3.4.13

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Foram exatos 130 posts em quase três anos de Oblogblack, muito som em streaming, a nata do groove com shows, clipes e documentários, mixtapes com os destaques do blog e - como prometido lá no header - o fino do jazz, rock, blues e afrobeat.

Desde a primeira dica com o new-funk do Hypnotic Brass Ensemble, os beats do Kokolo e o chorinho de Zé da Velha e Silvério Pontes, até a despedida com o raríssimo 'Native Brazilian Music', o reencontro do Led e um miniguia com repercussão da Guerra no Mali, o blog funcionou sempre a todo vapor com posts semanais e depois atualização também via Amplificador do Globo. Agora, chegou a hora de transformar Oblogblack em arquivo com todos os textos, playlists, dicas e fontes sempre disponíveis para quem gosta de descobrir boa música. 


Para fechar, mas abrindo novos caminhos, seguem abaixo os três posts mais lidos. A marca Oblogblack com clássicos e novidades continua agora na [RádioTrilha], novo projeto de criação de playlists online para identidade musical de bares, restaurantes, lojas e consultórios. Conheça, veja como contratar e indique. Bons sons. 

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Tim Maia - Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia (2012)

Gravadora do ex-Talking Heads David Byrne, a Luaka Bop levou quase uma década negociando com herdeiros de Tim Maia até conseguir lançar 'Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia', maior coletânea do nosso incomparável grooveman para o mercado americano. Em entrevista recente à Rolling Stone, Nelson Motta, autor da biografia sobre Tim, ‘Vale Tudo’, foi direto e esclarecedor ao falar sobre a difícil relação do 'Síndico' com executivos da música.

"Como tudo em Tim Maia, a administração de seu acervo e o relançamento de seus discos é um caos. Ele tem mais de 100 processos judiciais rolando, contra e a favor. Entre eles, diversos com gravadoras que lançaram originalmente seus discos. Como ele morreu em 1998, todos os relançamentos têm que ser autorizados pelo seu herdeiro, Carmelo Maia, e pelo advogado, e cada um envolve uma longa negociação. Um dos melhores discos dele, ‘Nuvens’, de 1982, jamais foi relançado".

Com faixas em português e inglês - várias da fase Racional - a coletânea da Luaka Bop chegou a ser anunciada em 2007, mas o lançamento foi adiado quando sites e revistas já tinham resenhas prontas. Em 2012, as negociações finalmente foram adiante e 'Nobody Can Live Forever' chegou às lojas em setembro como parte das comemorações pelos 70 anos de nascimento de Tim. Para divulgar o álbum, a gravadora organizou no dia 28 festas em vários estados dos EUA (por aqui, o evento aconteceu em BH) com Dom Maia tocando direto nas pickups. Apesar de ter morado nos EUA (e deportado, por posse de maconha), Tim Maia nunca chegou a ter sua obra reconhecida no mercado americano. Recentemente, a Rolling Stone local o comparou a Sly Stone. Para alguns, até pouco... Ouça abaixo as 15 faixas do disco, abrindo com 'Que Beleza'. Pode aumentar que a sequência é groove na veia.


 World Psychedelic Classics 4: Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia by Luaka Bop


An Introduction to Tim Maia from Luaka Bop on Vimeo.



African Pearls - Mali 70: Electric Mali (2006)

Chamado de 'Quincy Jones' da África, Ibrahim Sylla é talvez o maior produtor de músicos e orquestras africanas dos últimos 30 anos. Tem parcerias com praticamente todos os grandes nomes do continente, de Alpha Blondy a Miriam Makeba, de Oumou Sangaré e Baaba Maal a Salif Keita e Youssou N’Dour. Sua gravadora, a Syllart, participou do lançamento da maior parte dos álbuns de 'world music' dos anos 80 e 90, fazendo a dificílima e fundamental ponte com o mercado europeu. O duplo 'Electric Mali' faz parte da série de onze discos 'African Pearls', com as principais bandas, hits e raridades dos anos 50, 60 e 70 da costa oeste. Quase todos os grupos escolhidos por Sylla são pouco badalados fora da África, mas de trajetória consistente. Perfeito para conhecer outros músicos do Mali além dos mais conhecidos como Amadou e Mariam, Ali Farka Touré, Toumani Diabaté e os próprios Salif Keita e Oumou Sangaré. Para ouvir com calma, anotar e correr atrás de mais álbuns de orquestras como Régional du Mopti, Le Super Biton National de Ségou e Les Ambassadeurs du Motel de Bamako. Clique para ver lista completa de faixas e todos os discos com sons do Congo, Senegal, Guiné e Costa do Marfim. Tesouro para quem gosta de música africana e quer ir fundo nas pesquisas. 



