro Miranda e Teresa Cristina juntos no documentário 'Brasileirinho'.  


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