Rendezvouz 8:02 – Gare Du Nord (2012)

Depois da sensacional trilha de ‘Pulp Ficton’ (1995), todos os novos longas de Quentin Tarantino são esperados avidamente também por quem gosta de música. Talentosíssimo no garimpo de grooves perdidos dos anos 60 e 70, o diretor é daqueles que pesquisam fundo em busca do melhor clima para as cenas. Seu próximo filme, ’Django Unchained’, tem lançamento previsto para 25 de dezembro, mas algumas músicas já são conhecidas, e duas delas são dos holandeses do Gare Du Nord. O projeto criado em 2001 pelos produtores Barend Fransen e Ferdi Lance começou despretensioso, para sonorizar desfiles, lojas e eventos. A ideia era recriar clássicos do blues, jazz e soul de nomes como Robert Johnson, Miles Davis e Marvin Gaye. Mas logo no primeiro disco, 'In search of Excellounge', de 2001, a dupla já chegou fazendo barulho entre DJs, pesquisadores e também diretores de cinema e TV. Faixas do disco de estreia, e também do segundo álbum, 'Kind Of Cool', entraram para trilha do seriado 'Six Feet Under' e do filme 'Ghost Rider. A dupla virou hit e acabou fechando com a própria Blue Note. As músicas escolhidas para 'Django Unchained' são do último disco do Gare Du Nord, o excelente 'Rendezvouz 8:02'. E as duas são pérolas que comprovam o faro apurado de Tarantino. Outro destaque na trajetória dos holandeses é o álbum ‘Greatest Hits’,de 2010, com mixagens de alguns dos músicos preferidos do blog, como Donald Byrd e Bobby Hutcherson.


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>> playlist 


   

Orquestra Afro-Brasileira - Obaluayê! (1957) 

Que tal descobrir que você tem um parente próximo vivendo em um outro país? É mais ou menos essa a sensação ao ouvir pela primeira vez a Orquestra Afro-Brasileira e comprovar que estão lá as mesmas raízes, influências e groove do afrobeat de Fela Kuti. Impossível não ver semelhanças entre músicas do combo do mineiro de Abigail Cecilio de Moura (1905-1970) com os petardos do nigeriano e seu Africa 70 ou Egypt 80. Tire a prova na playlist com sete música da orquestra ou vá direto no vídeo abaixo e comprove como 'Liberdade' tem todo o DNA de 'Shenshema'. Raridade em sebos, o disco de 1957 pode chegar a custar perto de mil reais no Mercado Livre. Para fãs de grooves africanos e colecionadores, vale muito! Criada em 1942, o combo de candomblé-jazz foi um dos pioneiros na mistura das batidas afro com instrumentos como piano, sax e trombone em passeios que iam do frevo e jongo a temas de folclore e cânticos de umbanda. 

Pesquisador, Abigail incorporou ainda instrumentos de percussão até então pouco usados em orquestras como agogô, adejá, urucungo, atabaques e angona-puíta. Lista de músicos da orquestra é extensa e já dá o clima de mistura total entre África, Brasil e jazz: Genny Pires (urucungo), José Pedro (angona-puíta), Joércio Soares (agogô), Antônio Cruz (gonguê), Oswaldino Lucas (rum), Carlos Negreiros (rumpi), Cândido Santos (lê), Valmir Rosa (afoxê), Djalma da Paixão (adjá); Horácio Soares (sax alto, clarineta), Carmélio Alves (sax tenor, clarineta), João Amâncio (sax alto, clarineta), Álvaro Nascimento (sax tenor, clarineta), Ananias da Silva (trumpete), Gamaliel da Silva (trumpete), Jaime da Silva (trumpete), Alfredo Alves (trombone) e Milton Profeta (trombone). Discaço para ficar de olho sempre nas buscas por sebos. Playlist tem cinco faixas abrindo com 'Apresentação' + 'Rei Nagô chegou'.




Jimmy Smith – Just Friends (1972) + Jimmy Smith's House Party (1958)

Depois de investir em uma vitrola zerada voltei a frequentar sebos em busca de raridades e sempre me impressiono com a quantidade de discos clássicos ainda obscuros. ‘Just Friends’, de Jimmy Smith, foi uma das últimas aquisições e mostra como uma boa garimpada pode render. Gênio do teclado Hammond, Smith participou de vários projetos coletivos ao lado de grandes músicos do jazz e funk. Mas os seus ‘Just Friends’ desse vinil de 1972 me surpreenderam, uma super seleção com alguns dos meus jazzistas preferidos. Sente o drama: no trompete, Lee Morgan; no sax, Lou Donaldson e na bateria o grande band-leader Art Blakey; e ainda: Curtis Fuller no trombone, Tina Brooks no sax tenor; George Coleman no sax alto; e fechando um dos meus guitarristas preferidos: Kenny Burrell. Me convenceu na hora! São apenas quatro músicas com cerca de 20 mimutos de jazz de cada lado e solos inspiradíssimos entrando em uma sequência matadora. 

Descobri depois na pesquisa para o post que o vinil é na verdade um relançamento de uma sessão gravada em NY, em 1958, para o disco ‘Jimmy Smith´s House Party’, da Blue Note. Se achar um ou outro, leve na hora! Abaixo, Jimmy Smith ao vivo em 1967 com Charlie McFadden, outro dos seus 'just friends', na guitarra. Hard-bop e souljazz de primeira.




Areia e Grupo de Música Aberta - Para Perdedores (2011)

Recife não cansa de surpreender com discos inspiradíssimos que muitas vezes não conseguem furar o bloqueio mainstream. ‘Para Perdedores', de 2011, é o segundo álbum solo do baixista do Mundo Livre S/A, Areia, também músico em trilhas famosas de cinema como ‘Amarelo Manga’, ‘Narradores de Javé’, ‘Árido Movie’ e ‘Baixio das Bestas’, e parceiro de nomes consagrados em discos de Alceu Valença, DJ Dolores, Arto Lindsay e Naná Vasconcelos. Após hiato de dez anos sem lançar trabalho solo, Areia voltou ao lado do Grupo de Música Aberta formado pelo saxofonista Ivan do Espírito Santo (Orquestra Contemporânea de Olinda), o acordeonista Julio Cesar (Arabiando) e o baterista Cássio Cunha (Alceu Valença e Duna). O nome Música Aberta vem do conceito de improvisação cíclica feita em cima de temas como o dos repentistas e cantadores de poesia popular do Nordeste. São ao todo quatro músicas gravadas em apenas uma noite no estúdio Muzak, em Recife. Estão lá o Nordeste, todas as raízes onde foram beber o próprio Mundo Livre, mas também a complexidade e sofisticação do jazz. O nome ‘Para Perdedores’ é uma homenagem aos que 'andam na contramão da sociedade competitiva', diz Areia no encarte. Faça download do disco no site do projeto. Pode mergulhar no som que a viagem é profunda. 

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Mixtape_oblogblack-groove_funky_africa by Mmonteiro on Mixcloud




Mixtape para ferver a pista com sons africanos, groove brasileiro com toques de samba, dub e rock, fechando na classe com pedradas do blues e funky. Saca a lista abaixo: começa em NY com Budos Band, vai direto para África enfileirando El Rego, Tony Allen, Smod, Moussa Doumbia e Poly-Rythmo; passa por SP, com Criolo, Céu e Lucas Santtana, depois Pernambuco, com BiD e Junio Barreto; e faz paradas finais na Inglaterra, EUA e Jamaica. Aperta lá o play e aumenta que vem sonzeira.

01 > Budos Band - Budos Rising 
02 > El Rego Et Ses Commandos - Djobimé
03 > Tony Allen and His Afro Messengers - No Discrimination
04 > Smod - Ca Chante
05 > Moussa Doumbia - Keleya
06 > Poly-Rythmo - Se Tche We Djo Mon
07 > Criolo - Mariô
08 > Junio Barreto - Se vê que vai cair deita de vez
09 > BID e Chico Science - Roda Rodete Rodeano
10 > Lucas Santtana - Who can say which way
11 > Céu - You Won't Regret It
12 > Toots and The Maytals - Funky Kingston
13 > Rolling Stones - Let It Bleed
14 > JJ Cale e Eric Clapton - It's Easy
15 > Nina Simone - The Pusher
16 > Betty Davis - Nasty Gal
17 > Tim Maia - O Balanço
18 > Jam da Silva - Samba Devagar
19 > Trombone Shorty - Horn Jam

1.4.13

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Carlinhos Zodi mistura MPB e reggae com lendas jamaicanas no Tuff Gong (Oblogblack no Amplificador do Globo)

Vida de músico independente é dureza, ralação pura, às vezes não basta só um disco bem produzido, convidados de peso, tem que ter sorte e acima de tudo contar com uma certa conspiração de coincidências para fazer barulho na grande mídia. Como explicar então um álbum que mistura poeticamente MPB com reggae, tem participações de lendas jamaicanas como Leroy Sibbles, do Heptones, Toots Hibbert, o Mr. Kingston líder do Toots & The Maytals, e finalizado no clássico Tuff Gong, ainda não ter conseguido furar o bloqueio mainstream?

Cheguei ao álbum ‘Kingston Bossa’ por um vídeo que circula por blogs e Facebook mostrando os bastidores da gravação, primeiro em SP e depois na Jamaica. Por trás das doze faixas do álbum, o músico, compositor e videomaker paulistano Carlinhos Zodi e o produtor Gustah Echosound. Criador da série ‘Pela Rua’ (que mostra picos de skate pelo país) e atualmente trabalhando em um reality com Bob Burnquist, ambos do canal OFF, Zodi leva em paralelo a carreira de músico, chegando ao seu terceiro álbum, o segundo em que ele toca todos os instrumentos (no segundo, teve participação de Marcelo D2).



'Kingston Bossa' levou um mês para ser feito em um surpreendente processo quase artesanal de gravação com todos os detalhes sendo produzidos e costurados por Zodi e Gustah em um estúdio de SP.

- Eu tinha um mês de férias, comentei com o Gustah, mostrei algumas músicas, ele topou e fomos para o estúdio dele. Gravamos praticamente todos os dias, cercados de instrumentos, mesa de som, experimentando melodias, testando, foi tudo muito intenso, cansativo, mas sublime, no final era uma sensação de euforia e êxtase, explica Zodi, no vídeo com todos os detalhes da gravação (veja abaixo). Quando sentimos que o caldo estava engrossando, começamos a pensar em ir para Jamaica gravar algumas participações e masterizar o disco no Tuff Gong, estúdio do Bob Marley, de onde saiu grande parte da sua obra e dos seus filhos. Claro que era só uma idéia, masss... Quando em uma das sessions de mix o nome surgiu com o Mauricio Cersosimo, daí não teve jeito. Um disco que se chamaria ‘Kingston Bossa’ TINHA que finalizar na Jamaica.

E assim foi. Com participações altamente especiais de Leroy Sibbles e Toots (quem gosta de reggae, sabe, duas lendas na Jamaica). Veja abaixo os vídeos que contam o caminho de Zodi e Gustah até ‘Kingston Bossa’, fechando com o primeiro clipe, 'Luz e Som'. Altamente recomendado.



Se ‘Kingston Bossa’ ainda não atingiu o grau de reconhecimento que merecia do grande público e até entre os fãs do reggae de todo país, a gente aqui no Amplificador dá nossa contribuição para divulgar o álbum que aos poucos vai ganhando espaço. Na semana passada, por exemplo, Zodi escreveu no Facebook o seguinte post: “Não entendi nada, mas, #1, I'm number 1 on the ReverbNation Reggae charts for Brazil, SP”.

É, Kingston Bossa vai subindo porque merece. Tem groove, qualidade, Leroy, Toots, Tuff Gong e o talento de Zodi e Gustah. E Zodi, só atualizando... Kingston Bossa agora é #1 no Reverbnation Reggae Charts para todo o Brasil (com o tradicional Maskavo em segundo). Abaixo, o trajeto do disco, da ideia à gravação e o primeiro clipe.


25.3.13

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DJ Tudo lança disco na França enquanto prepara 'Pancada Motor' com Mad Professor (Oblogblack no Amplificador do Globo)

Pesquisador, colecionador, produtor, baixista, DJ e maestro à frente da excelente Orquestra de Todo Lugar, o mineiro radicado em SP Alfredo Bello, o DJ Tudo, cada vez mais leva ao pé da letra o nome do seu último disco, ‘Nos Quintais do Mundo’. 'Globetrotter' da música, o mineiro formado pela UnB e radicado em SP viajou por 12 anos pelo país registrando grupos tradicionais de ciranda, maracatu, coco, congado, jongo, carimbó, bandas de pife, de congo, cavalo marinho, caboclinhos, afoxés... resultando em mais 3 mil horas de gravações e 22 discos pelo seu selo Mundo Melhor. Depois de criar um dos maiores acervos de música popular brasileira, DJ Tudo agora planta seu som que ele chama de ‘Música Brasileira Aberta’ nos quintais do mundo viajando sem parar e acumulando parcerias em países como EUA, Inglaterra, Suécia, Estônia, Bélgica, Marrocos, com músicos como Dr Das, do Asian Dub Foundation, com os turcos do Baba Zula, ou ainda com o gênio do dub Mad Professor (abaixo) .



Atualmente finalizando seu terceiro disco, o ‘Pancada Motor volume 1’, DJ Tudo acaba de deixar Londres com 26 versões produzidas em parceria com Mad Professor das 7 músicas que farão parte do álbum. Amplificador mantém linha direta com o músico (comparado a Brian Eno, David Byrne e ao também maestro Lettieres Leite) e vai mostrar aqui no blog o disco assim que for lançado. Enquanto isso, DJ Tudo não para tocando vários projetos em paralelo e acaba de lançar na França um disco feito em parceria com o trio Forró de Rebeca, formado por Jonathan ‘Matuto’ da Silva, Jean-Luc Frappa e Stéfane ‘Pai Véio’ Moulin, um carioca radicado em Lyon e dois franceses, todos pesquisadores incansáveis de música brasileira. 




DJ Tudo já tinha parceria com o Forró de Rebeca desde ‘Nos Quintais do Mundo’ e agora fez quatro remixes para músicas do disco ‘Na Roda’, lançado em fevereiro. Com oito faixas, sendo quatro do disco original e quatro versões, ‘Forró de Rebeca vs DJ Tudo’ foi gravado durante suas viagens, tem de samba de roda, coco e maracatu a rabeca, viola, acordeom, berimbau e até Rhodes de Marcos Lobato, do Rappa, registrado aqui no Rio.

“Eles pesquisam cultura nordestina, conhecem sons que muito brasileiro nunca ouviu. Já são parceiros antigos e gravaram também no 'Pancada Motor - Manifesto da Festa', que estou finalizando, e também no 'Pancada Motor - Música de encontros', que sai logo depois. Eu vou de baixo e computador. Tem até gravação de Sereia em terreiro. Comecei fazendo em Istambul, passei pelo Rio e acabei em São Paulo. Sobre o 'Pancada Motor', era para ser um disco mais simples, tem Dr Das, Baba Zula, músicos belgas, guitarrista francês, tecladista escocês, vários músicos brasileiros, e depois virá o 'Pancada Motor' propriamente dito. A entrada do naipe de sopros da minha banda e a quantidade de músicos envolvidos acabou transformando esse disco no volume 1”.




Para acompanhar as viagens e projetos do DJ Tudo é só ficar ligado no Facebook que ele tem postado muito contando bastidores das gravações e parcerias pelo mundo. Alfredo promete trazer cópias do vinil para o Brasil (mais informações no site do selo Mundo Melhor).

Abaixo, trecho do show no Sesc Belenzinho, em fevereiro, e duas músicas de ‘Nos Quintais’. Aqui, entrevista com Alfredo publicada no Amplificador em 2012, na semana do lançamento do DVD dirigido por Beto Brant, de ‘O Invasor’. Salve DJ Tudo!

* Foto DJ Tudo com Forró de Rebeca: Ju Bezerra de Mello


18.3.13

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Decole com o Astronauta Marinho: instrumental do RN com tintas de Radiohead (Oblogblack no Amplificador do Globo

Um som que começa com acordes de Dorival Caymmi (‘É doce morre no mar’), passa pela guitarrada do Pará até chegar a batidas eletrônicas e solos indie, definitivamente não é todo dia que aparece. Esse foi o cartão de visita do Astronauta Marinho quando entrou em contato com o Amplificador, mas faltava o EP completo, esperei e a banda de Fortaleza cumpriu com louvores todas as expectativas. Formado em 2011 como ‘projeto de um homem só’ do guitarrista Felipe Lima (ex-líder do combo Café Colômbia), o quinteto acaba de lançar seu segundo EP, ‘Fartozalê’, quase uma segunda estreia por apresentar pela primeira vez faixas misturando referências de todos os integrantes da banda que vão de Radiohead e Wilco a Air, Hurtmold e, claro, Cidadão Instigado, do excelente Fernando Catatau, conterrâneos de Fortaleza e atualmente a banda cearense mais conhecida na cena roqueira do eixo RJ-SP.

Vale aqui um parêntese para destacar que hoje tremula pela primeira vez no blog a bandeira do Ceará. Em quase oito meses de produção, tentamos mapear a produção de todo o país, circular por vários estilos e apresentar bandas pouco conhecidas. Mesmo recebendo dicas e com radar sempre ligado, essa ‘estreia’ comprova um momento delicado com escassez de novas bandas cearenses. E foi exatamente esse ponto um dos principais assuntos do nosso papo com o Astronauta Marinho. ‘A cena é morna. Muita produção boa acaba sendo passageira e não há muito investimento para que os grupos se sustentem. Mas o pior já passou’.


 
Faz o seguinte, ouve aí um trecho do ensaio do Astronauta (que além de Felipe Lima tem Rafael Viana na guitarra, Chagas Neto nos teclados e sintetizadores, Caio Cartaxo fazendo o baixo e Guilherme Alvez assumindo bateria e também samplers) e diz se não é um enorme desperdício a banda não dar as caras em palcos de todo o país. O som sofisticado com toques de psicodelismo, eletrônica e tintas regionais pode surpreender quem não está atento a grupos de centros menos badalados. Dá o play, decole com o Astronauta e depois conheça mais sobre a trajetória da banda e projetos. 

 

A banda começou em 2011, como foi o caminho até o 'Fartozalê'?
O Astronauta no começo era o projeto de um homem só. O Felipe tava sem banda e não queria parar de tocar, então começou a estudar produção musical e a registrar suas composições. Um amigo então sugeriu que ele se inscrevesse em algum festival e foram essas músicas que deram origem ao primeiro EP. A partir daí, ele sentiu a necessidade de realmente montar uma banda. Mas o Astronauta só se consolidou mesmo quando foi convidado para tocar fixo em uma casa de shows. Aí foram nascendo novas composições, novas histórias de amizade e sobre a nossa cidade. 'Fartozalê' é a nossa percepção dos altos e baixos de Fortaleza, sobre esse momento em que a gente vê vários artistas trabalhando para fazer a cidade um lugar mais rico em arte. E de fato tem muito artista talentoso aqui que não é reconhecido.

Como é hoje fazer música em Fortaleza e como está a cena local?
Morna, mas podemos dizer que o pior já passou. Vivemos agora um processo de reconstrução. Em 2012, houve o surgimento de várias bandas dos mais variados estilos e performances. O pessoal tem passado a rejeitar um pouco as velhas panelas e passou a ter sede de coisas novas e originais. Temos novas casas de show e paralelamente mais bandas produzindo material, dos mais variados estilos, e esperamos que tudo isso continue crescendo, claro que vai ser bom para nós e também para o público que parece orgulhoso em ouvir som feito aqui saindo para mídia nacional. Mas ainda assim a cena permanece mais independente do que nunca.


Como foi a produção do EP?
Gravamos no nosso estúdio próprio, o 'Quintal'. Todo mundo realmente se focou em terminar o trabalho e hoje a gente acha que superou a expectativa inicial. Até porque o EP ganhou um conceito e foi criando vida própria conforme foi sendo construído. As influências são variadíssimas: Efterklang, Sigur Rós, Radiohead, Air, John Frusciante, Wilco, The Dissociatives, Flaming Lips, Gaz Coombes, Hurtmold, Cidadão Instigado, Macaco Bong. Hoje, a gente descreve nosso som como 'essencialmente instrumental', porque realmente não há limitação quanto aos caminhos a percorrer.




Próximos planos?
Depois do EP, estamos focados no lançamento e preparando também um minidocumentário com bastidores da gravação. E já temos imagens para um clipe que deve sair em breve. Ainda estamos querendo fazer mais barulho na internet e ter mais material de qualidade para começar a pensar em turnês.

17.3.13

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Rock, reggae, rap e bluegrass: quatro clipes viajando por RJ, ES, SP e SC (Oblogblack no Amplificador do Globo)

Quatro bandas de estilos e estados diferentes, só clipes alto nível que estão fazendo barulho nas redes sociais e não podiam passar batidos aqui no blog. Para começar, o Nayah, de Niterói, RJ, grupo que surge como aposta do reggae nacional e que já apareceu aqui no Amplificador falando sobre a preparação para o quarto disco e lembrando parcerias com nomes como Planet Hemp, Ponto de Equilíbrio, Projota e Marechal. O papo foi em janeiro quando Kid Mumu, Alex Gaspar, JPunk e Renzo estavam finalizando o clipe de ‘A Vida Não Pode Ser Pela Metade’. Então vamos lá, o projeto com grafite, ‘light painting’, arte de rua e reggae do bom acabou de sair. Dá o play e ‘feel the music’.



Agora, anota aí: Rec Jay, o cara vem de Balneário de Camboriú, SC, faz um rap de gente grande e não é à toa já tem parceria com o superprodutor DJ Hum, de SP. É dele, aliás, a produção do clipe ‘Atitude é Viver (Aumenta o Volume)’. No Youtube, o vídeo já tem mais 140 mil visualizações. Se quiser conhecer mais, a faixa faz parte do seu trabalho de estreia, a mixtape ‘Atitude de Viver’, lançada em 2012. São dez faixas passando pelo hiphop, underground, R&B, neo-soulSoul e até samba-rock. Promete.



De SP, o quarteto Doutor Jupter é nome de peso no cenário independente fazendo um rock com influências de country, folk e bluegrass. A banda tem postado várias fotos com bastidores da gravação do novo disco e liberou esse clipe esquentando para o lançamento (em maio ou junho) com faixa inédita gravada ao vivo em Ribeirão Preto. Veja abaixo ‘Serenata’ com toques de Beatles, Elvis, Los Hermanos e Beirut.



E para fechar, riffs inspirados e rock da melhor qualidade vindo do ES com a banda Ócio. Tem até sangue na caverna do trio capixaba. Aumenta aí a caixa para ‘Overmotivated’.

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